Edith Piaf e Brecht no Municipal

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FERNANDO ALVES PINTO

O espetáculo “A vida em ver­melho – Brecht e Piaf” estará em cartaz no Teatro Municipal de Ribeirão Preto nesta terça-feira, 16 de julho, e na quarta-feira (17), sempre às 20h30. Escrita por Aimar Labaki, a peça mu­sical imagina um encontro en­tre dois dos maiores ícones cul­turais do século XX: a cantora francesa Edith Piaf (1915-1963) e o poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956), en­cenados por Letícia Sabatella e Fernando Alves Pinto.

O espectador verá uma coletâ­nea das principais canções de dois grandes artistas do século 20 que possuem realidades e ideologias opostas. A peça acontece a partir de um encontro hipotético, na sala de ensaios, onde eles falam sobre suas vidas, obras, anseios, angústias, medos, sonhos e rea­lizações. O que começa como a tentativa de montar uma peça termina em um tsunami de sen­sações e pensamentos.

Acompanhados por três mú­sicos, eles executam suas compo­sições e outras músicas famosas de sua época como se estivessem em uma competição. Os artistas discorrem sobre suas vidas, seus anseios e sonhos enquanto se pre­param para apresentar um espetá­culo num antigo cabaré. Os atores mergulham no universo do clown para fazer um embate entre Edith e Bertold. Piaf e Brecht nunca se encontraram na vida real.

Ela sentiu na própria pele a miséria ao longo de sua infância, conheceu as dores do amor, tor­nou-se uma das cantoras mais amadas da França, viveu intensa­mente e encontrou a solidão no fim – poderia ser uma persona­gem do teatro de brechtiano. Ele conceituou a tragédia do homem, revolucionou o teatro mundial e lançou um olhar profundo para as relações humanas no sistema ca­pitalista, a mesma sociedade que a consumiu.

Em cena, o cancioneiro de Brecht (“Balada de Mackie Mes­ser”, da “Ópera dos Três Vin­téns”) e da cantora francesa (“Pa­dam, Padam”, “Milord”), num palco que mescla referências ao cabaré. Com muito bom humor, a dupla propõe uma espécie de competição musical. “Eles ten­tam defender o personagem de que gostam mais e acabam mos­trando um contraponto entre o racional de Brecht e o emocio­nal de Piaf. O repertório deles é muito formador”, diz Sabatella.

“Bertold Brecht é infinito. Quantas coisas que ele fez, que provocou de mudança na cultura mundial”, conta Fernando Alves Pinto. Os três músicos que acom­panham os atores são Giba Favery (bateria e percussão), Demian Pinto (piano) e Zéli Silva (con­trabaixo acústico). A direção é de Bruno Perillo. Os ingressos estão à venda online (www.sescsp.org.br) e no Sesc Ribeirão Preto.

Custam R$ 30 (inteira), R$ 15 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, portador de necessidades especiais, estudante e servidor da escola pública com comprovante) e R$ 9 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo cre­denciados no Sesc e dependentes – credencial plena).

O Teatro Municipal de Ri­beirão Preto fica na praça Alto do São Bento s/nº, Jardim Mos­teiro, e tem capacidade para receber 515 pessoas – o esta­cionamento tem 40 vagas. Mais informações pelos telefones (16) 3625-6841. O espetáculo não é recomendado para menores de 14 anos devido ao horário.