DIVULGAÇÃO/MSD

A Merck Sharp and Dohme (MSD) informou, em comuni­cado divulgado nesta segunda­-feira, 11 de outubro, que ela e a Ridgeback Biotherapeutics entraram com pedido nos Es­tados Unidos para que seja autorizado o uso emergencial do medicamento molnupi­ravir “para o tratamento de adultos em risco com co­vid-19 leve a moderada”.

A solicitação foi feita à Administração de Comidas e Remédios (FDA, a Anvisa americana) e a empresa diz que realiza um trabalho em várias agências pelo mundo para garantir o uso do remédio nos próximos meses. O pedido é feito a partir de resultados positivos do molnupiravir se­gundo análise parcial de um estudo em andamento, aponta o comunicado.

Nessa análise, o medi­camento reduziu o risco de hospitalização ou morte em aproximadamente 50%. Ante­cipando o aval para seu uso, a Merck diz que já está produ­zindo o medicamento e pre­tende garantir a elaboração do equivalente a dez milhões de tratamentos com ele até o fim deste ano, planejando ainda manter a produção ao longo de 2022.

O que é o medicamento molnupiravir?
É um remédio antiviral que está sendo testado pela far­macêutica Merck, em parce­ria com a empresa Ridgeback Biotherapeutics, como uma das alternativas para tratar a infecção pelo coronavírus.

De que maneira ele vai ser usado para tratar a covid?
O objetivo é realizar o tra­tamento via oral, por meio de pílulas, no início da infecção. “Caso seja autorizado o uso, o molnupiravir poderia ser o primeiro medicamento anti­viral de uso oral contra a co­vid-19”, afirma a Merck, por meio de comunicado No cor­po, a substância age de manei­ra a inibir a replicação do vírus no organismo.

Quais os resultados dos testes?
Foram 775 participantes que tinham sintomas de co­vid-19, por meio de confirma­ção em laboratório. Eles não foram vacinados. A empresa informa que 7,3% dos pacien­tes que fizeram uso do medi­camento foram hospitalizados nos 29 dias seguintes.

Neste período, 14,1% que receberam placebo foram hospitalizados ou vieram a óbito. Oito pessoas que re­ceberam comprimidos sem qualquer fórmula faleceram. Por outro lado, não houve registro de mortes entre os pacientes que receberam a substância testada.

O medicamento é eficaz contra variantes?
As primeiras informações indicam que sim. Isto porque o molnupiravir não tem como objetivo atingir a proteína spi­ke do vírus, ou seja, o que de­fine as diferenças entre varian­tes, se mostrando eficaz, ainda que ocorra uma evolução do vírus, como o sucessivo apa­recimento de variantes no mundo. Para interromper a replicação no organismo, o medicamento foi projetado para produzir erros no códi­go genético do vírus, o que impede a proliferação.

O molnupiravir será vendi­do em farmácias?
Ainda não. Como continua em testes e será submetido às agências reguladoras no mun­do, como informou a empresa, não há previsão de comerciali­zação. As aplicações têm ocor­rido em ambiente controlado com suporte de especialistas.

Há outros remédios para tratar a covid?
A Pfizer está testando um medicamento para tratar a do­ença. O objetivo deste remédio da farmacêutica é prevenir a contaminação pela infecção em indivíduos expostos ao vírus. O estudo leva em con­sideração uma dose baixa de ritnovir, uma droga já usada no tratamento do HIV.

O Brasil já tem remédios aprovados?
Sim, os medicamentos remdesivir, banlanivimabe e etesevimabe (usados em con­junto), casirivimabe e im­devimabe (usados em con­junto), regdanvimabe e o sotrovimabe já foram apro­vados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (An­visa). No entanto, são caros e apresentam dificuldades para serem administrados, já que seu uso está restrito ao am­biente hospitalar.