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21 de fevereiro de 2024 | 9:51
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Odontologia no Brasil: de Tiradentes aos dias atuais

O feriado de 21 de abril, data de morte de Tiradentes, nos convida a uma série de reflexões. Uma delas – talvez a menos óbvia -, é sobre os avanços da Odontologia no país.

Joaquim José da Silva Xavier era conhecido como Tiraden­tes por exercer o ofício de cirurgião-dentista. Após sua morte, tornou-se mártir da Inconfidência Mineira e patrono da Odon­tologia no Brasil.

Tiradentes viveu em uma época em que ainda eram arcai­cos os tratamentos dentários e, para livrar os pacientes de dores agudas e pontos de infecção na cavidade bucal, a extração dos dentes era uma prática comum. Em razão disso, eram igual­mente comuns os sorrisos sem dentes na população em geral.

Esse cenário mudou. Hoje, os cirurgiões-dentistas atuam sob a premissa de que se deve priorizar a preservação dos dentes dos pacientes, lançando mão dos mais diversos proce­dimentos antes de optar-se pela extração, o que só ocorre em último caso. Para isso, os profissionais contam com as me­lhores e mais modernas técnicas, possibilitadas pelo avanço das pesquisas científicas e aprofundamento do conhecimento especializado.

Podemos usufruir de uma Odontologia supermoderna, com uso de recursos altamente inovadores dentro dos con­sultórios. Isso inclui, por exemplo, o escaneamento intraoral, cirurgias teleguiadas, membranas de fibrina para regeneração tecidural, anestesia eletrônica, aparelhos ortodônticos invisíveis e porcelanas dentárias de última geração, entre outros. Infeliz­mente, porém, esses serviços ainda estão ao alcance de poucos.

Passados 231 anos da morte de Tiradentes, apesar dos avan­ços da Odontologia enquanto ciência, ainda é extremamente alto o número de brasileiros que acabam sendo submetidos à completa extração de dentes. Esse quadro foi revelado em 2010, quando foi realizada a última Pesquisa Nacional de Saúde pelo IBGE.

Os dados da época mostraram que pelo menos 16 milhões de brasileiros não possuem um único dente na boca, sendo que 40% das pessoas com 60 anos ou mais são completamente banguelas. São cidadãos que não podem sorrir com segurança e naturalidade, não podem mastigar de forma correta, não podem falar adequadamente e certamente vivem sob profunda baixa autoestima.

Agora, o Governo Federal prepara nova edição da Pesquisa Nacional de Saúde, já com os trabalhos de campo em anda­mento. Embora a tendência mais provável seja que a pandemia do coronavírus possa ter impactado negativamente o acesso dos brasileiros ao atendimento odontológico, espera-se que o novo levantamento nos aponte um cenário mais animador do que o registrado na década passada.

Queremos crer que os brasileiros tenham tido mais opor­tunidades de atendimento odontológico ao longo dos últimos 10 anos. Do contrário, é urgente que o poder público lance um olhar mais atento sob a Saúde Bucal no Brasil. Isso depende de investimento em todas as esferas de governo, com ampliação da oferta de serviços de atendimento primário e especializado, incluindo os procedimentos cirúrgicos.

Apenas com acesso sistemático a consultas odontológicas, os pacientes poderão ser diagnosticados e realizar os trata­mentos necessários a tempo de que sejam salvos seus dentes e sorrisos. Somente com atendimento contínuo por parte dos cirurgiões-dentistas é que os brasileiros poderão ter resguarda­dos seus direitos a uma Saúde Bucal íntegra e com dignidade.

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