Marcelo Camargo/Agência Brasil

Depois dos recentes e suces­sivos reajustes no preço do óleo diesel, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou nesta quarta-feira, 3 de março, uma nova tabela com preços mínimos de frete rodo­viário. Com isso, os valores dos fretes terão aumentos médios de 6,45%, 7,32%, 7,73% e 8,58%, conforme o tipo de carga, nú­mero de eixos, distância do des­locamento e tipo operação.

Pela legislação, a ANTT tem de reajustar os valores do frete a cada seis meses – em janeiro e julho de cada ano – ou quando a variação do preço do diesel for igual ou superior a 10%. Segun­do a agência, desde o reajuste anterior da tabela, publicado em janeiro, essa variação foi de 16,03%, o que resultou no preço médio praticado na bomba de R$ 4,25 por litro entre 21 e 27 de fevereiro, valor apurado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e usado como referência para atualizar os preços do frete.

A nova tabela está no Diário Oficial da União (DOU) des­ta quarta-feira e deve agradar caminhoneiros mais que a de janeiro, que trouxe reajuste mé­dio apenas de 2,51%, aquém do esperado por uma ala da cate­goria. A tabela do frete foi criada pelo ex-presidente Michel Temer durante a greve dos caminhonei­ros de maio de 2018, que durou onze dias e causou grave crise de desabastecimento no país. O tabe­lamento, criticado pelo setor pro­dutivo, foi uma das reivindicações da categoria atendida por Temer para pôr fim à paralisação.

Também agora, desde o iní­cio do ano, caminhoneiros vêm pressionando o presidente Jair Bolsonaro a atender demandas da categoria sob pena de o país enfrentar uma greve como a de 2018. A pressão já surtiu resulta­dos favoráveis aos motoristas de cargas. Na última segunda-feira, 1º de março, Bolsonaro cumpriu a promessa e zerou o PIS/Cofins incidente sobre o diesel durante dois meses – março e abril.

Na terça-feira (2), o presi­dente disse que esse prazo de dois é apenas o tempo de que o governo precisa para estudar uma forma de zerar os tributos federais sobre o combustível de forma definitiva. Antes, o go­verno já havia zerado a tarifa de importação de pneus, incluiu a categoria no grupo preferen­cial para vacinação contra a co­vid-19 e apoiou publicamente projeto de lei que cria condições especiais para que caminhonei­ros autônomos se inscrevam como microempreendedor idi­vidual (MEI).

Crítico à política de reajustes dos combustíveis da Petrobras, Bolsonaro também fez um aceno à sua base eleitoral de caminho­neiros e decidiu trocar o atual pre­sidente da estatal, Roberto Cas­tello Branco, a quem Bolsonaro criticou até por estar em regime de home office durante a pandemia. Para Bolsonaro, Castello Branco tinha “compromisso zero” com o país. Para substituí-lo, foi in­dicado o general Joaquim Silva e Luna, que ainda precisa ser aprovado pelo Conselho de Ad­ministração da petrolífera.

Depois de 19 de janeiro, data da atualização anterior da tabela do frete, o preço do diesel foi re­ajustado quatro vezes pela Petro­bras. Na segunda-feira, a estatal elevou o preço do combustível em R$ 0,13 por litro, para R$ 2,71, alta de 5%. Com o novo aumento, a alta acumulada no preço do diesel no ano é de 33,9%. Os novos valo­res do frete já estão em vigor.