WOLFGANG RATTAY/REUTERS

Pelo menos 67 pessoas morreram na Alemanha e na Bélgica e centenas estavam de­saparecidas nesta quinta-feira, 15 de julho, depois que chuvas recordes na Europa Ocidental fizeram rios transbordarem, varrendo cidades e vilarejos, revirando carros e deixando casas destruídas e pessoas pre­sas nos telhados.

Na Alemanha, autoridades informaram que 1.300 pessoas estão sendo consideradas “não reportadas” no distrito de Bad Neuenahr-Ahrweiler e não é possível saber quantas estão com problemas de comunica­ção e quantas podem ser vítimas ainda não localizadas.

Segundo a agência Asso­ciated Press, foram 58 mortes já confirmadas na Alemanha e nove na Bélgica. O número deve aumentar por causa dos muitos desaparecidos. Dezoito pessoas morreram e dezenas estavam desaparecidas na região viníco­la de Ahrweilwer, no estado de Renânia-Palatinado, informou a polícia, depois de o Rio Ahr, que deságua no Reno, transbordar e atingir seis casas.

Outras 15 pessoas morreram na região alemã de Euskirchen, ao sul da cidade de Bonn, dis­seram as autoridades. Foi soli­citado aos habitantes da região que saíssem de suas casas. Na Bélgica, uma menina de 15 anos está desaparecida desde que foi arrastada pelas águas de um rio que transbordou.

Centenas de soldados e 2.500 trabalhadores de ajuda huma­nitária auxiliam os esforços de resgate da polícia na Alemanha, usando tanques para liberar estradas atingidas por desliza­mentos de terra e árvores caí­das, e helicópteros retiravam pessoas que estavam presas nos telhados de suas casas.

Cerca de 200 mil famílias ficaram sem energia devido às enchentes. Em Ahrweiler, dois carros destruídos ficaram en­costados em ambos os lados do portão de pedra da cidade e os moradores utilizaram pás de neve e vassouras para varrer a lama de suas casas e lojas depois que a enchente baixou.

As enchentes provocaram as maiores perdas de vidas da Alemanha em anos. As de 2002 mataram 21 pessoas no leste da Alemanha e mais de 100 na Europa Central. A chan­celer alemã, Angela Merkel, manifestou seu pesar. “Estou chocada com a catástrofe que muitas pessoas nas áreas inun­dadas têm de enfrentar”, disse.

“Minhas condolências para as famílias dos mortos e desapa­recidos”, emendou. Na Bélgica, cerca de dez casas desmorona­ram em Pepinster depois que o Rio Vesdre inundou a cidade do leste e os moradores foram retirados de mais de mil casas.

A chuva também causou transtornos graves no transpor­te público – os serviços de trem de alta velocidade Thalys, que levam à Alemanha, foram can­celados. A circulação no Rio Meuse também está suspensa, já que a importante rota fluvial belga ameaça transbordar.

Correnteza abaixo, a Ho­landa teve inundações que danificaram muitas moradias em Limburg, uma província do sul onde várias casas de repouso foram esvaziadas. Além das mortes na região de Euskirchen, outras nove pes­soas, incluindo dois bombei­ros, morreram na Renânia do Norte-Vestfália.

Na cidade de Schuld, as casas viraram pilhas de en­tulho e vigas quebradas. As estradas ficaram bloqueadas por destroços e árvores caí­das. “Foi uma catástrofe”, disse o aposentado Edgar Gillessen, de 65 anos de idade, cuja casa da família foi danificada.