JF PIMENTA

“Com objetivo de aproxi­mar a população dos serviços públicos foram criadas em Ri­beirão Preto três ARs (Admi­nistrações Regionais). Uma funciona nos Campos Elíseos, outra na Vila Tibério e a outra em Bonfim Paulista. Com vá­rios serviços gratuitos, as ARs funcionam como um elo de li­gação (sic) do munícipe com a administração municipal para facilitar o atendimento. O objetivo é descentralizar os serviços para melhor atender ao munícipe”.

Sedes onde funcionavam as Administrações Regionais dos Campos Elíseos e Vila Tibério estão na mesma situação: com as portas fechadas

O texto acima não condiz com a realidade vivida pela população ribeirão-pretana e consta no site oficial da Pre­feitura da cidade. As três ARs estão fechadas, mas o adminis­trador, uma espécie de subpre­feito, continua nomeado acumulando os três cargos e outras funções no município.

O fechamento das três ARs, que na prática seria uma subprefeitura, em locais es­tratégicos, rendeu e rende crí­ticas de moradores, represen­tados pelas suas associações de bairros e vereadores. Os prédios com as portas fecha­das e em estado de abandono estão localizados nos bairros Vila Tibério (rua Gonçalves Dias, 659), Campos Elíseos (rua Flávio Uchôa, 1180) e Bonfim Paulista (rua Barão de Ataliba, 226).

O Tribuna apurou que as duas primeiras estão fecha­das há vários meses e a ter­ceira, no distrito de Bonfim Paulista, teria funcionado até dias atrás, apenas com uma atendente, mas que teria sido fechada para mudança de endereço.

O presidente da Associa­ção de Moradores dos Cam­pos Elíseos, Francisco Lima, diz que a população local tem dificuldade com a falta dos serviços que eram ofereci­dos. “Faz muita falta sim. Tentamos reabrir por todos os canais possíveis, mas o prefeito tirou férias desde que assumiu, pelo menos é o que parece. Não tivemos retorno e as pessoas do bair­ro estão extremamente preju­dicadas”, critica.

Braga: A Administração Regional da Vila Tibério foi praticamente extinta

As mesmas críticas são ouvidas na Vila Tibério. O vi­ce-presidente da Associação de Moradores da Vila Tibé­rio e Adjacências, Fernando Braga, diz que o prefeito fez promessas de campanha. “A Administração Regional da Vila Tibério foi implemen­tada no dia 22 de agosto de 1993 durante o governo de Antônio Palocci Filho. De­pois continuou funcionando nos governos de Luiz Ro­berto Jábali, Antônio Palocci Filho, Gilberto Sidnei Ma­ggioni, Welson Gasparini e Dárcy da Silva Vera, sempre com administrador aten­dendo a população na sede do bairro,” conta. “Prestava serviço de inclusão digital (informática), oferecendo cursos básicos de Windows, Office (texto), internet e pla­nilha eletrônica. Tinha uma biblioteca que disponibili­zava livros para pesquisas e locação para os associados. Funcionava como um peque­no poupatempo municipal: no local havia um posto do Daerp e também era possí­vel se informar sobre débitos e tirar segunda via de boletos de impostos municipais e da CPFL. Ainda era possível so­licitar serviços de tapa-buraco, limpeza de boca de lobo, fisca­lização de terrenos, poda de árvore e solicitação de mudas de árvores”, ressalta Braga.

“No início do governo de Antônio Duarte Noguei­ra Júnior, a Administração Regional da Vila Tibério foi praticamente extinta, com funcionários remanejados, sem sede e com um adminis­trador, que também acumula as administrações de Bonfim e dos Campos Elíseos, au­sente dos problemas da Vila Tibério. Em agosto de 2016, o então candidato Antônio Duarte Nogueira Júnior de­clarou ao Jornal da Vila que ‘talvez seja difícil a criação de subprefeituras, mas a criação de novas adminis­trações regionais e o forta­lecimento das já existentes, para descentralizar os ser­viços e demandas da popu­lação, seja uma alternativa necessária e viável a curto prazo. Foi tudo promessa de campanha”, finaliza Braga.

Em Bonfim, sede da AR está abandonada

Moradores do distrito de Bonfim Paulista também alegam que a AR faz falta. Segundo eles, os principais serviços eram de atendimen­to do Daerp e Infraestrutu­ra. “Aqui funcionava bem. Tinha um posto do Daerp que atendia às necessidades do distrito. Os maquinários ficavam aqui e eram usa­dos diariamente. Hoje, os maquinários tem que vir do outro lado da cidade. É um gasto desnecessário”.

