RP investiga caso de coronavírus

0
46
ALFREDO RISK

O primeiro caso suspeito de infecção por coronavírus (Covid-19) em Ribeirão Pre­to é de um empresário, de 42 anos, que passou 30 dias a tra­balho em Milão, na região da Lombardia, no norte da Itália, e retornou ao Brasil durante o carnaval. A informação foi divulgada nesta quinta-feira, 27 de fevereiro, pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS).

O empresário chegou ao Brasil no sábado (22), em voo direto de Milão para o Aero­porto Internacional de Gua­rulhos, de onde pegou um voo para Ribeirão Preto. Por ser carnaval e ciente das notícias sobre o coronavírus, o homem de 42 anos ficou recluso em sua residência. Na quarta-feira (26), ele apresentou sintomas da doença, como coriza e dor de garganta, e procurou aten­dimento médico imediato em um hospital particular.

O paciente está em isola­mento domiciliar e passa bem. O hospital fez a notificação de suspeita para coronavírus à Secretaria Municipal da Saú­de. Todos os protocolos para o atendimento foram realizados. Outros cinco familiares que tiveram contato com ele após seu regresso da Itália também estão sendo monitorados.

Ele teria tido contato com poucas pessoas após sua che­gada a Ribeirão Preto por causa do período de feriado de carnaval e porque trabalha em escritório na própria resi­dência e faz a maioria dos seus contatos profissionais pela in­ternet. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e as companhias aéreas em que ele voou da Itália até Guaru­lhos e de São Paulo até Ribei­rão Preto já foram notificadas.

Nestes casos, as autoridades vão atrás dos passageiros que viajaram em poltronas próximas ao da pessoa com a suspeita do Covid-19 para depois monito­rá-las. Porém, ainda é preciso aguardar o resultado do exame. Amostras do paciente foram enviadas para o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, para confir­mação ou não da infecção.

Mesmo que se faça o diag­nóstico em Ribeirão Preto, as­sim como ocorreu com o único caso confirmado de Covid-19 no Brasil, de um homem de 61 anos que passou por exames no Hospital Albert Einstein, é ne­cessário que o Instituto Adolfo Lutz apresente a contraprova. Esse é o protocolo do Ministério da Saúde, seguido pelas secreta­rias municipal e estadual.

Secretário diz que não há motivo para pânico
Em coletiva de imprensa no Pa­lácio Rio Branco, na tarde desta quinta-feira, 27 de fevereiro, o prefeito Duarte Nogueira Júnior (PSDB) e o secretário municipal da Saúde, Sandro Scarpelini, falaram sobre a notificação, recebida de um hospital privado. O Departamento de Vigilância em Saúde, ligado à pasta, tomou imediatamente todos os cuidados de biossegurança, que também foram tomados pela unidade de saúde na assistência ao paciente e todos os comunicantes estão sendo monitorados pela pasta. “Esse paciente chegou da Itália e ontem (quarta-feira, dia 26), com sintomas, procurou uma unidade de saúde privada, que imediatamente comunicou a Vi­gilância Epidemiológica e todas as medidas de acompanhamen­to, dentro do protocolo, foram realizadas. Desde o dia 30 de ja­neiro, estabelecemos protocolos na Secretaria da Saúde para que todas as medidas de prevenção para proteger a população sejam tomadas. E todas as pessoas que estiveram com ele estão sendo acompanhadas”, explica o prefeito. O chefe do Executivo disse, ainda, que diante da suspeita, fez pessoalmente contato com a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. “Falei por telefone com o doutor David Uip, médico infectologista, e as amostras do nosso caso suspeito já foram para o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, e nos próximos dias teremos o laudo negativo ou po­sitivo dessa suspeita. Portanto, estamos com todas as nossas equipes preparadas e ativadas para qualquer tipo de problema em todas as nossas unidades de saúde do município”. Sandro Scarpelini ressaltou que a pasta está monitorando o pa­ciente e todas as pessoas com quem ele teve contato e pediu calma à população. “A mídia precisa ajudar bastante a gente na divulgação para não entrar­mos em histeria coletiva, com as pessoas pensando que daqui a pouco faltará material, entre outras coisas. Já tivemos gripe ‘Sars’ há cerca de 15 anos, gripe H1N1 todos os anos e as notícias que vemos em outros países to­dos os dias, mas nossa realidade é diferente, estamos tomando todas as medidas de prevenção”, orientou o titular da pasta. Scarpelini explicou, ainda, que a maioria dos casos chega como resfriado comum e que não é necessário pânico, e, sim, cui­dado, observação, informação correta e controle. “Se a pessoa apresentar evidências de risco, como ter regressado recente­mente de países como a China e Itália e sintomas, devem, sim, imediatamente procurar uma unidade de saúde. Agora, se começarmos a isolar a cidade, não faz sentido, hoje eu não consigo vislumbrar essa situa­ção. Portanto, é preciso calma e serenidade, senão deixaremos a população ainda mais assusta­da”, orienta o secretário. A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde de Ribeirão Preto, Luzia Márcia Romagnolli Passos, afirmou que Ribeirão Preto tem uma rede e pro­fissionais preparados para o atendimento de eventuais dados da infecção. A Secretaria da Saúde reforça a orientação a todos os viajan­tes provenientes dos países indicados pelo Ministério da Saúde, para que, caso apre­sentem sintomas respiratórios, procurem um serviço de saúde para avaliação. As duas formas de transmissão do coronavírus são através da saliva expelida pelo espirro, a uma distância de dois metros, e “aerossol”, ou seja, em am­bientes fechados onde não há ventilação. O uso de máscaras só é recomendado para quem tem a doença ou está sob acompanhamento. Aedes aegypti – Vários leitores e internautas têm perguntado se o mosquito Aedes aegypti transmite o coronavírus. O inse­to é vetor da dengue, zika vírus e febre chikungunya, mas não é transmissor do Covid-19.