Larga Brasa

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Coisas de Juritiquituba
Uma cidade distante, em um estado diferente dos da Fede­ração Brasileira, onde sempre acontecem fatos e coisas que normalmente não ocorrem nas cidades comuns foi palco de uma ocorrência não registrada pela polícia normal dos ho­mens. Juritiquituba, eis o nome da comunidade que enfeixa muita coisa anormal.

Nos Anos de Chumbo
Uma boate das mais finas, o point da época onde os casais marcavam presença para um bate-papo e uma dança para relembrar os velhos tempos. A luz de velas o lusco fusco ofe­recia condições para reavivar velhas e ensejar novas paixões. Estávamos na época chamada de “Anos de Chumbo”, onde o verde se sobrepunha às cores conhecidas e imaginárias.

Músicas e jantar
Um conjunto musical animava os jantares e havia um local para as danças de casais sempre juntos no dois pra lá, dois pra cá, do bolero ou mesmo de sons mais modernos no inicio da época rock e twist. Em dado momento um casal chegou. Já havia marcado a mesa, que era difícil naqueles tempos de sucesso da boate restaurante. O cidadão estava com ter­no impecável e sua esposa linda com vestido moderno e de cores múltiplas de arco-íris. Sentaram-se em local discreto, pediram o prato ao garçom, escolhendo do cardápio um dos mais caros. Ambos estavam bem unidos com conversas ao pé do ouvido no embalo sonoro do conjunto musical. Em dado momento, o marido saiu e foi para o banheiro que es­tava com fila. O dono do chique restaurante se aproximou da esposa que ficou sozinha à mesa discreta e começou a cantá-la. Elogiou seu vestido, jogou charme exaltando sua beleza e assim ficou até o cabeça do casal retornar. Cumpri­mentou-se e as afastou malandramente. A mulher, cujo ca­samento havia sido registrado há muitos anos e tinham uma convivência linda e glamorosa, achegou-se ao marido, homem forte e elegante e contou-lhe, disfarçando para não haver lei­tura labial. Imediatamente o homem levantou-se e pediu a conta, deixando o prato sem terminar. Saiu de cara fechada e ambos pegaram um carro que estava estacionado com moto­rista à porta do estabelecimento.

Surpresa – era o comandante de uma base da aeronáutica
O cidadão que estava com a esposa era comandante de uma base da aeronáutica próxima de Juritiquituba. Através da comunicação da Força Aérea instalada em seu carro, comu­nicou-se com seus comandados e determinou que um cami­nhão da Polícia do Exército fosse para o restaurante dançante e pegasse o dono para uma “conversinha”. Assim foi feito. Pegaram o dono Dom Juan e foram lhe aplicando uma surra de Juritiquituba até a base. Por mais que ele quisesse enten­der, nada lhe foi dito e nem lhe foi perguntado. Foi deixado “quebrado” na rodovia em mata chorando com as dores. Não se sabe por quais razões ele não compareceu à polícia para registrar queixa, tão somente o comandante avisou o Dele­gado de Plantão o que havia ocorrido. Na semana seguinte o comerciante encerrou as atividades de seu comércio e jurou nunca mais conversar com mulher de desconhecido. Muitos ficaram sabendo da história, mas ninguém se atreveu a com­partilhar. Não havia internet, mas a “rádio peão” era poderosa e tinha audiência.

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