O Aquífero Guarani é um dos maiores reservatórios de água doce subterrânea do nosso pla­netinha, envolvendo com sua presença quatro países da América do Sul, a saber: Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina, com uma área de cerca de 1,2 milhões de quilómetros quadrados. O Brasil é contemplado com cerca de 70%de sua área de atuação, e o Estado de São Paulo é um dos estados contemplado por ele. Sua existência é estimada por cerca de 130 a 200 milhões de anos.

Não pense o (a) estimado(a) leitor(a) que temos um “piscinão” subterrâneo. A água está confi­nada em um arenito que funciona como uma esponja, assim é que devemos, já de início, tomarmos muito cuidado com o solo e o subsolo, onde ele se localiza para não ocorrer sua degradação.

Estima-se que atualmente o volume de água nele contido seja de aproximadamente 50.000 quilômetros cúbicos, o que, sem ha­ver recarga, garante o abastecimento de nós brasilianos por cerca de 3.500 anos.

Então porque toda esta “grita” em relação a este manancial quase inesgotável? Vamos lá; Ribeirão Preto é abastecido 100% pelo Aquí­fero Guarani. Seja a água que bebemos, a utilizada na indústria ou aquela desperdiçada em vazamentos e lavagem de calçada é extraída do aquífero. Sua recarga se dá pela infiltração da água da chuva, o que acontece, particularmente em áreas de afloramento o que nos obriga a conservar tais terrenos. Quando me refiro a conservar, o faço preme­ditadamente, diferente de se dizer preservar. Conservar é poder utilizar sem no entanto deterio­rar aquilo que está sendo utilizado, enquanto preservar é deixar o objeto intocado…

Pois bem, Porque uma introdução tão longa? É muito simples:praticamente toda a Zona Leste de Ribeirão Preto, aquela que contém a tão falada “Lagoa do Saibro”, é uma importante zona de recarga do Aquífero Guarani. Estamos nas vésperas da discussão e aprovação de duas importantes leis municipais: O Plano Diretor de Ribeirão Preto e a lei que estabelece as dire­trizes para o Uso e Ocupação do Solo.

A Zona Leste de Ribeirão Preto é considerada Zona de Uso Especial devendo ser tratada com muito carinho, não apenas pelos legisladores, isto sim pelos usuários tais como os pro­prietários e empreendedores. Para tal, aqui vão alguns conselhos:

1.- Não permitir a impermeabilização do solo, o que reduziria dras­ticamente a infiltração da água que faz a recarga do aquífero. Para tanto, até o asfalto dos leitos carroçáveis deve ser substituído por uma pavimentação permeável, seja como exemplo, de broquetes ou até mesmo paralelepípedos.

2.- A coleta de lixo e resíduos sólidos ou não, de um modo geral deve ser planejada e diferenciada daquela que conhecemos objeti­vando o impedimento da poluição das águas que irão infiltrar em direção ao aquífero.

3.- As ocupações com construções devem ter equipamentos que não permitam a infiltração de dejetos, bem como a existência de sumidouros de forma que haja facilidade de infiltração da água da chuva.

4.- Criação de áreas verdes, estudo de passivos ambientais, restri­ção de atividades antrópicas em áreas de drenagem ou coleta de esgotos.

5.- Preservação (agora é o termo) da bacia do córrego das Palmeiras.

Com a palavra, em primeiro lugar a população; a seguir as autoridades ( Ministério Públi­co, Prefeitura Municipal e Câmara Municipal).

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