Diplomata diz que Trump ‘priorizou’ investigar Biden

0
15
JIM BOURG

A primeira audiência aberta do processo de impeachment do presidente Donald Trump trouxe um depoimento incômodo ao presidente americano: o do em­baixador dos Estados Unidos na Ucrânia, William Taylor. No fim de outubro, ele indicou em um testemunho aos deputados que o governo estava condicionando apoio à Ucrânia ao andamen­to das investigações sobre negócios do filho de Joe Biden, adversário político de Trump. Nesta quarta-feira,13 de novem­bro, Taylor revelou que Trump questionou o embaixador dos EUA para a União Europeia, Gordon Sondland, sobre as investigações. A pergunta foi feita durante uma ligação realizada em julho, acom­panhada por um integrante da equipe de Taylor. No pronuncia­mento aos deputados da Comis­são de Inteligência da Câmara nesta manhã, Taylor afirmou que o integrante de sua equipe questio­nou Sondland sobre o que Trump pensava sobre a Ucrânia. “Embaixador Sondland afirmou que Trump se preocupa mais com as investigações sobre Biden, as quais (Rudy) Giuliani vinha pressionando”, afirmou Taylor. Segundo ele, quando prestou depoimento no último dia 22 de outubro, ele não estava ciente dessa informação. O embaixador foi questionado por parlamentares se já esteve ciente de ajuda externa condicionada por interesses pessoais ou políticos do presidente dos EUA. “Não, eu não vi”, afirmou o diplomata. A conversa com Sondland teria acontecido, segundo o depoi­mento, no dia 26 de julho, um dia depois de Trump ter pressio­nado o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, a investigar Biden e o filho do democrata, Hunter Biden, em um momento em que a ajuda financeira militar dos EUA à Ucrânia estava sus­pensa. O processo de impeach­ment de Trump foi aberto pela presidente da Câmara, Nancy Pelosi, no fim de setembro e tem como ponto central a suposta tentativa do presidente ameri­cano de usar sua influência com outra nação para prejudicar um opositor político. Taylor serviu a governos demo­cratas e republicanos desde a presidência de Ronald Reagan. Ele estava aposentado quan­do foi convidado a assumir a Embaixada dos EUA em Kiev, na Ucrânia – um cargo que ocupou de 2006 a 2009. No fim de ou­tubro, ele prestou depoimento a portas fechadas aos deputados quando, segundo a transcrição do encontro, disse que o advogado de Trump, Rudy Giuliani, estava pressionando a Ucrânia a fazer uma intervenção na política do­méstica dos EUA. Ele confirmou, na ocasião, que o apoio dos EUA à Ucrânia estava condicionado ao andamento de investigações sobre o filho de Biden. A sessão desta quarta-feira marca o início de uma nova estratégia dos democratas. Com a transmissão ao vivo das audiências públicas, o impeach­ment ganha nova dimensão e a oposição tenta conquistar apoio na base eleitoral e eleitores independentes para dar força ao processo de impeachment. Até o momento, o partido tem consciência de que, ainda que o impeachment seja aprovado pela Câmara, a remoção de Trump acabaria rejeitada pelo Senado, de maioria republicana. Enquanto a sessão acontecia, Trump usou o Twitter para criticar os democratas. Em um vídeo publicado na conta da Casa Branca – e repostado pelo presidente em sua conta pessoal –, ele afirma que os democratas estão tentando atingi-lo. “Eles estão tentando me parar, porque eu estou lutando por vocês. E eu nunca deixarei isso acontecer”, afirmou o presidente. Trump irá conceder um pronunciamento à imprensa à tarde, após receber na Casa Branca o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.