ALFREDO RISK

A pandemia de covid-19 vem causando um profundo impacto nas estatísticas vitais da população de Ribeirão Pre­to. Além das mais de 2.640 víti­mas fatais atingidas pela doença na cidade, o novo coronavírus vem alterando a demografia de uma forma nunca vista desde o início da série histórica dos da­dos estatísticos dos Cartórios de Registro Civil do municí­pio, em 2003: nunca se morreu tanto e se nasceu tão pouco em um primeiro semestre como neste ano de 2021, resultando na menor diferença já vista en­tre nascimentos e óbitos nos primeiros seis meses do ano.

Os dados constam no Por­tal da Transparência do Regis­tro Civil (https://transparencia.registrocivil.org.br/inicio), base de dados abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos praticados pelos Cartórios de Registro Civil do país, administrada pela Asso­ciação Nacional dos Registrado­res de Pessoas Naturais (Arpen­-Brasil), cruzados com os dados históricos do estudo Estatísti­cas do Registro Civil, promovi­do pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados dos pró­prios cartórios brasileiros.

Em números absolutos os cartórios de Ribeirão Preto re­gistraram 3.802 óbitos até o final do mês de junho. O número, que já é o maior da história em um primeiro semestre, é 47,4% maior que a média histórica de mortes na cidade, e 52,8% maior que as ocorridas no ano passado, com a pandemia já instalada há quatro meses. Já com relação a 2019, ano anterior à chegada da pandemia, o aumento no núme­ro de mortes foi de 57,5%.

Com relação aos nascimen­tos, até o final do mês de junho foram registrados 4.478, núme­ro 4,1% menor que a média de nascidos na cidade desde 2003, e 6,6% menor que no ano pas­sado. Com relação a 2019, ano anterior à chegada da pandemia, o número de nascimentos caiu 18,2% em Ribeirão Preto.

O resultado da equação en­tre o maior número de óbitos da série histórica em um primeiro semestre versus o menor nú­mero de nascimentos da série no mesmo período é o menor crescimento vegetativo da po­pulação em um semestre na cidade de Ribeirão Preto, apro­ximando-se, como nunca antes, o número de nascimentos do número de óbitos.

A diferença entre nascimen­tos e óbitos que sempre esteve na média de 2.091 nascimentos a mais, caiu para apenas 676 em 2021, uma redução de 67,7% na variação em relação à média histórica. Em relação a 2020, a queda foi de 70,7%, e em rela­ção a 2019 foi de 77,9%.

Natalidade e casamentos
Embora não seja a regra, a série histórica do Registro Civil demonstra que o aumento no número de casamentos está di­retamente ligado ao aumento da taxa de natalidade em Ribeirão Preto, o que deve fazer com que os nascimentos ainda demorem um pouco a serem retomados, já que no primeiro semestre de 2021 a cidade registrou o dé­cimo menor número de casa­mentos desde o início da série histórica em 2003.

Embora 1,9% menor que a média histórica de casamentos no primeiro semestre em Ribei­rão Preto, o número de matri­mônios em 2021 mostra uma recuperação em relação às cele­brações do ano passado, forte­mente impactadas pela chegada da pandemia que adiou cerimô­nias civis em virtude dos proto­colos de higiene necessários à contenção da doença.

Até junho deste ano os Car­tórios de Registro Civil da cida­de celebraram 1.585 casamentos civis, número 26,2% maior que os 1.256 matrimônios realiza­dos no ano passado, mas ainda 13,9% menor que os 1.841 casa­mentos celebrados em 2019.