Marias, Alices, Júlias, Auroras e Helenas. Miguéis, Benjamins, Samuéis, Gabriéis e Davis. Anas, Lauras, Laras, Maitês e Cecílias. Guilhermes, Joões, Bernardos, Benícios e Pedros. Eloás, Larissas, Rebecas, Catarinas e Luanas. Lorenzos, Rafaéis, Daniéis, Brunos e Josés.
Sofias, Letícias, Yasmins, Elisas e Luizas. Brunos, Hen­riques, Joaquins, Enzos e Gustavos. Amandas, Déboras, Gabrielas, Jéssicas e Marianas. Bentos, Eduardos, Hélios, Kaiques e Nelsons. Beatrizes, Esters, Heloísas, Karens e Natálias. Carlos, Felipes, Ismaéis, Luizes e Osvaldos.

Camilas, Fernandas, Ingrids, Lorenas e Odetes. Diogos, Gonçalos, Jesus, Marcelos e Paulos. Dalilas, Giseles, Joa­nas, Melissas e Pamelas. Emanuéis, Hugos, Lucas, Otoni­éis e Quirinos. Zélias, Wilmas, Tatianes, Ritas e Palomas. Wandersons, Ubiratans, Saulos, Ricardos e Pablos.
Vitórias, Talitas, Sandras, Quitérias e Ofélias.Teodo­ros, Rauls, Nathans, Micaéis e Ícaros. Jaquelines, Naomis, Livias, Helgas, Sabrinas e Iaras. Brenos, Robertos, Césares, Isaacs e Givaldos. Pietras, Kezias, Dandaras, Waleskas e Evas. Zaqueus, Calebs, Kazuos, Oscares e Libórios.

Nomes de brasileiros e brasileiras, portadores de so­nhos, esperanças, amores e desejos. Quantas Alices não verão mais seus netos crescerem, quantos Nelsons não fa­larão orgulhosos do filho que se formou, quantas Wilmas deixarão de realizar a sonhada viagem, quantos Hélios não poderão mais ajudar um filho desvalido, quantas Beatrizes deixarão de pentear os cabelos da filha amada, quantos Eduardos não irão mais buscar as crianças na escola?

Foram mais de 400 mil vidas brasileiras ceifadas numa guerra sem armas, vítimas do descaso e da impiedade de homens e mulheres que tinham a obrigação de cuidarem da saúde e do bem estar de todos nós. Gente com a em­páfia dos rancorosos, com a vaidade refletida no espelho partido de suas almas tenebrosas, incompetentes em pro­porcionar alento, senhores da violência verbal, soberanos da mentira e do descaso com vida humana. Um dia, esses monstros travestidos em fardas e ternos, pagarão por suas maldades, a nação brasileira terá que cobrar isso, de um jeito ou de outro.

Foram mais de 400 mil sonhos, esperanças, desejos e alegrias transformados em tristezas e saudades, foi o que restou para as famílias e amigos. Mas, ainda resta a espe­rança, pois, se na ciência encontraremos a cura para esse mal que nos assola, é no exemplo dos trabalhadores da saúde, esses sim, os verdadeiros soldados e soldadas, que combatem, sem descanso, na linha de frente da vida.

Deixo aqui minhas condolências aos que perderam entes queridos e amigos, além da minha dívida de gratidão ao profissionais da saúde. E meu desprezo, pela eternidade, a esses seres maldosos, que por um descuido democrático deixamos entrar em nossas vidas.