Os vírus piores que o corona

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professor

Enquanto o Brasil experimenta a redução nos casos de contá­gio e morte por covid-19, na Europa uma segunda onda afligi a população em geral e as autoridades. Sim, lá as autoridades estão preocupadas em como reduzir os impactos da doença! Por aqui o foco é outro e prefeitos, governadores e até o presidente da república estão mais interessados com os dividendos eleitorais do que com a vida do cidadão.

Os números apontam 5.323.630 de contaminados, com 4.779.295 recuperados e 155.962 mortos, sendo muitos deles nossos familiares, amigos ou conhecidos. O vírus é real e seus efeitos danosos, quem contraiu ou perdeu um ente querido pode testemunhar.

Assim que a doença se tornou pandêmica, a mobilização mun­dial foi para a descoberta de uma vacina. Segundo a Organização Mundial da Saúde existem 193 candidatas, estando 42 delas em fase de ensaios clínicos. No Brasil, oficialmente quatro vacinas contra a covid-19 estão em teste: uma da Universidade de Oxford do Reino Unido juntamente com a indústria AstraZeneca, uma da empresa Jonhson&Jonhson, a Coronavac criada pela empresa chinesa Sino­vac e desenvolvida em parceria com o Instituto Butantã, a da norte americana Pfizer com a BioNTech da Alemanha.

O caminho até a descoberta de uma vacina é extremamente delicado com prazos, exigências e uma série de normas e protoco­los a serem observados até obter-se a certificação de que realmente é segura e atingirá o efeito esperado. Depois, ainda, tem a fase de produção, armazenamento e distribuição que requer uma gigantes­ca logística.O desenvolvimento da vacina deve ser colaborativo e universalizado. Nenhum laboratório do mundo vai produzir para o planeta todo, sendo quase impossível imunizar 7,8 bilhões de habi­tantes ou os 211,7 milhões de brasileiros.

Os cientistas estão se desdobrando e tudo parecia correr bem, porém o que era motivo de alegria, tornou-se mais uma batalha política e ideológica onde a vida humana novamente está sendo deixada para segundo plano.

As manifestações de nossas autoridades nesta semana, lem­bram o ocorrido diante da epidemia, em 1904, no Rio de Janeiro, quando aconteceu a famosa “Revolta da vacina”. Naquele tempo foi decretada a obrigatoriedade da vacinação, a população não recebeu as informações necessárias e se posicionou contrária. Agora, apesar de todas as facilidades tecnológicas, a falta de informação e o crescimento do movimento antivacinanos coloca diante do perigoso ressurgimento de doenças erradicadas e da proliferação da atual.

Agora já não importa saber de onde o vírus surgiu, tão pouco quem conseguirá obter a vacina primeiro. O foco deverá ser na com­provação da efetividade e na garantia do acesso universal.

Toda a polêmica poderia servir de ponto de reflexão sobre a dependência da indústria farmacêutica brasileira que conta com um pequeno grupo de empresas de biotecnologia, empresas nacionais pouco capitalizadas e com reduzida capacidade de inovação e as di­visões das poderosas,multinacionais, centradas nas etapas de menor valor agregado. Um dado alarmante é que, mais de 90% de todos os remédios acabados e princípios ativos de genéricos consumidos no país são trazidos de fora, principalmente da China e da Índia. Assim não estamos em posição de bravatas, pois somos perigosamente dependentes do mercado externo.

As brigas que estamos testemunhando são impróprias, inoportu­nas e prejudiciais. O que se observa, além da letalidade do coronavi­rus, é o perigo dos vírus do egoísmo, da demagogia e da autopromo­ção, capazes de trazer estragos inimagináveis, especialmente para as populações mais fragilizadas.

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