Jornal Tribuna Ribeirão

Pobreza afeta 51 mi de pessoas

FERNANDO FRAZÃO/AG.BR.

O pagamento do auxílio emergencial evitou, mesmo que apenas momentaneamen­te, um agravamento da miséria no Brasil em 2020, em meio ao choque provocado pela pan­demia de covid-19. Apesar da injeção bilionária de recursos extraordinários, praticamente um em cada quatro brasileiros ainda viveu abaixo da linha de pobreza no ano passado.

São quase 51 milhões de pessoas, segundo os dados da Síntese dos Indicadores Sociais (SIS) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Esta­tística (IBGE) nesta sexta-fei­ra, 3 de dezembro. Não fossem os programas de transferên­cias de renda para enfrentar a pandemia, incluindo também programas estaduais e mu­nicipais complementares, os 10% mais pobres da popula­ção teriam sobrevivido com apenas R$ 13 por mês.

Esse valor é equivalente a R$ 0,43 por pessoa a cada dia. Com os benefícios governa­mentais, esse grupo de 21 mi­lhões de brasileiros mais po­bres sobreviveu em 2020 com R$ 128 mensais por pessoa da família, ou R$ 4,27 por dia, o maior valor já registrado na série histórica da Pnad Contí­nua, iniciada em 2012.

Embora ainda insuficiente para uma vida livre de restri­ções básicas, o montante repre­senta uma alta de 14,9% ante os R$ 111 mensais recebidos em 2019. Sem essas transferências de renda, o rendimento médio por pessoa dos 10% mais pobres teria tombado 75,9%, demons­trando a importância da conti­nuidade da política.

Mesmo com o pagamento do auxílio emergencial, 12,046 milhões de brasileiros, o equi­valente a 5,7% da população, viveram abaixo da linha de mi­séria no ano passado. Se exclu­ído o recebimento de progra­mas sociais, esse contingente de miseráveis teria subido a 27,313 milhões, ou 12,9% dos habitantes do país. Em 2019, a proporção de brasileiros na miséria era de 6,8%.

Sem os recursos obtidos através das transferências de renda, o total de brasileiros abai­xo da linha de pobreza iria de 50,953 milhões (24,1% da po­pulação) para 67,729 milhões (32,1% da população). Em 2019, a proporção de brasileiros viven­do na pobreza era de 25,9%.

Pelos critérios dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentá­vel (ODS) das Nações Unidas e recomendações do Banco Mun­dial, a pobreza extrema é carac­terizada por uma renda familiar per capita disponível inferior a US$ 1,90 por dia, o equivalente a um rendimento médio mensal de R$ 155 por pessoa em 2020.

Esse cálculo considera a con­versão pelo método de Paridade de Poder de Compra (PPC) – que não leva em conta a cotação da taxa de câmbio de mercado, mas o valor necessário para comprar a mesma quantidade de bens e serviços no mercado interno de cada país em com­paração com o mercado nos Estados Unidos. Já a popula­ção que vive abaixo da linha de pobreza é aquela com renda disponível de US$ 5,50 por dia, o equivalente a R$ 450 mensais por pessoa em 2020.

As crianças foram, propor­cionalmente, as maiores vítimas da escassez de recursos: mais de 17 milhões de crianças e adoles­centes até 14 anos viveram abai­xo da linha de pobreza no país, o equivalente a 38,6% da popu­lação nessa faixa etária. Nesse contingente, 3,9 milhões esta­vam em situação de miséria, ou 8,9% dos brasileiros dessa idade.

Além dos mais jovens, a po­breza também atinge com mais força as pessoas de cor preta ou parda. Havia quase três vezes mais negros do que brancos entre as pessoas na extrema po­breza. Cerca de 8,8 milhões que estavam abaixo da linha de mi­séria são pretos ou pardos, quase 75% das pessoas nessa condição, ou seja, três a cada quatro dos que estavam nessa situação. Os brancos vivendo na miséria to­talizavam cerca de 3,2 milhões.

Entre os brasileiros abaixo da linha de pobreza, aproxi­madamente 36,8 milhões eram negros, também perto de três quartos do total, enquanto que os brancos somavam quase 13,6 milhões vivendo com esse tipo de restrição financeira. As de­sigualdades regionais também chamam a atenção.

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