Mudança no Santa Lydia vai para o MP

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ALFREDO RISK/ARQUIVO

O vereador Igor Oliveira (MDB) recorreu ao Ministé­rio Público Estadual (MPE), por meio da Promotoria da Cidadania, para saber qual o destino dos pacientes que estavam internados ou em tratamento no Hospital San­ta Lydia, que atenderá apenas pessoas com o coronavírus.

O parlamentar decidiu acio­nar o MPE depois de a prefei­tura de Ribeirão Preto anun­ciar, na semana passada, que o hospital será exclusivo para atendimento a pacientes com coronavírus. Segundo a Se­cretaria Municipal de Saúde, após o recebimento de mais cinco respiradores, a estrutura atual conta com 40 leitos de enfermaria e 20 Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) – já contando com anunciados du­rante a semana.

O equipamento hospitalar atende diversas especialidades, com ênfase ao atendimento pe­diátrico, especificamente a UTI infantil e neonatal. Atualmente, 35 crianças fazem tratamen­to contra o câncer no local. Na sexta-feira (24), familiares de pacientes fizeram um protesto em frente ao Santa Lydia.

Segundo o parlamentar, apesar do anúncio da prefei­tura ser importante para o tratamento de pacientes com covid-19, o município tem de deixar bem claro como será a continuidade do tratamento das crianças que diariamente precisam de cuidados, já que são pacientes com câncer.

“A situação é temerária e muitos registros feitos por mães e profissionais motivaram-me a formalizar esta denúncia, a fim de, juntamente com o Poder Legislativo, investigarmos o assunto”, afirma Igor Oliveira. De acordo com o vereador, segundo os familiares, para as crianças que continuam sendo tratadas no hospital existe o risco de possível con­taminação pelo coronavírus.

Isso porque o acesso as de­pendência do Hospital Santa Lydia é único. Além disso, os profissionais de saúde (médi­cos, enfermeiros, técnicos em enfermagem etc.) tratam todos os tipos de pacientes – obvia­mente a prefeitura não vai dis­ponibilizar as mesmas pessoas para atendimento covid-19 –, além da falta de orientação pré­via aos pais sobre as mudanças.

“As crianças, das mais va­riadas idades, que já sofrem com a severa doença, com o tratamento um tanto quanto invasivo e com a imunidade baixa, acabam ficando por ho­ras expostas dentro da unidade de saúde. Um protocolo médi­co necessário e que deve ser se­guido”, completa Igor OIiveira.

O número de UTIs para o tratamento da covid-19, em Ribeirão Preto, aumentou 204% em três meses. Segun­do o prefeito Duarte Nogueira Júnior (PSDB) disse na última quarta-feira (22), em sua live diária, em 23 de abril eram 66 leitos de UTI e 76 de enferma­ria na cidade para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Hoje, são 201 leitos de te­rapia intensiva e 239 de enfer­maria, somando SUS e parti­culares. Ou seja, são 135 novas vagas de UTI, crescimento de 204,5%, e 163 de enferma­ria, aumento de 214,5%. Nos outros 25 municípios do 13º Departamento Regional de Saúde (DRS XIII), a estrutura de atendimento para o novo coronavírus também foi refor­çada. O número de leitos de UTI passou de 100 para 255, um aumento de 155%, e os lei­tos de enfermaria passaram de 156 para 377, alta de 141,6%.

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