A história da humanidade mostra que o conhecimento, por ser gerador do poder, sempre foi restrito a um pequeno gru­po, pois é através do conhecimento que se faz a dominação. A palavra liberdade vive passeando pelo imaginário da maioria da sociedade brasileira, mas tendo significado diferente, depende do idealismo que está incrustado em cada grupo, e como não há afinidade com o conhecimento as atrocidades acontecem.

Para quem sempre viveu oprimido, sem direito a ter o mínimo de dignidade humana, sem direito a moradia, saúde, educação pública de qualidade, e por conta disso é facilmente lu­dibriado pelos salvadores da pátria, e neste contexto sonhar com a liberdade, mesmo não sabendo para que sirva é o seu mantra, no entanto o momento atual brasileiro mostra que a ignorância abissal parte de gente que frequentou os bancos universitários, muitos em universidades de ponta.

A massa que foi pras ruas no dia da independência para participar de atos golpistas e antidemocráticos convocados pelo criminoso que está na presidência da República, com algumas exceções era formada de gente branca pertencente ao topo da pirâmide, que sempre viveu da exploração do trabalho das clas­ses subalternas. A Declaração dos Direitos Humanos Proclama­da em 1948, não significa nada para essa gente, que tem a raiz fincada no regime escravocrata, e lutam com unhas e dentes para que o passado retorne ao presente, e para isso aconteça apoiam cegamente a política golpista em curso no País.

Vemos que uma sociedade caminha a passos largos para o abismo, quando os ricos, que supostamente são detentores do conhecimento, pois puderam estudar em instituições renoma­das, e, portanto, “bem formados”serem capturados por ideias medievais, que não fazem mais sentido na terceira década do século 21. O extremismo emburrece, pois bloqueia a mente e transforma essa gente rica num bando de ignorantes e analfa­betos funcionais. Não adianta os ados (mestrado, doutorado e pós-doutorado) se são facilmente abduzidos por ideias que destroem o ser humano.

Em um evento de despedida de um ex-aluno de uma famosa universidade pública, que ia trabalhar em Paris, ouve um fato que chamou a atenção do anfitrião. Um amigo seu de cátedra, se aproximou mostrando preocupação com a viagem do amigo, pois segundo ele, Paris era uma cidade perigosa por ter sido o berço do Iluminismo, que foi um movimento anticristão – isso aconteceu no século 21 em uma cidade considerada a capital da cultura. Essa tara por ideias construídas em um passado distante, que menosprezam e desvalorizam os seres humanos estão sem­pre buscando um intermediário para colocá-las em prática, pois seguidores não faltam.

O pior de tudo é ver a cegueira que tomou conta dessa gente, e a escuridão se fez presente. A ideia de um ser supremo que virá para salvar a humanidade das suas agruras é o que move boa parte dos destas pessoas, e é neste clima que surge a figura do salvador da pátria, que com os seus sofismas e escamoteações transforma as pessoas em verdadeiros zumbis. Ir para as ruas para pedir ditadura militar, fechamento do Supremo e do Con­gresso são atitudes de gente ignorante e burra, que não tem no­ção do que seja uma Nação. Quando circulou a notícia falsa, de que o miliciano de plantão tinha decretado o Estado de sítio, vi manifestantes chorando e agradecendo pelo regime de exceção.

Em qual democracia do mundo, o povo vai às ruas para agra­decer pelas chibatadas que leva no lombo? “Que País é esse?”