Ribeirão Preto – MP cobra oferta de leitos de covid

0
30
ALFREDO RISK/ARQUIVO

A Promotoria de Justiça da Saúde Pública de Ribeirão Preto cobra da Secretaria Mu­nicipal de Saúde e do 13º De­partamento Regional de Saúde (DRS XIII), que abrange 26 municípios, a deflagração do Plano de Contingência visando à ativação de leitos destinados ao tratamento de pacientes com covid-19.

Em ofícios expedidos na quinta-feira, 7 de janeiro, e ende­reçados ao secretário municipal de Saúde, Sandro Scarepleini, e à diretora do DRS XIII, Adriana Ruzene, o promotor Sebastião Sérgio da Silveira argumenta que houve uma rápida ocupa­ção das vagas destinadas aos pa­cientes acometidos de covid-19, sendo que os leitos de terapia in­tensiva já mostravam ocupação superior a 80%.

No expediente, o membro do MPSP argumenta que, além dos riscos de colapso do sistema assistencial, os elevados índices de ocupação de leitos podem causar outros prejuízos ao mu­nicípio e à região, incluindo a regressão de fase no Plano São Paulo, com a paralisação de ati­vidades econômicas.

Além de recomendar a ativa­ção de leitos, o representante do Ministério Público de São Paulo (MPSP) requer informações so­bre a programação e o limite de ativação dos leitos, com vistas à adoção de eventuais providên­cias por parte do Ministério Pú­blico, caso o plano não atenda às expectativas da instituição.

Segundo o secretário San­dro Scarpelini, além de reativar o Polo Novo Coronavírus (Co­vid-19) a partir de terça-feira (12), Ribeirão Preto vai abrir mais 36 leitos de UTI nos próxi­mos dias – 15 no Hospital Santa Lydia, seis na Santa Casa, cinco na Beneficência Portuguesa e dez em convênio com hospitais particulares.

Ribeirão Preto permanecerá na fase amarela do Plano São Paulo até 5 de fevereiro, segundo atualização do Plano São Paulo anunciada nesta sexta-feira (8), mas toda a região do DRS XIII pode regredir para a laranja e até para a vermelha a qualquer momento, caso os indicadores melhorem ou piorem.

Para que uma região possa ascender ou retroceder de fase, o Centro Estadual de Contingên­cia da Covid-19 avalia a taxa de ocupação de leitos de terapia in­tensiva, internações e óbitos por 100 mil habitantes e incidência de casos de coronavírus, óbitos e internações.

Às 18 horas desta sexta-feira (8), a ocupação de leitos de te­rapia intensiva estava em 89,3% em Ribeirão Preto – havia pa­cientes em 100 das 112 vagas. Na enfermaria, a taxa era de 57% no mesmo horário, com 99 das 163 vagas ocupadas. O número de leitos é variável, muda a cada dia de acordo com a necessidade.

Depois de atingir 100% de ocupação na quinta-feira (7), nas unidades Campus e de Emergência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Me­dicina de Ribeirão Preto, liga­da à Universidade de São Pau­lo (HCFMR/USP), estavam com 87% dos leitos de terapia intensiva ocupados no mes­mo horário desta sexta-feira.

Segundo a plataforma, as duas unidades do HC reduziram o número de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de 89 para 40, depois para 20, caiu para 15, saltou para 18 e ontem subiu para 23, sendo que 20 es­tavam ocupados. Na enfermaria caiu de 52 para 33 leitos e abri­gava onze pacientes com quadro menos grave da covid-19, ou 33,3% de ocupação.

Na terça-feira (5), o depu­tado federal Ricardo Silva (PS­B-SP) pediu oficialmente para que o HC de Ribeirão Preto tenha mais 25 leitos de Unida­de de Terapia Intensiva (UTI) para tratamento de pacientes com covid-19. O parlamentar esteve no Ministério da Saúde e recebeu a garantia de que os leitos serão liberados.

Ricardo Silva teve uma audiência com o assessor es­pecial do Ministério da Saú­de, Airton Cascavel, que é o número dois em comando na pasta. No encontro, foi in­formado que os leitos serão liberados assim que o HC re­alizar o cadastramento oficial do pedido no sistema do Mi­nistério da Saúde.

A audiência em Brasília ocorreu após o superinten­dente do Hospital das Clíni­cas de Ribeirão Preto, Bene­dito Maciel, encaminhar um ofício ao deputado federal ri­beirão-pretano pedindo a in­tervenção para que os novos leitos sejam disponibilizados.