MARCOS OLIVEIRA/AGÊNCIA SENADO

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), mandou prender Roberto Ferreira Dias, ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, porque teria feito decla­rações mentirosas à comissão durante seu depoimento. Aziz afirmou que “deu chances o tempo todo” para Ferreira Dias falar a verdade. Ele foi detido pela Polícia Legislativa.

Ferreira Dias foi preso por cometer “perjúrio” ao negar que havia combinado um encontro com o policial militar Luiz Paulo Dominghetti, segundo Aziz.

Os senadores afirmam ter pro­vas de que o ex-diretor negociou a compra de vacinas em nome do ministério, algo que ele negou du­rante a oitiva. “O senhor está de­tido pela presidência”, afirmou o presidente da CPI.

Aziz pediu para que o sis­tema de som da sala reprodu­zisse áudios que, segundo ele, confirmavam a participação de Ferreira Dias na compra de va­cinas sob suspeita de corrupção. Os áudios foram publicados no site da CNN Brasil e, segundo a emissora, contestam a versão de que o encontro entre Dias e o policial Luiz Paulo Dominghetti foi acidental.

A advogada do ex-diretor protestou e afirmou que a prisão seria uma ilegalidade, e que ele estaria colaborando com a CPI desde a manhã desta quarta­-feira. Após decretar a prisão de Ferreira Dias, Omar Aziz wen­cerrou a sessão da comissão.

Senadores da CPI da Pande­mia pediram que o presidente reconsiderasse o pedido de pri­são por isonomia com outros depoentes que, segundo eles, também mentiram e tiveram negados os pedidos de prisão. O senador Alessandro Vieira (Ci­dadania-ES) argumentou que a comissão “não colocou um general na cadeia”, em uma re­ferência ao ex-ministro Eduardo Pazuello, que segundo ele tam­bém teriam mentido.

O senador Otto Alencar (PS­D-BA) fez um apelo no mesmo sentido. A senadora Simone Tebet (MDB-MS) sugeriu uma acareação imediata para deter­minar se Dias mentiu ou não à comissão. O governista Mar­cos Rogério (DEM-RO) disse que o pedido de prisão é ilegal e que a sessão já deveria estar suspensa devido à abertura da ordem do dia no plenário do Senado, quando as comissões devem ser suspensas.

“Decisão ilegal não se cum­pre”, disse. Outros senadores da tropa de choque do governo se insurgiram contra a ordem de prisão. Também alegam que a decisão não tem validade, já que o regimento determina que as comissões, temporárias ou per­manentes, tenham os trabalhos suspensos quando tem início a ordem do dia no plenário.

O apelo foi feito pelo sena­dor Esperidião Amin (PP-SC) ao presidente do Senado, Rodri­go Pacheco (DEM-MG). “En­quanto houver ordem do dia no Senado, comissões não podem funcionar”, disse Pacheco. “Faço apelo a Omar Aziz que suspen­da trabalhos da CPI em razão do funcionamento do plenário.” Diante dos apelos de outros par­lamentares para que reavaliasse o pedido de prisão, Omar Aziz manteve a decisão, reiterou que o ex-diretor do Ministério da Saúde Roberto Dias está preso, e encerrou a sessão.

Convocação
Os senadores que integram a CPI da Pandemia aprovaram três novos requerimentos de convocação. Os pedidos foram apresentados pelo vice-presi­dente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Um deles convoca o reverendo Amilton Gomes de Paula.

Os senadores querem ouvi­-lo sobre a suspeita de que ele teria recebido aval para nego­ciar a compra de 400 mil doses da vacina AstraZeneca com a empresa Davati Medical Supply, com sede nos Estados Uni­dos. Outro nome da lista é o de William Amorim Santana.

Citado pela fiscal de con­tratos do Ministério da Saúde Regina Oliveira e pelo servidor Luis Ricardo Miranda, ele deve depor sobre o contrato cele­brado entre o Brasil e a empre­sa indiana Bharat Biotech para o fornecimento de 20 milhões de doses da vacina Covaxin.

O terceiro nome é de An­dreia Lima, diretora executi­va da VTCLog. A empresa é contratada pelo Ministério da Saúde para receber, arma­zenar e distribuir as vacinas contra o novo coronavírus. Na abertura da reunião, Omar Aziz ressaltou que retirou vá­rios requerimentos de pauta por falta de motivação.