ALFREDO RISK/ARQUIVO

A JAV Engenharia, em­presa responsável pela refor­ma do Teatro de Arena Jaime Zeiger, no Parque Municipal Morro do São Bento, no Jar­dim Mosteiro, suspendeu as obras e a conclusão da in­tervenção não tem mais data definida. Segundo cláusula contratual, o prazo para en­trega do equipamento termi­na neste sábado, 15 de maio.

Porém, a construtora exige que o valor previsto em contra­to seja reajustado por causa do aumento de preços dos mate­riais, principalmente da parte elétrica. Mesmo após a con­clusão da reforma, a reinaugu­ração ainda deve demorar um pouco para ocorrer. A realiza­ção de espetáculos e eventos e a presença de público depen­dem de como será a evolução da pandemia de coronavírus e a vacinação contra a covid-19.

As obras estão sendo rea­lizadas pela JAV Engenharia desde o final de agosto do ano passado. O valor do contrato é de R$ 676.388,82, economia de 15% em relação aos R$ 795.909,91 previstos em edi­tal, desconto de R$ 119.521,09. Segundo a Secretaria Muni­cipal de Cultura e Turismo, a ordem de serviço foi expedida pelo prefeito Duarte Nogueira (PSDB) na primeira quinzena de agosto do ano passado.

Por meio de nota enviada ao Tribuna, a Coordenado­ria de Comunicação Social (CCS) informa que “no final do mês de abril a empresa so­licitou reequilíbrio econômi­co do contrato, alegando sig­nificativo aumento de preços de materiais (principalmente elétricos), porém, o pedido não foi aceito por estar em desacordo com a legislação pertinente e desde então a execução da obra foi suspen­sa pela empresa”.

Diz ainda que a Secretaria Municipal de Cultura e Tu­rismo “já notificou a empresa das implicações contratuais, caso não retome a reforma, estando no prazo regular de manifestação da contratada. A construtora também foi notificada da necessidade de prorrogação do contrato. Diante da situação, não há previsão de conclusão da re­forma”, ressalta.

A reforma prevê obras de revitalização e modernização do espaço cultural, que nos últimos anos foi alvo de depre­dação e furtos. A verba foi soli­citada ao MTur pelo deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP) junto ao MTur. Os recursos es­tão sendo aplicados na recupe­ração e na reposição da fiação elétrica e dos equipamentos hidráulicos, na substituição e na renovação do elevador para atendimento da acessibilidade, sistema de câmera de circuito fechado para monitoramento e segurança, revitalização e mo­dernização do espaço.

Alvo de uma reforma de R$ 1,3 milhão entre 2012 e 2013, o Teatro de Arena foi vítima de inúmeros furtos de fiação elétrica e acabou interditado em agosto de 2016. Nesse pe­ríodo, até o elevador destinado para pessoas com necessidades especiais foi furtado. Vândalos também levaram torneiras, maçanetas, mobiliário, peças de louça e até o painel de con­trole da energia elétrica.

Depois da reforma, o local foi reformado e aberto ao pú­blico em 2014, quando contou com 27 apresentações diversas. O mesmo aconteceu no ano posterior, em 2015, quando foi fechado. Em 2019, mesmo fechado, o Teatro de Arena foi palco da Seletiva de Bandas do Festival João Rock, simpósio da música eletrônica, shows de hip hop no aniversário de Ri­beirão Preto e ensaios do gru­po Maracatu Chapéu de Sol.

História do Teatro de Arena Jaime Zeiger
O Teatro de Arena Jaime Zeiger completou 50 anos em 2019. Foi inaugurado em 1969, idealizado e construído por Jaime Zeiger numa meia-encosta, em uma área de aproximadamente seis mil metros quadrados. Zeiger realizou pesqui­sas em vários países da Europa e Oriente Médio para a escolha do local ideal: topografia que favorece­ria a qualidade acústica do teatro.

Foi o primeiro teatro de arena construído no interior do Estado de São Paulo. A peça “Antígo­na” (de Sófacles) foi o primeiro espetáculo teatral apresentado no espaço cultural. Em 1980, o local ganhou o nome de seu idealiza­dor, Jaime Zeiger. Em 1986, 17 anos depois da abertura, passou pela primeira grande reforma. O espaço foi reinaugurado um ano depois, em 1987, com show de Jorge Mautner e Nelson Jacobina.

Também já passaram pelo palco do Arena nomes como Gilberto Gil, Vinicius de Morais, João Gil­berto, Novos Baianos, Cartola e Os Mutantes. O último nome de peso a se apresentar no local foi Paulinho da Viola, em 2015. A arquibanca­da do Arena possui 15 degraus e abriga duas mil pessoas sentadas. Até a reforma em 2013, o palco era cercado por um fosso d’água. Após a intervenção, o local foi preenchido com pedras brancas.