COVID-19: Quando e como reabrir as escolas (1)

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Em 12 de março de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a Covid-19 uma doença infecciosa de caráter pandêmico. Imediatamente, em 18 de março de 2020, a Organização das Nações Uni­das para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNES­CO) estimou que 107 países tinham implementado fechamento nacional das escolas devido a mesma, fato que afetou 862 milhões de crianças e jovens, es­timados ser metade da população global. Na metade do mês de abril seguinte, estimou-se que 192 países tinham fechado os portões de suas escolas, afetando mais que 90% das mesmas, aproximadamente mais de 1,6 bilhões de estudantes no mundo. Esta decisão levou a pandemia da COVID-19 a tornar-se um dos grandes desafios impostos aos sistemas educacionais dos quatro quadrantes do planeta.

Com pouca informação e pouca evidência científi­ca considerando a propagação da Covid-19 em crian­ças e jovens, as nações foram guiadas por evidências obtidas de outros vírus respiratórios, tais como, os da gripe, nos quais crianças têm um papel substancial na transmissão. Ademais, com o propósito de reduzir a disseminação do vírus, as escolas que fecharam suas portas tiveram pouco tempo para garantir, ou planejar, uma continuidade segura das instruções educacionais ou mesmo para criar um cenário confiável para decidir quando e como reabrir as escolas.

Assim considerando, países, estados, municípios e as escolas estão, agora, enfrentando questões extre­mamente complexas e multifacetadas relacionadas à abertura, ou não, de suas escolas e a como operá-las seguramente se as mesmas forem reabertas. Na verdade, essas decisões necessitam ser corroboradas por confiáveis evidências científicas atuais sobre a fisiopatologia do vírus que causa a Covid-19, bem como, sobre os impactos do fechamento das escolas sobre os estudantes e seus familiares e sobre as complexida­des de operacionalizar as escolas ao longo da persistência da pandemia agora, então, no estágio conside­rado segunda onda, que grassa em diferentes países do mundo, principalmente nos mais populosos.

De acordo com tal complexidade, a The National Academies of Sciences Engineering and Medicine elaborou um manual de orientação em 2020 visando instruir a reabertura e a operacionalização de esco­las de ensino médio e fundamental ao longo do início do ano escolar de 2021. Esse manual reza que as recomendações devem considerar: 1º) O que é conhecido e o que é desconhecido sobre a Covid-19; 2º) O que é necessário conhecer sobre as escolas a fim de tomar decisões relacionadas à Covid-19; 3º) Como as determinações sobre reabrir as escolas e deixá-las abertas podem melhor serem implementadas e 4º) Quais são as estratégias para mitigar a disseminação da Covid-19 nas escolas.

Dentre os pontos destacados no manual, que podem ser úteis aos educadores brasileiros, vamos apontar os seguintes: a) as crianças não são superdisseminadores do corona vírus; as evidências atuais sugerem que crianças e jovens de 18 anos pra menos são de baixo risco de serem infectados seriamente e terem consequências duradouras ou morrerem em decorrência da Covid-19;

todavia, alerta a Academia, há evidência insuficiente para determinar quão facilmente crianças e jovens contraem o vírus e quão contagiosos eles são uma vez infectados. Similarmente às medidas distanciamento social, evitar aglome­rações, lavar as mãos e usar máscara, em conjunto medidas comportamentais importantes para evitar a transmissão, não há qualquer evidência definitiva acerca de qual conjunto de estratégias se mostra mais eficaz para limitar a transmissão dentro do ambiente escolar quando estudantes, professores e funcioná­rios estiverem presentes. Portanto, as evidências ainda são inadequadas tanto no domínio da transmissão quanto no da mitigação, tornando extremamente difícil avaliar com precisão os riscos à saúde de abrir fisicamente as escolas e de criar planos para operá-las de modo que se reduzaq a transmissão do vírus.

Continuando: b) as desigualdades persistentes que ocorrem no sistema educacional podendo intera­gir com outras disparidades similares presentes no sistema de saúde, levando a implicações muito mais severas para algumas comunidades. É fato que, no Brasil, gigante que é, Estados, municípios e escolas muito diferentes nos pontos de vista econômico, social e educacional, podem ter as mesmas agravadas pela pandemia, impactando de forma elevada comunidades menos afluentes da sociedade, bem como, camadas mais pobres da população escolástica. Portanto, sem a atenção muito cuidadosa, os planos de reabertura das escolas podem exacerbar essas situações.

Em resumo, qualquer decisão acerca de quando e como reabrir as escolas deve ser baseada em pes­quisas que considerem especificamente os desfechos da Covid-19 e não se baseando genericamente em pandemias similares, ainda que estas últimas sejam importantes

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