NASA/SOPHIA ROBERTS

Daqui a exatos seis meses a humanidade deve presenciar uma das missões espaciais mais ambiciosas até então: o lan­çamento do telescópio James Webb, previsto para 31 de ou­tubro. Considerado como uma das tecnologias mais potentes para investigar o universo pro­fundo, o equipamento vai subs­tituir o Hubble que está no espa­ço há mais de 30 anos.

O telescópio é batizado em homenagem à James Webb (1906-1992), administrador da Nasa entre os anos de 1961 e 1968. Mas, o que este superteles­cópio tem de tão especial assim? Primeiro, o tamanho. Com um espelho de 6,5 metros, vai poder captar informações das primei­ras galáxias que surgiram no universo, além de rastrear estre­las e novos sistemas solares.

Segundo, porque ele deve al­cançar a marca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra, façanha considerada três mil vezes maior do que a do Hubble. Terceiro, porque com todo este aparato aumentam as chances de se in­vestigar a formação e a evolução de um dos objetos astronômicos considerados mais misteriosos: os buracos negros. E é aí que o Brasil entra.

O país não está entre os financiadores do projeto, que são as agências espaciais americana (Nasa), a europeia (ESA) e a do Canadá (CSA). Porém, duas pesquisas brasi­leiras foram selecionadas para observar as imagens captadas pelo Webb, no primeiro ano após o lançamento ao espaço.

Uma delas está no foco da missão do telescópio: saber como se dá o crescimento dos buracos negros super­massivos, localizados no cen­tro de galáxias.

Para isso, é preciso olhar para o passado do Universo, como propõe o astrofísico Ro­derik Overzier, da Coordenação de Astronomia e Astrofísica do Observatório Nacional e equi­pe. Ele contará com 24 horas de observação. O estudo, proposto por Roderik e equipe e que foi aprovado por uma comitiva in­ternacional, investiga os chama­dos rádio-galáxias, que segundo o pesquisador possuem fortes jatos de plasma que emitem on­das de luz rádio.

A partir das observações será possível entender um pouco mais sobre como as galáxias e os buracos negros se formaram. A outra pesquisa foi proposta por cientistas da Universidade Fede­ral de Santa Maria e da Universi­dade Federal do Rio Grande do Sul. Quem lidera os estudos é o professor do departamento de Física da UFSM, Rogemar Riffel.

“Nosso projeto visa ob­servar três galáxias próximas entre 300 e 500 milhões de anos-luz da Terra. Esses ob­jetos possuem em seu centro buracos negros supermassivos e eles estão capturando maté­ria ativamente. À medida que ele captura matéria forma-se um disco de acreção e a par­tir daí originam-se ventos, de centenas e até milhares de qui­lômetros por segundo, percor­rem a galáxia e podem afetar a formação estelar da galáxia’’, diz. Para Rogemar, ter o Brasil aprovado nesta etapa de evo­lução das pesquisas espaciais fala muito sobre a ciência que é feita no país.

“A participação brasileira mostra que a pesquisa em astro­física no Brasil é competitiva e que a ciência daqui é de grande qualidade, além de dar visibi­lidade e credibilidade para as instituições de pequisas e para os profissionais da área.’’ Ainda de acordo com Riffel, além das investigações e dos achados de­correntes do lançamento, toda a tecnologia empregada na cons­trução do James Webb vai nor­tear futuras missões espaciais.

Após vários adiamentos, a expectativa é que o James Webb embarque em um navio nos Estados Unidos rumo à Guiana Francesa de onde será lançado ao espaço em um fo­guete da Agência Espacial Eu­ropeia. Expectativa pelo que virá após as primeiras imagens geradas. Segundo cientistas do mundo todo, algo que pode revolucionar tudo que se sabe até então sobre a formação e a evolução do universo.