GOVERNO DE SÃO PAULO

O governador tucano João Doria garantiu ao prefeito Du­arte Nogueira Júnior (PSDB), nesta quarta-feira, 13 de feverei­ro, que Ribeirão Preto terá uma unidade do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), da Polícia Militar, além de uma extensão do Departamento de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil. No entanto, o reforço no policia­mento do município só deve ser efetivado em 2020.

Duarte Nogueira entrou em contato com o governador na ma­nhã desta quarta-feira para obter informações, já que Doria havia dito, em entrevista à Rede Globo um dia depois do segundo turno das eleições, em outubro do ano passado, que Ribeirão Preto seria uma das duas primeiras cidades a receber o Baep – a outra seria Taubaté. No entanto, na sexta-feira (8), ele anunciou que os primeiros batalhões serão ins­talados na capital, São Bernardo do Campo (ABC Paulista), Pre­sidente Prudente e São José do Rio Preto, no interior, e deverão entrar em funcionamento na primeira quinzena de abril.

Nogueira informa que, de acordo com Doria, Ribeirão Preto é prioridade para receber o Baep e o Deic. O governador esclareceu que, ainda no primeiro semestre deste ano, anunciará a data e local em que serão instaladas as unida­des na cidade. Também comuni­cará as operações e armamentos que serão utilizados, assim como a quantidade de profissionais que ocuparão as instituições. Mas o reforço só deve ocorrer no ano que vem, pois os trâmites para elaboração dos projetos, abertura dos processos licitatórios, apresen­tação de recursos e homologação do certame devem durar ao me­nos três meses.

Na sessão da última terça-fei­ra (12), a Câmara de Vereadores aprovou uma moção de repú­dio ao governador por causa da promessa não cumprida. Doria assinou o decreto de criação de mais quatro Baeps no Estado, mas deixou Ribeirão Preto fora da lis­ta, descumprindo uma promessa que havia feito um dia depois de ser eleito. A Mesa Diretora da Câ­mara unificou dois requerimen­tos, de autoria do presidente da Casa de Leis, Lincoln Fernandes (PDT) e de Alessandro Maraca (MDB), em um só documento as­sinado por 26 vereadores – apenas Maurício Gasparini (PSDB) não endossou a moção.

O tucano disse que, por tele­fone, também havia conversado com o governador e ele prometeu que a cidade terá um batalhão. A moção de repúdio também será encaminhada ao secretário de Se­gurança Pública do Estado, gene­ral João Camilo Pires de Campos. A Câmara também vai nomear uma comissão que irá a São Pau­lo conversar com Doria e com o titular da SSP-SP.

Entenda o caso
Em 29 de outubro, um dia depois do segundo turno das elei­ções, o então governador eleito João Doria concedeu entrevista à Rede Globo de Televisão e garan­tiu que os dois primeiros Baeps de sua gestão seriam instalados em Ribeirão Preto e Taubaté. O anúncio ocorreu em meio ao caos que os ribeirão-pretanos viviam após mais um ataque à empresa de transportes e guarda de valores, a Brinks.

O tucano, na época, também prometeu para Ribeirão Preto uma unidade do Deic. As unida­des ribeirão-pretanas seriam ins­taladas com prioridade porque, segundo Doria, os ataques com bombas na cidade, principalmen­te a empresas e carros-fortes que transportam valores, “são recor­rentes”. “Ribeirão Preto será uma delas porque o problema, infeliz­mente, é recorrente. Taubaté será a segunda. A terceira nós estamos decidindo. Serão três batalhões especiais, cada um com 300 poli­ciais militares – é a Força Tática e a Rota, é a elite da elite”, declarou.

Questionado sobre o prazo para a instalação dos Baeps em Ribeirão Preto e Taubaté, Doria informou que isso ocorreria “no mais curto espaço de tempo pos­sível”. “Vamos preparar a tropa fi­sicamente para colocá-la e locá-la exatamente onde ela deverá estar. Mas não será apenas a Polícia Militar, Ribeirão Preto terá tam­bém o Deic “, emendou. Desde sexta-feira, quando o governador anunciou a instalação de quatro Baeps no Estado, a reportagem do Tribuna busca explicações junto à Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-SP), mas ainda não obteve retorno.

Os Baeps foram criados para combater o crime de maneira mais ostensiva no Estado. Nas unidades especializadas, as equi­pes atuam de forma semelhante aos padrões do policiamento de choque. Atualmente, há cinco Baeps distribuídos em Campi­nas, Santos, São José dos Cam­pos, zona Leste da capital e Ba­rueri. Juntas, essas unidades, em 2018, foram responsáveis pela prisão e apreensão de 3.856 cri­minosos, pela recuperação 371 veículos e por tirar das ruas mais de 3,3 toneladas de drogas e 516 armas de fogo ilegais.

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