O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que houve “movimentação in­comum de exonerações e indi­cações nos últimos 30 dias”, ou seja, no fim do governo de Mi­chel Temer (MDB). Lorenzoni fez a declaração após a primeira reunião ministerial do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) nesta quinta-feira (3).

Ele ressaltou o período dos últimos 15 dias, que, “pelo alto volume, causou estranheza, e nós vamos acompanhar”. O mi­nistro não citou números, mas disse que Bolsonaro pediu um relatório a seus ministros “para ver para onde foi esse dinheiro, por que isso foi feito e se tem su­porte para ter sido feito”.

“Assim como também hou­ve uma movimentação inco­mum de recursos destinados a ministérios”, completou. “En­tão, foi solicitado que todos os ministros fizessem a revisão, pasta por pasta, quer de even­tuais nomeações, exonerações ou transferências, e também sobre movimentação financei­ra”, afirmou à imprensa.

Pente-fino
Lorenzoni afirmou que a equipe de Bolsonaro realiza um pente-fino nas últimas ações de Temer. “Este conceito de que nós temos que rever é um concei­to que está perpassando todo o governo até para desaparelhar e permitir que o governo do presi­dente Bolsonaro possa executar suas políticas”, disse.

Em crítica velada à gestão anterior, Lorenzoni disse que Bolsonaro está tendo a “coragem de fazer o que talvez tenha falta­do ao governo que terminou no dia 31 de, logo no início, ir lim­pando a casa”. “Porque é o único jeito de a gente poder tocar com as nossas ideias, com os nossos conceitos e fazer aquilo que a sociedade brasileira decidiu por maioria”, comentou.

Na edição desta quinta do DOU (Diário Oficial da União), o governo apresentou um decre­to com exonerações de funcio­nários comissionados e dos ocu­pantes de cargos em confiança até 31 de dezembro de 2018. A medida, segundo ministro, deu início à “despetização do gover­no”. Cálculos da equipe de Onyx estimam em 320 o número de funcionários que seriam atingi­dos pela medida.