ALFREDO RISK/ARQUIVO TRIBUNA

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fe­chou o mês de março com alta de 0,93%, a taxa mais alta para o mês desde 2015, quando alcan­çou 1,32%, e superior ao avanço de 0,86% em fevereiro, informou na manhã desta sexta-feira, 9 de abril, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa acumulada no ano é de 2,05%. Em doze meses, a inflação é de 6,10%, segundo o instituto, ante uma meta cen­tral de 3,75% perseguida pelo Banco Central este ano. A taxa foi a mais acentuada desde de­zembro de 2016, quando esta­va em 6,29%. O IPCA rompeu o teto da meta para este ano, que seria de 5,25%.

“A última vez que o acu­mulado em doze meses ultra­passou o teto da meta foi em novembro de 2016. O teto da meta em 2016 era de 6,5%, e em novembro de 2016 o acu­mulado em doze meses era de 6,99%”, aponta André Almei­da, analista da Coordenação de Índices de Preços do IBGE.

O IPCA fechou o ano pas­sado com avanço de 4,52%, também o maior desde 2016. O resultado ficou acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. Os principais impactos da inflação de março vêm dos aumentos nos preços de com­bustíveis (11,23%) e do gás de botijão (4,98%).

“Foram aplicados sucessi­vos reajustes nos preços da ga­solina e do óleo diesel nas refi­narias entre fevereiro e março e isso acabou impactando os preços de venda para o consu­midor final nas bombas”, diz, em nota, o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

“A gasolina nos postos teve alta de 11,26%, o etanol, de 12,59% e o óleo diesel, de 9,05%. O mesmo aconteceu com o gás, que teve dois re­ajustes nas refinarias nesse período, acumulando alta de 10,46%, e agora o consumidor percebe esse aumento”, explica.

Houve recuos em educa­ção (-0,52%), saúde e cuidados pessoais (-0,02%) e comuni­cação (-0,07%). Na direção oposta, os preços subiram em alimentação e bebidas (0,13%), habitação (0,81%), transportes (3,81%), artigos de residência (0,69%), vestuário (0,29%) e despesas pessoais (0,04%).

INPC
O Índice Nacional de Pre­ços ao Consumidor (INPC) su­biu 0,86%, resultado um pouco acima do de fevereiro (0,82%) e também o maior índice para um mês de março desde 2015, quan­do o INPC variou 1,51%. No ano, o indicador acumula alta de 1,96% e, em doze meses, de 6,94%. Nesse índice, os produ­tos alimentícios subiram 0,07% em março, abaixo do resultado de 0,17% observado no mês an­terior. Os não alimentícios tive­ram alta de 1,11%, enquanto, em fevereiro, haviam registra­do 1,03%.

Sinapi
O Índice Nacional da Cons­trução Civil (Sinapi) registrou inflação de 1,45% em março deste ano, taxa acima da obser­vada em fevereiro (1,33%), e acumula alta de 4,84% no ano e de 14,46% em doze meses. Com isso, o custo médio para se fazer uma obra de constru­ção ou reforma no país chegou a R$ 1.338,35 por metro qua­drado. Em março, o preço dos materiais subiu 2,20% no mês, passando a custar R$ 765,07 por metro quadrado. Já o me­tro quadrado da mão de obra ficou 0,47% mais caro no mês e passou a custar R$ 573,28.