Apesar da chuvarada fora de época neste outono, Ribeirão Pre­to conseguiu conter o avanço do mosquito Aedes aegypti, trans­missor de arboviroses como o zika vírus, as febres chikungunya e amarela (na área urbana) e, principalmente, da dengue – a quantidade de pacientes recuou 80,6% de março para abril, de 614 para 119 (ou 495 a menos), mas o mês ainda não acabou. Apesar de frear a proliferação do vetor, a situação preocupa e a Se­cretaria Municipal da Saúde pede a colaboração da população.

A cidade não enfrenta epi­demia da doença desde 2016, quando 35.043 pessoas foram vítimas do vetor, mas os núme­ros assustam, ainda mais porque um novo sorotipo, o vírus tipo 2, ainda mais forte, já circula no município. Segundo o último Boletim Epidemiológico par­cial, divulgado nesta segunda-feira, 15 de abril, pela Divisão de Vigilância Epidemiológica (DVE) da Secretaria Munici­pal de Saúde (SMS), Ribeirão Preto já registrou 1.443 casos de dengue entre 1º de janeiro e ontem, 1.291 a mais do que os 152 do primeiro quadrimestre inteiro de 2018, alta de 849,3%, mais de nove vezes o montante do ano passado.

A média é de quase 14 novos pacientes por dia (13,7). Grande parte é do sorotipo 2, que é mais forte e contra o qual a população não está imune. Há ainda 7.102 ocorrências sob investigação. O número de vítimas do Aedes ae­gypti na cidade em 105 dias já é 432,5% superior ao total do ano passado, quando Ribeirão Pre­to contabilizou 271 ocorrências, com 1.172 pacientes a mais.

Em 2017, foram registrados 246 casos, o volume mais baixo dos últimos doze anos. Em 2014 foram 398 registros. Nos demais oito anos os casos confirmados foram superiores a mil, em alguns deles passando de dez mil regis­tros, como em 2016 (de 35.043 casos), 2010 (de 29.637), 2011 (de 23.384) e 2013 (de 13.179). O terceiro menor registro de casos ocorreu em 2012, com 317.

No ano passado, das 271 pes­soas picadas pelo vetor, 90 eram da Zona Leste, mais 73 na Oes­te, 51 na Norte, 37 na Sul e 19 na Central, além de um caso sem identificação do distrito. Neste ano, dos 878 pacientes, 482 são da Zona Leste, mais 290 da Oeste, 339 da Norte, 118 da Sul, outros 199 na Central e 14 sem identifi­cação de distrito. Em 2019, foram confirmadas 241 ocorrências em janeiro, 469 em fevereiro, 614 em março e 119 em abril.

Casos de dengue em Ribeirão Preto
2009 – 1.700 casos
2010 – 29.637 casos
2011 – 23.384 casos
2012 – 317 casos
2013 – 13.179 casos
2014 – 398 casos
2015 – 4.689 casos
2016 – 35.043 casos
2017 – 246 casos
2018 – 271 casos
2019 – 1.443 casos * * O ano está só começando

Número de casos pode ser até 4 vezes superior
O número de vítimas do Ae­des aegypti – transmissor de arboviroses como o zika vírus, as febres chikungunya e amarela (na área urbana) e, principalmente, da dengue – pode ser quatro vezes maior e passar de 5,7 mil, segundo a Divisão de Vigilância Epidemiológica (DVE) da Secreta­ria Municipal de Saúde (SMS). Um estudo divulgado durante as úl­timas epidemias indica que, para cada caso confirmado da doença, outros três não são notificados. Em 15 dias de abril, o número de vítimas do vetor já é 183,3% superior ao do mesmo mês inteiro de 2018. Saltou de 42 para 119, acréscimo de 77, quase três vezes mais. A Secretaria Municipal da Saúde pede à população para não relaxar, evitar água parada e eliminar os criadouros do vetor, principalmente agora, na época das chuvas. O secretário Sandro Scarpelini afirma que o trabalho diário desenvolvido pela Vigilância Ambiental da pasta, as ações com o envolvimento de todas as secretarias, iniciativa privada e a conscientização da população representam um grande esforço para manter os casos de dengue sob controle. “Embora já tenhamos um número avançado de casos, se comparar­mos a outras cidades da região e do Estado de São Paulo inteiro, estamos numa situação melhor, graças ao trabalho que estamos executando diuturnamente. O que pretendemos é manter esses níveis ou baixá-los para podermos ficar um pouco mais tranquilos na cidade”. A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde, Luzia Marcia Romanholi Passos, ressalta que as ações de mobilização promovidas pela prefeitura, aliadas à conscienti­zação da população, são os únicos caminhos para evitar as doenças que o mosquito transmite. “Pedimos às pessoas que aju­dem nessa mobilização e já se preparem, que deixem separado somente o que é considerado um possível criadouro do mosquito para que possamos recolher com agilidade. A conscientização das pessoas é muito importante. Além da coleta do material, orientamos a população sobre os riscos em deixar água parada nessa época de chuva, o que contribui para o aumento de proliferação do mosquito”, orienta. Estado – Em pelo menos 94% dos municípios paulistas já foram notificados casos de dengue este ano. Do total de 645 cidades, em 606 ao menos uma pessoa apre­sentou os sintomas da doença de janeiro a março, conforme dados do Centro de Vigilância Epidemio­lógica da Secretaria da Saúde do Estado. No mesmo período do ano passa­do, 545 cidades (84,5%) haviam tido dengue. A maioria das cidades com den­gue zero fica no sudoeste paulista e têm menos de dez mil habi­tantes. A maior concentração de casos está na região noroeste do Estado, onde fica Ribeirão Preto. Até 15 de março, tinham sido confirmadas 29 mortes em São Paulo, mas o número já é maior. Brasil – O número de casos de dengue no País subiu 29% em duas semanas, de acordo com boletim divulgado pelo Ministério da Saúde. Até 30 de março, foram contabilizadas 322.199 infecções, com 86 mortes. Em 16 de março, eram 229.064. Em relação ao ano passado, a elevação é bastante expressiva: 303%. No mesmo período do ano passado, haviam sido registrados 51 óbitos. O maior número de casos da doença está na região Sudeste, com 66,3% do total do País. Em seguida, vem o Centro -Oeste (17,4%), o Nordeste (7,5%), Norte ( 5,4 %) e Sul (3,4%).

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