Tribuna Ribeirão
DestaqueGeral

Leilão do Hotel Brasil não teve lances

Abandonado há cerca de 30 anos, o imóvel foi tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Conppac) em agosto de 1991 (Foto - Alfredo Risk)

O prédio do antigo Hotel Brasil, localizado na esquina da avenida Jerônimo Gonçalves com a rua General Osório, na região da Baixada, Centro Velho de Ribeirão Preto, foi a leilão pela terceira vez nesta terça-feira, 23 de janeiro. Ninguém deu lances. Foi a terceira tentativa de leiloar o imóvel. As duas primeiras foram realizadas no ano passado e não houve interessados na aquisição do imóvel.

O leilão foi determinado pela Vara da Fazenda Pública e Autarquias Estaduais da Comarca de Juiz de Fora, em Minas Gerais. O objetivo era obter o pagamento de dívidas tributárias do Grupo Maurício Marcondes e da Drogavida Comercial de Drogas Ltda., pertencente ao empresário, falecido em 20 de fevereiro de 2016.

A holding é proprietária do Drogão Super, uma rede farmacêutica composta por mais de 70 drogarias espalhadas por todo interior de São Paulo. Tem unidades em cidades como Franca, Campinas, Araraquara e Santos, além de Ribeirão Preto, e também em outros estados. O Hotel Brasil faz parte de um lote de cinco imóveis do grupo que entrou no leilão desta terça-feira.

O Hotel Brasil lance mínimo era de R$ 4.730.534,18 – inicialmente era de R$ 9.235.540,20, depois caiu para R$ 5.541.324,10.

Abandonado há cerca de 30 anos, o imóvel foi tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Conppac) em agosto de 1991. Atualmente, a estrutura apresenta portas e janelas quebradas, além do teto danificado.

De acordo com advogado Lucas Gabriel Pereira, presidente do Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural, desde a desativação do hotel foram realizadas várias tentativas para a ocupação do espaço. Entretanto, nenhuma delas deu resultado.

A mais recente, segundo ele, aconteceu em 2010, quando a prefeitura de Ribeirão Preto tentou realizar uma permuta com os proprietários e instalar um centro cultural no local. “Aquele que vier a arrematar esse imóvel no leilão terá que seguir todos os requisitos para poder fazer o restauro”, explica o presidente do Conpacc.

História – Construído em 1921, o antigo Hotel Brasil fez parte da história de famílias importantes para Ribeirão Preto. O projeto inicial de construção do imóvel é de Vicente Viccari, com colaboração do engenheiro Antônio Soares Romêo. Com o falecimento de Viccari, o prédio foi passado em herança para sua filha, casada com Pedro Moschini, que permutou o edifício com Pedro Biagi em troca de três imóveis da Vila Amélia e uma chácara.

Ficou conhecido por ter hospedado autoridades políticas e times de futebol como o Boca Juniors e River Plate, da Argentina, e Vasco da Gama, entre os anos 1930 e 1955 – de acordo com informações do Arquivo Histórico Municipal. No final da década de 1980, foi vendido para o empresário Maurício Marcondes de Oliveira.

A holding M. Marcondes é a proprietária e gestora da Drogavida. Segundo o Conppac, o valor do débito do grupo era de R$ 3.691.157.723,99 em setembro de 2022. Segundo o presidente do conselho, a Justiça decretou a indisponibilidade dos bens da holding para garantia dos débitos judiciais da Drogavida.

Defesa – Porém, quando o suposto débito estava na casa dos R$ 5 bilhões, o grupo disse à imprensa que o caso estava sub judice. A holding acionou a Justiça contra o Estado de São Paulo. Segundo o departamento jurídico da empresa leiloeira, os certames só não acontecerão caso o Grupo Maurício Marcondes consiga reverter a decisão na Justiça de Minas Gerais.

 

VEJA TAMBÉM

Ribeirão tem 22 estudantes com altas habilidades

Redação

Empresas fecham as portas por erros evitáveis

Redação

Unidade móvel do Bom Prato em RP

Redação

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com