Porcos em confinamento: fêmeas reproduzem ao extremo antes de serem literalmente descartadas - Foto: Redes Sociais

Várias são as formas de maus tratos a animais e a cada dia entidades e pessoas estão mais atentas e cobram mudanças

Uma das primeiras impressões quando se fala em maus tratos a animais é a ideia de abandono. Esse é um dos conceitos, mas existem outros tipos de crueldade que são realizadas, em muitos casos, por grandes corporações em busca de lucro. A sociedade está atenta e cobra soluções, seja individualmente ou por meio de entidades e ONGs.

O abandono pode ser o mais comum ou visível dos maus tratos, mas há outros como caça ou reprodução indiscriminada, exploração comercial, ausência total ou insuficiência de alimento e água; acorrentamento, golpes e outros tratamentos intimidantes, torturas e os testes de laboratórios (tanto medicinais quanto cosméticos) em que os animais são submetidos a diferentes – e cruéis – procedimentos.

Esses tipos de ações provocam reações. Algumas de combate e outras de mudança de hábitos. A empresária Anne Pereira é um exemplo de quem preferiu optar pela mudança de hábito. “Nunca fui fã de comer carne, mas vendo alguns cativeiros na Europa, me sensibilizei mais. Há dois anos não como carne e não vejo necessidade”, diz. “Não sou radical e de ficar cobrando atitudes de outras pessoas, mas sempre que posso converso com os mais próximos”, completa. Anne também acompanha o trabalho de ONGs e divulga essas ações. Além disso, conta que realiza ações no dia a dia. “São pequenos trabalhos, mas não há como não se sensibilizar. Procuro ajudar e dar exemplo” finaliza.

“Para tudo existe um substituto, uma alternativa. Por exemplo: cães são usados para proteger empresas, casas etc. São os famosos aluguéis de cães. Isso nada mais é do que explorar. Existem sistemas de alarmes com empresas e monitoramento”, exemplifica a protetora de animais e fundadora da ONG Cãociente, Vylna Cassoni.

Ela ressalta que o assunto maus tratos aos animais vem sendo tratado cada vez mais de forma precisa e eficaz. “Mas infelizmente ainda estamos longe de conseguir que a maioria enxergue a questão de forma consciente”, finaliza.

 

De onde vêm o seu alimento?

No Brasil, mais de 95% dos animais terrestres abatidos para consumo são mortos com apenas 40 dias de vida

O brasileiro está cada vez mais preocupado com a procedência dos seus alimentos e a questão do sofrimento animal é uma preocupação de cada vez mais destaque. No ano passado, uma pesquisa da IPSOS encomendada pela MFA – Mercy For Animals, uma das maiores ONGs do mundo focadas na proteção de animais considerados de consumo mostrou que 81% dos entrevistados se preocupam com a ”forma como os animais são tratados na produção de alimentos”. Porcos, galinhas, vacas e peixes representam mais de 99% dos animais que sofrem pelas mãos humanas. A MFA é conhecida pelas suas investigações em fazendas, granjas e abatedouros para expor à sociedade como os alimentos de origem animal são produzidos antes de chegarem aos supermercados.

Segundo Lucas Alvarenga, vice-presidente da MFA no Brasil, no país, mais de 95% dos animais terrestres abatidos para consumo são mortos com apenas 40 dias de vida, enquanto na natureza eles poderiam viver, em média, 15 anos. Nas fazendas industriais, a maior parte dos animais encontram-se sob confinamento intensivo, incapazes de exercer muitos dos comportamentos que lhes seriam naturais.

“Na indústria de ovos, por exemplo, mais de 95% das galinhas vivem confinadas em gaiolas, cada uma em um espaço equivalente a uma folha de papel. Elas não podem esticar suas asas completamente, ciscar, respirar ar puro ou andar no chão. Passam praticamente suas vidas inteiras nessa condição até que são abatidas quando seus ovos rareiam”, revela Lucas.

“Eles (indústria dos ovos) quebram os bicos das galinhas para que elas não escolham alimentos. São alimentadas com hormônios e vivem 24 horas sob a luz, não dormem”, acrescenta a engenheira ambiental Andrea Campaz Bombonato, presidente da ONG Focinhos e idealizadora da VegRibeirão. “Os machos são descartados, morrem sufocados ou moídos, sendo transformados em ração ou nuggets”, salienta.

Bombonato explica outros tipos de maus tratos. “Os porcos são inseminados artificialmente e confinados em celas pouco maiores que os corpos. Dão um passo para frente ou um para trás”. A engenheira destaca ainda que em gaiolas de gestação, as porcas não se movimentam.

Lucas Alvarenga diz que a Mercy For Animals entende que toda exploração animal é inerente a maus tratos. “No Brasil, maus tratos são classificados como crime, mas a definição do termo é qualificada quando há imposição de violência física ou psicológica. Quando impomos aos animais condições e tempo de vida que são diferentes aos que lhes seriam oferecidos na natureza, naturalmente estamos sujeitando animais a – no mínimo – sofrimento psicológico”, finaliza.

Saiba mais

A Mercy For Animals lançou algumas investigações no Brasil expondo situações de extremo sofrimento animal nas indústrias de ovos, porcos e frangos, como podem ser vistas nos seguintes sites:

http://terrordosporcos.com.br/

http://www.infernodosfrangos.com.br/

http://www.infernonaindustriadeovos.com.br/