Como são feitos os testes para diagnosticar o novo coronavírus?

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Testes para Covid - Foto: Pexabay

Há dois diferentes tipos de exame no mercado voltados ao diagnóstico da Covid-19: o RT-PCR, que utiliza a biologia molecular, e os testes rápidos, que utilizam a sorologia para identificação da doença.

Os dois são diferentes nos métodos e nas aplicações, pois devem ser utilizados em momentos diferentes para que seja possível um diagnóstico.

Ambos têm margem de erro, especialmente para o chamado falso-negativo, quando o vírus não foi capaz de ser identificado porque ainda não está ou já esteve em quantidade suficiente no corpo, mas a pessoa o contraiu.

Logo, a confiabilidade e a precisão dos resultados estão diretamente ligadas ao momento em que cada teste é realizado e à correta interpretação do quadro de cada paciente.

Entenda melhor como são feitos e de que forma o RT-PCR e os testes rápidos detectam o novo coronavírus.

RT-PCR, o teste de biologia molecular

O exame considerado ideal para diagnosticar a Covid-19, conhecido como ‘padrão ouro’, é o de biologia molecular RT-PCR (sigla em inglês para transcrição reversa seguida de reação em cadeia da polimerase).

Esse teste detecta a presença do genoma da Covid-19, ou seja, uma sequência do material genético do vírus que indica que a infecção está ativa.

As amostras são retiradas do fundo do nariz (nasofaringe) e da boca (orofaringe) e as secreções analisadas em laboratório.

Com esse exame é possível identificar a doença bem no início, quando o indivíduo possui grande quantidade do vírus, especialmente na primeira semana. Esse teste confirma se a pessoa está doente no momento da sua realização.

No entanto, pode apresentar falso negativo se for feito de forma precoce (quando ainda não há grande quantidade de vírus no corpo) ou atrasada (após mais de três semanas da doença).

O fato do RT-PCR identificar o vírus no período em que está vivo no organismo permite aos profissionais da saúde direcionarem o paciente para o tratamento mais adequado – internação, isolamento domiciliar ou outro.

O prazo para obter os resultados dessa opção de teste é um gargalo na demanda, pois o mesmo pode variar de horas a dias para ficar pronto.

Testes sorológicos

A outra opção de teste de novo coronavirus é o teste rápido que, como o próprio nome diz, permite resultados quase imediatos, entre 10 e 30 minutos.

Esse exame é feito a partir do método de sorologia – identifica por meio de coleta sanguínea anticorpos produzidos pelo corpo em resposta a infecção, ou seja, a resposta imunológica ao vírus.

A análise é feita com a aplicação de um reagente na amostra de sangue coletada, que indica se é positiva ou negativa ao SARS-CoV-2.

Os anticorpos observados são o IgM (indica se a pessoa está infectada ou teve infecção recente) e o IgG (indica que a pessoa está recuperada). Há testes que detectam os dois anticorpos simultaneamente e outros de maneira separada.

Apesar de trazer informação ágil, as respostas trazidas pelos testes rápidos também podem apresentar o chamado falso-negativo, por isso, podem estar sujeitas a interpretações erradas sobre a doença.

É muito importante avaliar o melhor momento para se fazer o teste. A recomendação é que seja depois de sete dias de manifestação de sintomas da Covid-19, quando o organismo começa a produzir anticorpos na tentativa de combater o vírus.

Antes desse prazo, os anticorpos podem ainda não ter aparecido ou estarem em baixa quantidade no organismo e, por isso, não serem identificados. Da mesma maneira, os anticorpos tendem a desaparecer após um mês da infecção.

Ou seja, para se obter bons resultados, é preciso realizar o teste em período específico, de acordo com cada paciente.

O uso de testes rápidos não deve ser para diagnósticos definitivos. No entanto, é um recurso muito importante para mapear a população que já foi infectada pelo coronavírus, especialmente para orientar a atuação segura de profissionais da Saúde, já que indica que estão imunes ao vírus. No entanto, ainda não se sabe se essa imunidade é permanente.

O teste rápido também é útil na triagem de pacientes, na atenção primária à saúde, na identificação de casos suspeitos e assintomáticos que tiveram contato com pessoas diagnosticadas ou suspeitas, para confirmar se alguém que teve sintomas semelhantes aos da Covid-19 realmente teve a doença e está imunizado.

Segundo o Ministério da Saúde, os testes rápidos tem taxa de erro de 75% para resultados negativos, por isso, somente o acompanhamento hospitalar pode garantir avaliação correta e adequada a um diagnostico seguro.

Seja em qualquer situação, a busca por testes para diagnóstico da Covid-19 não invalida a necessidade de todos cumprirem as medidas básicas de prevenção para contenção da doença: manter as mãos higienizadas com álcool em gel ou lavando com água e sabão, utilizar máscara e aderir, ao máximo, ao distanciamento social.

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