Normalmente o próximo ano eleitoral se iniciaria só em janeiro de 2022. Entretanto, fatos diversos ante­cipam a disputa presidencial. Mesmo que a pandemia não acabe, a sua menor intensidade (face à vacinação “conta-gotas”) terá efeitos na economia, na política, no social e nos confrontos entre os que já antecipam suas disposições para competir. Como sempre, quase os mesmos de outros pleitos.

Desta vez há uma investigação no parlamento, mostrando a fragilidade do Executivo que não quis ser gestor da vacinação porque é incompetente e se envol­ve com as práticas não confiáveis da coisa pública. Se a CPI vai terminar em ”pizza” não se sabe, mas que está fazendo estragos não se nega. Parece que se conforma com o “degelo” de Bolsonaro, que perde nas pesquisas e se “desidrata” (linguagem dos políticos) muito mais na popularidade.

Suas reações mudaram, menos agressivo e mais aglu­tinador, medindo o seu potencial. Sem partido (isso é ruim), encosta-se nos do “centrão” (que tanto criticou no início) para garantir no Congresso só 120 votos contra os pedidos de “fora Bolsonaro” (vindo das ruas…), sobrando ainda 393 que afetam o seu humor. Como o Presidente da Câmara está livre de prazo para colocar em votação, não se sente com o futuro de Collor, nem de Dilma (expostos ao escárnio público).

O preferido, Lula, trabalha nos bastidores, vence nas pesquisas e é o possível contendor (entre os anunciados) a ser batido. Vai, aí, uma pergunta: qual o projeto de Brasil que vão nos propor? Ninguém fala nisso (porque não têm, nem interessam ter). O do Bolsonaro deve ser o mesmo de hoje: nenhum (como venceu em 2018). Já o do Lula é aquele velho conhecido: o do sindicalismo de resultados. É a sua origem e deve ser analisado.

Espera-se, sim, que seja para o futuro, nada do que já experimentamos, os resultados todos viram. Deu no que deu ! Convêm repetir? A era do sindicalismo anda em baixa, agravada em 2017 com a reforma trabalhista do Temer. Foi o maior enfraquecimento da Justiça dos trabalhadores (reabrirá?) e dos sindicatos (inclusive os patronais) desde os tempos de Vargas. Fim do antigo modelo. Não se fundam novos sindicatos.

Com o desemprego, foram esvaziados em suas fun­ções (prerrogativas, deixaram de homologar as rescisões contratuais, poucas são as convenções e acordos coleti­vos de trabalho que negociam), perderam espaço, sem associados, nem receitas, cofres vazios, dispensaram seus servidores; os que não lacraram as portas partiram para a busca de sustentação em outras áreas: até vendem seguro para os patrões (caso dos domésticos); reinventam-se como podem, contam os dias e as horas para o velho padrinho voltar (será?): querem ajuda-lo na campanha, para o futuro, tudo do passado.

Desses tempos Bolsonaro perde o sono: rejeita a urna eletrônica, sonha com a votação no papel (cédu­la impressa), nada de modernidade e lança dúvidas, sugere até não haver eleição em 2022. Mas, não foi assim que venceu a de 2018? Parece que dela se esqueceu (ou não interessa enfrentar o Lula neste terreno). Haveria motivo para tanto?

De uma coisa estamos certos: sem mundial, nem Olim­píada no Brasil, em 2021 ainda lembramos 2020, mas foca­mos 2022: as eleições já estão no ar! Dá pra suportar?