ALFREDO RISK

A Câmara de Vereadores pode obrigar a prefeitura de Ribeirão Preto a ampliar a pu­blicidade e a transparência em relação a obras públicas para­lisadas na cidade, os motivos que levaram à estagnação, qual o período da interrupção e a nova data prevista para o tér­mino das intervenções.

De autoria do presidente do Legislativo, Alessandro Maraca (MDB), o projeto de lei estabelece que a prefeitu­ra passe a divulgar, no portal oficial do município, essas in­formações e os dados do ór­gão público, concessionária ou empresa responsável pela obra. Deve ser votado na ses­são desta quinta-feira, 10 de junho. Só saíra da pauta de ficar sem parecer ou receber parecer contrário da Comis­são de Constituição, Justiça de Redação (CCJ).

A proposta considera obra paralisada aquela com mais de 30 dias de interrupção. Atualmente, dois viadutos em construção na Zona Norte da cidade estão com as obras pa­ralisadas porque a Conterso­lo, empresa responsável pelas obras do Programa Ribeirão Mobilidade, ambos na ave­nida Brasil, quer aumentar o valor dos contratos assinados com a prefeitura. Quer adita­mento para finalizar os equi­pamentos viários.

O primeiro viaduto fica no cruzamento da avenida Brasil com a avenida Mogiana e co­meçou a ser construído em no­vembro de 2019. Pelo contrato, a previsão de conclusão era de 14 meses. Portanto, deveria ter sido concluído em janeiro. Atualmente, está com 62% das obras concluídas. Já o segundo viaduto, também na Brasil, está sendo construído sobre a ave­nida Thomaz Alberto Whately.

As obras começaram em abril do ano passado. A pre­visão inicial é que ficassem prontas em 14 meses. Ou seja, em maio. Atualmente, 44% do viaduto estão concluídos. Com nove metros de altura em seu ponto mais alto e 110 metros de extensão, vai beneficiar cerca de 3,2 mil veículos que passam pela avenida Brasil e 2,8 mil que passam pela Tho­maz Alberto Whately nos ho­rários de pico.

A empresa também parali­sou a construção do túnel que vai ligar as avenidas Indepen­dência e Presidente Vargas, passando por baixo da Nove de Julho. Apenas 13% da obra, em um dos cruzamentos mais mo­vimentados de Ribeirão Preto, foram concluídos. Os 180 me­tros do túnel estão sendo escava­dos em um cruzamento que, em horários de pico, atingia um flu­xo de cerca de três mil veículos.

A obra conta com inves­timento de R$ 19.882.700,02 (no processo licitatório foi possível ter uma economia de 22,65% no valor total da obra, que era de R$ 25.706.975,99) e irá beneficiar diariamente entre sete e nove mil passa­geiros do transporte coletivo urbano, além de um fluxo de veículos nos horários de pico de 2,4 mil na avenida Presi­dente Vargas e três mil na avenida Independência.

Enquanto negocia o rea­juste dos contratos com o mu­nicípio, a construtora decidiu paralisar as obras e demitir trabalhadores. No total, foram dispensadas 60 pessoas. Ao Tribuna, a Secretaria Munici­pal de Obras Públicas afirmou que já notificou a empresa para que retome as obras, mas ad­mite, contudo, que os viadutos devem demorar mais tempo para serem terminados.

O reajuste no contrato é previsto na Lei de Licitações (nº 8.666/1993) quando ocor­rer desequilíbrio no contrato por algum motivo externo e de força maior. Em maio, a prefei­tura publicou no Diário Oficial do Município (DOM) a atuali­zação dos preços para constru­ção do viaduto da avenida Bra­sil com a Mogiana. Segundo o extrato de rerratificação do acordo, o preço da obra saltou de R$ 19.870.000,00 para R$ 20.474.113,58, alta de 3,04% e aporte de R$ 604.113,58.

A prefeitura de Ribeirão Preto afirma que o reajuste é referente à atualização anual prevista em contrato, que tem como base a inflação do perí­odo. A administração também realinhou o valor da obra do viaduto da avenida Thomaz Alberto Whately aumentando o valor de R$ 13.284.955,62 para R$ 13.819.843,31, aumen­to de 4,02% e acréscimo de R$ 534.887,69.

De acordo com levanta­mento da Associação Brasilei­ra da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o incremento no preço do aço, de janeiro a dezembro 2020, foi de 108% nos distribuidores e de 85% para quem compra direto da usina produtora. A justificativa para os reajustes é a alta expressiva das maté­rias-primas – minério de ferro (mais de 80% no ano passado), carvão, sucata de aço, valoriza­ção do aço no mercado global, além do câmbio.