Inflação de outubro fecha o mês em 2,3%

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© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Após a alta de setembro (7,26%), o leite registrou defla­ção de quase 1% em outubro, segundo o Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela Fundação Instituto de Pes­quisas Econômicas a pedido da Associação Paulista de Super­mercados (Apas/Fipe) e aponta, em termos gerais, uma inflação de 2,3% no mês passado.

Outros itens que acompa­nharam o leite na queda men­sal foram a cebola (-7,38%) e abóbora (-4%). Entre os prin­cipais motivos para este cená­rio atual está o dólar alto, que impacta diretamente produtos como óleo e carne por meio do valor da ração dos animais – uma vez que representam entre 70% e 80% do custo de produ­ção dos animais.

“O valor do milho, um dos principais insumos da ração dos animais, atingiu sua maior cotação de 2020 nos últimos dois meses. Isso faz com que os pecuaristas ajustem os preços para conter a perda de margem, impactando, por fim, o consu­midor”, destaca o presidente da Apas, Ronaldo dos Santos.

Em outubro, a carne de aves subiu 9,16% (segundo maior valor mensal para a proteína, perdendo apenas para 2018 durante a greve dos caminho­neiros, quando chegou a 21%). Já nos suínos, o índice foi de 8,44%. Ambas as categorias devem refletir nos cortes sazo­nais, como tender e peru, para o final de ano.

O impacto pode ser confe­rido também na proteína bo­vina, com acréscimo de 5,38%. Entre os cortes que registra­ram inflações estão a picanha (11,16%), patinho (8,67%) e contrafilé (7,16%). O atual ín­dice de preços acumulado do ano é de 10,78% – o maior índi­ce registrado no período foi em 2015 com 11,33% – e a projeção da Apas é que não deve haver deflação nos próximos dois meses de 2020.

Os produtos in natura ti­veram um aumento de 5,73% em outubro. As frutas regis­traram 6,02%, os legumes, 9,86% e os tubérculos, 7,79%. Entre os produtos, os maiores aumentos vieram da berinjela (33,34%), vagem (29,2%), bata­ta (22,57%), mamão (18,91%) e tomate (16,40%). Os motivos envolvem fatores climáticos.

A inflação dos supermerca­dos em outubro está acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indexador oficial no Brasil, que fechou o mês passado em 0,86%. A taxa é superior ao 0,10% do mesmo período do ano passado e ao 0,64% regis­trado em setembro de 2020, se­gundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ainda de acordo com os da­dos do IBGE, este é o maior per­centual do indexador oficial de preços para um mês de outubro desde 2002 (de 1,31%). Com o resultado do mês passado, o IPCA acumula taxas de infla­ção de 2,22% no ano e de 3,92% em doze meses. A inflação no mês passado foi puxada princi­palmente pela alta de preços de 1,93% dos alimentos e bebidas.

A Associação Paulista de Supermercados representa o setor supermercadista no Estado de São Paulo e busca integrar toda a cadeia de abas­tecimento. A entidade tem aproximadamente 1.500 asso­ciados, que somam cerca de quatro mil lojas.

A Regional Ribeirão Preto emprega cerca de 31 mil pes­soas que trabalham em su­permercados nesta região. A Apas possui dez regionais em todo o Estado e mais cinco escritórios distritais na capital paulista. A ribeirão-pretana é composta por 78 cidades e possui 116 associados em toda sua área de cobertura.

O empresário Rodrigo Ca­nesin, do Supermercado Cane­sin, é o atual diretor regional da entidade. Atualmente, o setor conta com mais de 547 mil tra­balhadores. Vale ressaltar que 27,8% do faturamento do seg­mento supermercadista no país vêm de São Paulo e aproxima­damente 1,44% do Produto In­terno Bruto (PIB) brasileiro vem do varejo alimentar paulista.

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