O temor de investigação amedronta o governo da “nova política”, envelhecida antes da hora, aliás precocemente, no reinado do “mito”, que “mito” se converteu por mera conveniência eleitoral, já que exercitando as potencialidades da mediocridade, apresentou-se como porta-estan­darte da nova política.

A impostura foi lancetada e o governo, que sempre incentivou a mentira como informação, dedicou-se a preparar a retaliação política, em relação aos que se arrependeram de ter estado em conúbio com ele, ou que acirram a oposição contra ele. Afinal, ele não disse naquela inacreditável reunião de abril do ano passado que precisava ter ligação direta com a Polícia Federal, pois ele precisava proteger amigos e fami­liares? Eis como desgoverna a alma confessa do miliciano.

Nesse contexto aparece o relatório da Policia Federal incriminando Renan Calheiros, em investigação aberta desde 2017, e que aguardava não se sabe o quê, durante tanta demora. Talvez o perigo de uma CPI!

Só para argumentar, vamos tirar a suspeita desse inquérito de oportuni­dade manifesta. Esse ato artificial poderá fazer calar ou desaparecer a prova exuberante já recolhida pela Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a demora dolosa do governo federal em adiar não só a compra das vacinas e insumos, como estabelecer, como é de sua competência, as linhas gerais da política nacional da saúde, muito mais responsável nessa espantosa e aterradora crise sanitária?

Hoje, pode-se induzir ou deduzir que a neblina sobre a obrigação go­vernamental, seguramente, era para dar tempo ao tempo, ao menos até uma única negociação se concluísse, não de governo para governo, mas de uma empresa, quiçá com dias de existência legal, que surge assim de repente, como intermediária, entre o governo e o laboratório fabricante, para venda/ compra de gigantesca de quantidade, que a própria fábrica não poderia fabricar, tal seu gigantismo: 400 milhões de vacinas.

E tudo na mão de um cabo, que deveria estar trabalhando, em Minas Ge­rais, mas que a deusa fortuna certamente o blindou com a proteção divina, para ele ir e vir como o reizinho da cocada preta. Nada, no entanto, compromete a bomba atômica das provas contundentes contra a inércia boquirrota do gover­no federal, taxado como genocida, agora pelas ruas e avenidas do país.

Mas, a história dessa trama apodrecida de ética e de verdade, se tem vários pontos de exame, ela apresenta um que não foi destacado devida­mente: é cabo da ativa, repita-se, da ativa da Policia Militar de Minas Gerais, que deve estar ciente de que na hora do trabalho, o militar circulava pelas cercanias do poder, em Brasília, cavoucando a mina de ouro da podridão antecipada da nova política.

Mas, o que se pretende destacar de seu testemunho mentiroso na CPI é a do tempo em que foi alçado a essa condição de garimpeiro do ouro podre, des­tinado a algum banco de algum paraíso fiscal e à disposição de colegas militares e civis, que servem com devoção a esse governo, que só sabe falar em armas, tortura, xingamentos e desrespeito até com seus auxiliares próximos, como fez publica e recentemente com o quarto Ministro da Saúde, dizendo à imprensa: “Vocês conhecem esse tal de Queiroga”. E Queiroga não pediu demissão…

Pois bem, ele falou em um ano e meio, desde a sua convocação para tri­lhar a senda brilhante da riqueza fácil, que seria adquirida pela propina nos negócios da vacina. Esse é justamente o tempo inaugural da “nova política”.

Eis aí o belo exemplo de quem não aprendeu o respeito à hierarquia e à ética profissional e ao civismo na carreira que escolheu. Certamente seu su­perior hierárquico não poderá puni-lo, como aconteceu com Pazuello, mas seguramente aplicará nele a severíssima sanção da advertência borbulhante de rigor: “Por favor, não faça mais isso, caro colega. É muito feio”. E, frater­nalmente confiante, bate três vezes nas costas do cabo iluminado.

A penúltima vez que um cabo ocupou páginas da história do Brasil foi o chamado Cabo Anselmo, que liderou corajosa e ousadamente a insurgência de cabos e soldados, construindo a definitiva ingovernabilidade do governo de Jango Goulart, mas como espião, como pau mandado da CIA, agência de espionagem norte-americana.

O Deus-me-livre não é suficiente.