O tempo passa, e as mesmas frases que aconselhavam as crianças no passado a nunca contarem mentiras, pois mentir era considerado um pecado muito grave, não pro­duziram os efeitos esperados, pois ocaminho que a verda­de percorre nos dias de hoje, mostra que aquela virtude que era ensinada na infância, não atingiu a idade adulta. O comportamento social é transmitido e aprendido pela observação e não pelos conselhos que os adultos jogam no ar, e nem eles mesmos acreditam.

Para demonstrar que vivemos um momento em que a mentira prosperou de maneira abissal nos últimos tempos, a figura abjeta que ocupa a presidência da República chegou no dia de ontem ao ápiceda mentira e da hipocrisia, ao ficar mais de uma hora tentando provar que houve fraude nas elei­ções de 2014 e 2018, sem sucesso, e se o maior mandatário do País age desta maneira, as outras instâncias do poder ficam livres, leves e soltas para fazer o mesmo.

Em Ribeirão Preto, a volta das aulas presencias na Rede Municipal, por conta de tantos sofismas e escamoteações está emperrada por uma ordem judicial, que só permiti­rá o retorno quando todas as inconsistências apontadas pelo Sindicato da categoria forem sanadas. Em quase um ano e meio em que os educandos estão fora das escolas, o Executivo municipal não foi capaz de resolver os velhos problemas estruturais que a maioria das nossas escolas, haja vista que ouve a morte de um educando dentro de uma unidade escolar, por negligência da Secretaria da Educação e dos gestores, e até agora ninguém foi respon­sabilizado por esta tragédia.

A moda agora é falar dos prejuízos que os educan­dos estão tendo no seu aprendizado, e, portanto, as aulas presenciais têm que retornar a qualquer custo, pois como dizem alguns “especialistas”: “se o comércio, os bares e os shoppings estão funcionando, por que não as escolas”. Olhando um pouco para um passado recente vemos que a hipocrisia e o sofisma tentam demostrar que estão preo­cupados com o aprendizado dos filhos das classes desfa­vorecidas, que vivem a margem de um sistema político criminoso, no entanto essa preocupação nunca existiu – é só discurso vazio.

A preocupação com o aprendizado dos educandos tem que ser real, não pode continuar presoa estrutura montada pelo “coronel”, que mandou e desmandou na educação pú­blica ribeirão-pretana por mais de trinta anos, no entanto as evidências mostram que o seu espólio ainda continua vivo na estrutura da Secretaria da Educação. Desmontara velha estrutura, ecolocar em museus os dinossauros que estão aprisionados nos calabouços, e ainda dão as cartas, é imprescindível – não cabem no sistema.

Acabar com os sofismas e as escamoteações nas tratati­vas entre as escolas e a Secretarias da Educação éo único caminho para que a educação municipal saia do ma­rasmo, e neste contexto a reciprocidade é fundamental, a velha máxima dos dirigentes de futebol: “aquilo que se combina sentado, não vale em pé”, não pode mais fazer parte das tratativas entre os gestores – esse tempo sombrio acabou – agora é tempo de reconstruir, e só em um ambiente harmônico será possível trilharmos novos caminhos. Toda mudança social só acontece na apro­priação da cultura, através da educação básica – pois tudo esbarra na educação.