Levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) aponta que pelo menos 904 mil cirurgias eletivas – não são de urgência ou emergência – estão pendentes no Sistema Único de Saúde (SUS) em diferentes es­tados e municípios do país. O estudo, feito pela primeira vez, divulgado nesta segunda-feira, 4 de dezembro, mostra que do total pelo menos 746 procedi­mentos cirúrgicos estão na fila de espera há mais de dez anos e 83% dos pedidos entraram na fila a partir de 2016. O Minis­tério da Saúde informou que desde maio passou a adotar o sistema de fila única para orga­nizar a demanda.

Em Ribeirão Preto, segun­do o estudo do CFM baseado em dados da Secretaria de Es­tado da Saúde, são 1.472 na fila. Em um ranking de mais de 370 municípios paulistas, a cidade está em 24º lugar. A situação mais grave na região foi consta­tada em Franca, onde a lista de espera tem 10.053 pedidos – a cidade só perde para a capital São Paulo, com 25.544. Por ser o primeiro levantamento desse tipo, não há dados dos anos anteriores. A pesquisa contabi­liza o número de procedimen­tos agendados, e não o número de pacientes na fila.

A Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto con­firma que a fila na cidade é de 1.472 procedimentos, sendo que a maioria é da área de or­topedia (336), otorrinolarin­gologia (41) e cirurgia geral (568). Outras 527 já foram en­caminhadas aos prestadores de serviço do município – Bene­ficência Portuguesa, Hospital Santa Lydia, Santa Casa de Mi­sericórdia, Hospital Estadual e Hospital das Clínicas –, respei­tando a demanda de urgências.

“A secretaria está realizan­do mutirões constantemente, como exemplo o da catarata e proctologia que diminuíram consideravelmente as filas de espera. Outros mutirões estão previstos para o próximo ano”, diz por meio de nota.

A pesquisa traz dados envia­dos pelas secretarias de saúde de 16 estados e dez capitais até ju­nho deste ano. Outros sete esta­dos e oito capitais não enviaram informações, alegando não tê-las disponíveis ou por negativa de acesso aos dados.

Na lista de espera, a maioria dos pedidos de cirurgias é de catarata, hérnia, vesícula, amíg­dalas e adenoide, além de cirur­gias ortopédicas. Os estados de Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Ceará apresentaram o maior número de cirurgias pendentes. Entre as capitais e estados que disponibilizaram informações de perfil dos usuários, as mulhe­res representam 67% dos pacien­tes que aguardam algum tipo de procedimento especializado. No Estado de São Paulo, há casos em que o paciente aguarda des­de 2005, recorde entre os Estados que responderam ao CFM. Na rede paulista, 143 mil esperam por cirurgia eletiva.

O Ministério da Saúde in­formou que, em julho deste ano, foi fechada a primeira lista para cirurgias eletivas no SUS, que identificou pouco mais de 667 mil pacientes aguardando por algum procedimento eletivo no país. De acordo com o levanta­mento do CFM, o SUS realizou no ano passado mais de 1,5 mi­lhão de cirurgias eletivas. O nú­mero é inferior aos anos de 2015, que registrou 1,7 milhão, e 2014, com o total de 1,8 milhão. O Mi­nistério da Saúde divulgou na semana passada balanço par­cial de 2017, que mostra cres­cimento de 39% no número de procedimentos realizados na rede pública entre janeiro e se­tembro, mês que registrou mais de 150 mil cirurgias.

A pasta informou ainda que o governo federal repassa de for­ma regular mensalmente recur­sos de média e alta complexidade a todos os estados e municípios e ainda dispõe de R$ 250 milhões em valores extras que poderão ser liberados para os gestores lo­cais. Cerca de R$ 41,6 milhões já foram liberados este ano para a realização de mutirões.