Eficácia geral da CoronaVac é de 50,4%

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GOVERNO DE SÃO PAULO

A vacina CoronaVac, de­senvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac Life Science e produzida no Brasil pelo Insti­tuto Butantan, obteve 50,4% de eficácia global no estudo clíni­co desenvolvido no Brasil, além de proteção de 78% em casos leves e 100% contra casos mo­derados e graves de covid-19.

Todos os índices são supe­riores ao patamar de 50% exigi­do pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Os resultados foram submetidos a um comi­tê internacional independente e já estão com a Agência Na­cional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que analisa o pedido de uso emergencial do imuni­zante no Brasil.

A pesquisa envolveu 16 centros de pesquisa científica em sete estados e o Distrito Fe­deral, entre eles o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e o Hospital do Amor, de Barretos. O teste duplo cego, com apli­cação da vacina em 50% dos voluntários e de placebo nos demais, envolveu 12,5 mil pro­fissionais de saúde.

“É uma excelente vacina esperando para ser usada em um país onde morrem, no momento, em torno de mil pessoas por dia. Esperamos que as autoridades entendam o momento e ajudem nossa população a receber as vacinas o mais rapidamente possível”, afirma o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.

“Os dados são extrema­mente importantes no impacto da saúde pública, impedindo que as pessoas adoeçam de forma grave e sobrecarreguem hospitais. É a possibilidade de impedirmos que as pessoas morram”, diz o secretário de Estado da Saúde, Jean Gorin­chteyn. “Temos uma vacina que foi testada na vida real, no meio de uma pandemia e na­queles que eram mais expos­tos”, acrescenta.

O estudo verificou que a menor taxa foi registrada em casos de infecções muito leves, considerados score 2 e verifi­cados em pacientes que rece­beram placebo. De uma amos­tragem de 9,2 mil participantes, 85 dos casos muito leves foram de pessoas que receberam va­cina, e 167 em voluntários que tomaram placebo.

Já o resultado de eficácia dos casos leves, classificado como score 3, em pacientes que precisaram receber algu­ma assistência, foi de 77,96%, sendo que sete pessoas ha­viam recebido a vacina, e ou­tras 31, placebo. Para os casos moderados e graves que ne­cessitaram de hospitalização, a eficácia foi de 100%.

Nenhum paciente infecta­do que recebeu a vacina do Bu­tantan precisou de internação. Entre os que tomaram placebo, houve sete pacientes que preci­saram de internação. Todos os voluntários são profissionais de saúde, com risco muito alto e contínuo de exposição ao coronavírus. Eles receberam duas doses da vacina, com in­tervalos de duas semanas entre cada aplicação.

A pesquisa também de­monstrou que o imunizan­te é extremamente seguro – nenhuma reação adversa grave foi registrada entre os participantes. A vacina é de­senvolvida pelo Butantan há pouco mais de seis meses, em parceria internacional com a biofarmacêutica Sinovac Bio­tech, sediada em Pequim.

O produto é baseado na inativação do vírus Sars-CoV-2 para induzir o sistema imuno­lógico humano a reagir contra o agente causador da covid-19. A tecnologia é similar à de ou­tras vacinas amplamente pro­duzidas pelo instituto de São Paulo. Em novembro, a revista científica Lancet, uma das mais importantes no mundo, publi­cou os resultados de segurança da vacina do Butantan nas fases 1 e 2, realizados na China, com 744 voluntários.

A publicação mostrou que o produto é seguro e capaz de produzir resposta imune em 97% dos casos em até 28 dias após a aplicação. O Butantan já dispõe de 10,8 milhões de doses da vacina em solo bra­sileiro. No final de março, a carga total de imunizantes disponibilizados pelo institu­to é estimada em 46 milhões de doses. O Plano Estadual de Imunização tem início previs­to para o próximo dia 25.

A expectativa do Estado é que nove milhões de pessoas sejam imunizadas nesta fase, com a aplicação de 18 mi­lhões de doses da CoronaVac, até 28 de março. A partir do dia 25 serão imunizados pro­fissionais de saúde, indígenas e quilombolas. A segunda dose será aplicada em 15 de fevereiro. Em 8 de fevereiro será a vez de idosos com 75 anos ou mais (segunda dose em 1º de março).

Na semana seguinte, a partir do dia 15 de fevereiro, será a vez dos idosos entre 70 a 74 anos (segunda aplicação em 8 de março). No dia 22 de fevereiro, receberá a imuni­zação a faixa etária de 65 a 69 anos (16 de março a segun­da). Por fim, no dia 1º março, serão vacinados os indivídu­os de 60 a 64 anos (segunda dose em 22 de março).

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