Críticas no parlamento
O vereador Alessandro Maraca é um dos críticos do fechamento das ARs. “Fize­mos vários requerimentos pedindo a reabertura, mas é uma decisão de governo. Não há medidas que forcem a reabertura,” diz. “No início da gestão houve a primeira tentativa de fechamento, mas conseguimos uma mobiliza­ção e o governo não fechou, mas passados alguns meses elas (ARs) foram fechadas em definitivo. Além da falta de serviços, temos problemas de depredação e furtos nos prédios,” diz Maraca.

O vereador Marinho Sampaio, a exemplo do vi­ce-presidente da associação de moradores, critica o fato de o Administrador Regional acumular as três ARs. Sam­paio diz que a centralização dos serviços é contra uma política de atendimento fa­vorável à população. “Sou fa­vorável à descentralização da administração pública, espe­cialmente em um município grande como Ribeirão Preto, com bairros com necessida­des bem diferentes. Sou autor de leis que não estão sendo cumpridas, para criar novas administrações regionais que facilitariam muito o atendi­mento à população. Lamen­to que o atual governo tenha fechado as regionais Campos Elíseos e Vila Tibério. Em Bonfim o atendimento é pre­judicado por falta de estrutu­ra e pessoal, é um retrocesso na gestão municipal”, afirma.

Acúmulo de cargos e funções
Além do fechamento das unidades, outra crítica feita pelos moradores e pelos ve­readores é o fato do Admi­nistrador Regional, Marcus Vinicius Moreira de Carva­lho, ocupar o cargo nas três ARs, além de ser assessor de Gabinete, responsável pelo Serviço de Atendimento ao Munícipe – SAM 156, e ou­tras funções.

O Tribuna apurou que Carvalho exerce 19 funções, algumas com interferência positiva na remuneração. São elas: Conselho Municipal de Moradia Popular; Conselho Curador da FIPASE; Con­selho Municipal de Promo­ção e Integração das Pessoas Portadoras de Deficiência de Ribeirão Preto – COMPPID; Fortec; Conselho Fiscal da Coderp; Conselho Municipal de Política Cultural; Comis­são Controladora do Muni­cípio; Comissão Gestora do Patrimônio Imobiliário do Município de Ribeirão Pre­to; Comissão Coordenadora de Adequação do Texto-Base do Plano Municipal de Edu­cação; Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Ribeirão Preto – CMDCA; Conse­lho Municipal Sobre Álcool e Drogas de Ribeirão Preto – COMAD/RP; Conselho Mu­nicipal de Desenvolvimento e Promoção da Igualdade Ra­cial; Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual; Conselho Municipal dos Di­reitos da Mulher de Ribeirão Preto; Conselho Municipal de Bem-estar Animal; Conselho Municipal de Desenvolvimento e Promoção da Igualdade Racial – Comdepir; Conselho Muni­cipal de Segurança Alimentar e Nutricional – COMSEAN; Conselho Municipal De Urba­nismo – COMUR; e Comissão Gestora Do Planejamento Or­çamentário – COGEPLAN.

Prefeitura não se posiciona

Até o fechamento da edição na quinta-feira passada, o Tribuna tentou obter informações sobre o tema junto à Coordenaria de Co­municação Social da Prefei­tura, mas não obteve retorno. Foi perguntado por que as ARs foram fechadas; se serão reabertas e quando; e sobre o acúmulo de funções do ad­ministrador regional.

Prefeitura manda nota nesta segunda:

Administração Regional de Bonfim Paulista muda de endereço

A Coordenadoria de Comunicação Social da Prefeitura de Ribeirão Preto encaminhou uma nota ao Tribuna referente a matéria publicada na edição de domingo que tratou sobre o fechamento das Administrações Regionais de Campos Elíseos, Vila Tibério e Bonfim Paulista, nesta segunda-feira (15). De acordo com a informação, a unidade de Bonfim Paulista atenderá em novo endereço e as demais estão fechadas.

De acordo com a CCS, a regional de Bonfim Paulista mudou de endereço e foi transferida para na rua Felisberto Almada, 566. Segundo os moradores, o local estava fechado na semana passada e começou a atender nesta segunda-feira (15).

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