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Botafogo completa 6 anos como clube-empresa 

Inicialmente S/A e agora SAF, Pantera briga para se consolidar no cenário nacional 

Ápice da gestão foi em 2022, com acesso à Série B (Raul Ramos)

Por Hugo Luque 

Na noite de 14 de maio de 2018, conselheiros do Botafogo FC deixaram a assembleia geral realizada no estádio Santa Cruz com um novo estatuto aprovado por unanimidade. O Pantera se tornava uma Sociedade Anônima (S/A). Ex-diretor de futebol do São Paulo, Adalberto Baptista e sua empresa, a Trexx Holding, assumiram 40% do clube. O estatuto previu que se formasse um conselho administrativo com sete membros: dois indicados pela Trexx, dois independentes e três do Botafogo Futebol Clube. 

Dentro de campo, a expectativa era alta. Em 2018, o Tricolor de Léo Condé havia começado a temporada desacreditado. Contudo, a ida às quartas do Paulistão mudou o cenário. Na Série C, a primeira fase foi excelente. Líder do Grupo B, o time chegou às quartas e perdeu a ida para o Botafogo-PB, mas conseguiu devolver na volta com gol histórico, no último lance, de Caio Dantas. Nos pênaltis, a equipe paulista conquistou o acesso. 

2019 

A temporada seguinte marcou o retorno à Série B após 16 anos e teve muita instabilidade. No estadual, a má campanha resultou na saída de Condé. Com Roberto Cavalo, a chance de queda foi embora com uma goleada por 4 a 0 sobre o Santos, numa noite chuvosa em Ribeirão. 

O aguaceiro parecia ter levado embora a má fase. Logo no primeiro “stint” da corrida pelo acesso à elite nacional, a vice-liderança empolgou a torcida. Porém, a pausa da Copa América atrapalhou. Ainda no G-4, Cavalo foi mandado embora. Com Hemerson Maria no comando, a equipe deixou de vez a zona de classificação e terminou na nona posição. 

O primeiro ano completo sob comando da S/A foi conturbado. Se na estrutura o clube evoluiu, com direito à construção de uma arena multiuso, na política houve discórdia. Conselheiros acusaram o então presidente do BFC, Gerson Engracia Garcia, de falta de transparência no contrato com a Trexx. A confusão gerou até mesmo trocas no cargo e uma ação de conselheiros para encerrar a S/A tricolor. 

2020 

Dentro de campo, a temporada de 2020 também foi influenciada pelas turbulências nos bastidores. Logo no início do Paulistão, o mundo parou por conta da pandemia. Da mesma forma, os investimentos da S/A esfriaram, o que deixou o racha interno ainda mais evidente. 

No retorno às atividades, o Botafogo reagiu e escapou da degola. Conseguiu, ainda, ir à semifinal do Troféu do Interior. Entretanto, o pior estava por vir na Série B. O time, montado às pressas no começo do ano, recebeu reforços, mas pouco fez. Apesar da confiança da diretoria em Claudinei Oliveira, reforçada por uma renovação contratual, o técnico pediu demissão e a queda para a Série C veio no início de 2021. 

Como no ano anterior, mais uma ação foi protocolada na Justiça pedindo a paralisação da S/A. Para piorar, o então presidente do BFC, Osvaldo Festucci, teve um áudio vazado no qual criticava Baptista, que teve seus planos de usar a arena para shows atrapalhados pela pandemia. 

2021 

A missão era clara: voltar à Série B. Para isso, a cúpula botafoguense reformulou o departamento de futebol. Com o projeto de comandar a profissionalizar a diretoria, Paulo Pelaipe foi anunciado, o que não impediu a instabilidade no banco de reservas: foram cinco técnicos no ano. Para montar o elenco, o clube apostou em atletas experientes, como Victor Ramos e Rafael Marques. No estadual, casos de covid, um elenco que não emplacou e até mesmo uma goleada sofrida contra a Ferroviária trouxeram Argel Fuchs para impedir o rebaixamento. Missão concluída. 

Para a Série C, nem mesmo algumas apostas e mais um veterano, o atacante Walter, foram capazes de conquistar uma vaga à fase seguinte. Assim, o foco passou à Copa Paulista, que acontecia paralelamente. Com Samuel Dias no comando, o Pantera foi à final, garantiu vaga na Copa do Brasil e abriu vantagem na ida, sobre o São Bernardo, por 2 a 0, para garantir o troféu. Mas não era o ano dos ribeirão-pretanos. Na volta, o adversário reagiu e venceu nos pênaltis. 

2022 

Novo ano, nova estratégia. Para a volta definitiva do público aos estádios depois da pandemia, a S/A escolheu o jovem Leandro Zago para comandar a equipe, com discurso de respaldo e projeto a longo prazo. Deu certo. Logo no estadual, a briga contra o rebaixamento não se repetiu e o time ficou a um ponto do mata-mata. 

Vice-campeão do Troféu do Interior, o Botafogo partiu para a Série C de olho no acesso, mesmo com a queda precoce Copa do Brasil. Contudo, foi necessário trocar Zago por Paulo Baier para que isso acontecesse. O acesso só veio na última rodada da segunda fase, com vitória por 2 a 1 sobre o Volta Redonda, fora de casa. 

O bom ano em campo foi refletido fora dele: o BFC e a agora Sociedade Anônima do Futebol (SAF) finalmente tiveram um ano quase pacífico, apesar da renúncia de Alfredo Cristóvão ao cargo de presidente do Botafogo. 

2023 

Com a expectativa de ter um investimento ainda maior da nova SAF, a torcida sonhava com mais um acesso. Porém, como em 2021, foram muitos técnicos e pouco futebol. No Paulista, uma orgulhosa ida às quartas de final, mas ficou por isso. Na Copa do Brasil, o maior motivo de empolgação da temporada veio com duas classificações e a queda na terceira fase, diante do Santos. 

Na volta à Série B, a campanha de meio de tabela não deu grandes expectativas de subir e nem trouxe de volta o fantasma do Z-4. Os pontos positivos foram a arrecadação de R$ 40 milhões e Guilherme Madruga, que levou o Prêmio Puskás. O negativo foi o ataque, pior nas duas primeiras divisões do Brasileiro. 

Atualmente 

Ainda sem alcançar o objetivo máximo de voltar à Série A do nacional, o Botafogo tem um novo projeto com o português Paulo Gomes no comando. Sem brigar contra o rebaixamento no Paulistão, o time tenta evoluir na Série B e lutar pelo G-4, além de sonhar alto na Copa do Brasil. 

Fora de campo, o sexto ano como empresa voltou a esquentar. Além das saídas de Pelaipe e do gerente de futebol Paulo Dimas, supridas com a contratação do executivo Juliano Camargo, o BFC voltou a colidir com a SAF e acusa a gestão empresarial de não fazer repasses combinados para a quitação do Ato Trabalhista. 

Independente do que acontecer dentro de campo e se o Botafogo cumprir ou não o objetivo de chegar à elite em 2025, traçado no ano passado, o conflito entre interno parece longe de acabar, mesmo seis anos depois. 

 

 

 

 

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