ALFREDO RISK

Aos 82 anos de idade, o médico pediatra José Victor Nonino, continua com a roti­na de início de carreira. Todos os dias atende crianças em seu consultório. Só descansa aos finais de semana. Não tira fé­rias, considera desnecessário. Atendeu milhares de pacientes, muitos as três gerações de uma mesma família.

Dr. Nonino, como é co­nhecido na cidade, nasceu em Sales Oliveira. Estudou em Batatais e depois em Orlândia, antes de vir para Ribeirão Pre­to.

“Tínhamos uma vida difícil. Meu pai era guarda livros e tra­balhava num comércio. Nunca passamos necessidades, mas era tudo muito contado”, lem­bra. “Ele dizia que tínhamos que estudar em uma faculdade pública, porque não tinha con­dições de pagar. Estudamos muito”, conta.

Sempre quis ser médico. Conseguiu realizar o desejo do pai e o próprio. Passou na Fa­culdade de Medicina da USP – Universidade de São Paulo em 1956 e formou-se em 1961. “Fui o 15º colocado”, diz, mos­trando a relação de aprovados.

No final do curso tinha uma grande dúvida: ser pedia­tra ou obstetra. Optou pela pri­meira. E foi o amor e dedica­ção à pediatria que mudaram não só a sua vida como a da própria cidade.


Dr. Nonino foi o responsável pela implantação do serviço de pediatria no Hospital Beneficên­cia Portuguesa. Aliás, a história do hospital é muito atrelada à dele. Foi diretor da entidade.

Não só ocupou a direção da Beneficência, mas de ou­tros importantes órgãos, como Hospital São Lucas, Sassom – Serviço de Assistência e Se­guro Social dos Municipiários, Unimed e outros (ver quadro). Também foi secretário munici­pal nas pastas Educação, Saúde e Bem Estar Social.

Desde recém-formado foi contratado e trabalho na Prefeitura. Diz que apesar de tantos cargos administrativos, nunca deixou de ir à clinica para atendimento.

“Não era fácil. Me consu­mia muito, mas sempre arru­mei uma maneira de vir para a clínica”, conta. Faz a atividade rotineiramente. Atende todos os dias úteis pela manhã e tar­de. “Não gosto de feriado, pa­rece que fica faltando alguma coisa. Gosto de trabalhar”.

Boas histórias
Todos os anos clinicando ren­deram boas histórias. A maioria envolvendo pacientes da mesma família e várias gerações.

“Uma vez uma mulher, de aproximadamente 40 anos chegou aqui e disse que o meu pai tinha lhe atendido quando criança. Que lembrava do con­sultório. Eu disse, não foi meu pai, fui eu”.
Em outra ocasião lembra de uma senhora chorando que foi levar a neta. “Ela me abraçou e agradeceu por eu ter cuidado dela, da filha e agora da neta. Es­sas coisas são boas lembranças”.

Cuidou de dezenas de mi­lhares de pessoas. “Não tenho os documentos. No vendaval de 94, meus fichários perde­ram-se na água. Mas tenho muitas pastas em casa ainda”. Seu público foi de crianças ri­cas e pobres. Viu nascer autori­dades da cidade e cuidou delas quando crianças. “Da mesma maneira que atendia na prefei­tura ou na clínica”, diz ao men­cionar que não tinha distinção por conta de classe social. Todo o trabalho proporcionou, além do reconhecimento profissio­nal, outros, como ser declarado cidadão ribeirão-pretano quan­do completou 80 anos de idade.

Não pensa em parar de trabalhar. Gosta da rotina e de descansar aos finais de sema­na em um sítio que possui na cidade natal “Mas eu percebo no sítio minha involução. An­tes subia nas árvores, no cava­lo. Ainda subo no cavalo, mas com dificuldades. Um dia um funcionário perguntou se eu precisava de uma escadinha. Disse que quando precisar, não ando mais”, brinca.

Também comenta a saúde. “Fui fazer um exame de co­ração e me disseram que pra minha idade eu estou bem. Depois fiz outro e me disse­ram a mesma coisa. Então eu digo, pra minha idade eu estou bem”, finaliza com um sorriso.

Dr. José Victor Nonino Atividades profissionais:
Médico contratado pela Prefeitura de Ribeirão Preto em 01/11/1963; Médico efetivo pela Prefeitura de Ribeirão Preto-SP em 1968; Médico Chefe do Serviço de Assistência e Seguro Social dos Municipiários – SASSOM de 30/12/1965 a 01/08/1969. Presidente do SASSOM de 01/08/1969 a 12/08/1974. Membro Eletivo do Corpo Clínico do Hospital Beneficência de 1963 a 2012; Diretor Técnico e Superintendente do SASSOM de 12/08/1974 a 01/02/1977; Secretário Municipal da Educação, Saúde e Bem Estar Social de Ribeirão Preto, entre 01/02/1977 e 01/09/1979; Diretor Presidente do Hospital São Lucas no período de 16/12/1971 a 01/06/1980. Diretor Clínico do Hospital Beneficência no período de 28/9/1980 a 31/01/1983; Presidente da Associação dos Médicos do Hospital Beneficência de 1985 a 1986; Membro Efetivo do Conselho Fiscal da UNIMED em 1972, 1975 e 1976; Membro do Conselho de Administração e da diretoria Executiva da UNIMED de 1981 a 1995; Superintendente da UNIMED de março de 1991 a março de 1995; Direto Técnico e Chefe de Serviço Médico do SASSOM, de 1986 até 1993; Chefe do Serviço de Pediatria do Hospital Beneficência de 1968 a 2003; Diretor Superintendente do SASSOM de janeiro de 1997 a fevereiro de 1999; Diretor Técnico do Hospital Beneficência de 2002 a 2012; Membro Fundador da Associação dos Municipiários Aposentados de Ribeirão Preto – AMAP e presidente da entidade por 6 anos.

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