Jornal Tribuna Ribeirão

Sem Carnaval na região

FOTOS: ROBERTO GALHARDO/CCS

Até o momento, pelo me­nos 27 cidades da região já decidiram cancelar o carnaval, no próximo ano, em função da pandemia do coronavírus. A medida, decidida pelas pre­feituras, tem como justificativa evitar a aglomeração comum em festejos carnavalescos.

Os prefeitos argumentam que, apesar do aumento no número de pessoas vacinadas e da redução no registro de no­vos casos da doença, é preciso prevenir para evitar uma nova onda da doença como já acon­tece em países da Europa.

Já anunciaram o cancela­mento do carnaval as cidades de Santo Antônio da Alegria, São Simão, Rifaina, Luís Antô­nio, Guariba, Jaboticabal, Pra­dópolis, Dumont, Barrinha, Santa Ernestina, Pitanguei­ras, Guatapará, Taquaritinga, Monte Alto, Dobrada, Santa Rosa de Viterbo, Altinópolis, Cajuru, Cássia dos Coquei­ros, Santa Cruz da Esperança, São Joaquim da Barra, Guaíra, Franca, Brodowski, Sales Oli­veira, Batatais e Orlândia.

Em Franca, o prefeito Ale­xandre Ferreira (MDB), ex­plicou que o Carnaval atrai visitantes de muitas cidades e, portanto, não quer correr o risco do aumento da transmis­são do vírus. Segundo ele, o dinheiro que seria investido no desfile de rua, que não aconte­ce há dois anos, será transferi­do para a área da saúde.

Já o prefeito de Guaíra, An­tônio Manoel da Silva Júnior (MDB) afirmou que o melhor, no momento, é evitar aglome­rações, para não colocar em risco a população. O chefe do executivo também citou as fa­mílias que sofreram com a per­da de entes queridos durante a pandemia.

A prefeitura de Brodowski publicou uma nota oficial em seu site que afirma que apesar da doença estar controlada na cidade, as famílias ainda estão enlutadas pelas perdas de seus entes queridos e que a decisão tem como objetivo minimizar as chances de surgimento de uma nova onda de covid-19.

Ribeirão Preto ainda não decidiu sobre o assunto. En­tretanto, a Prefeitura informou que não vai patrocinar ações para o Carnaval, mas que in­centiva os agentes culturais da cidade que pretendem fazer festas relacionadas ao evento. Em razão disso, a Secretaria da Cultura realizou chamamento para o Carnaval de 2022.

Segundo aquela Secretaria, nove blocos se inscreveram para realização de festas em áreas públicas do município. O prazo para inscrição terminou no dia 8 de novembro.

Entretanto, se depender de parte dos vereadores a cidade deverá cancelar o Carnaval do próximo ano. No dia 16 de no­vembro, a Câmara aprovou uma Indicação para o prefeito Duarte Nogueira (PSDB) sugerindo a não realização do Carnaval de rua e a proibição de desfiles de blocos de rua e festejos públi­cos da festa de Momo.

A indicação é de autoria do vereador Elizeu Rocha (PSDB) e foi encaminhada para o Exe­cutivo. Por ser indicação a Prefeitura não precisará acatar a sugestão e nem responder à Câmara de Vereadores o que decidirá sobre o assunto.

Rocha defende a proibição, sob o argumento de prevenção à transmissão da covid-19 já que, segundo ele, poderá haver aglo­meração de pessoas sem o ne­cessário distanciamento social.

A aprovação da indicação foi apertada com dez vereado­res favoráveis à proposta, oito contrários e uma abstenção. Votaram favoráveis à Indica­ção: André Rodini (Novo), Elizeu Rocha (PP), Gláucia Be­renice (DEM), Brando Veiga (Republicanos), Franco Ferro (PRTB), Bertinho Scandiuzzi (PSDB), Maurício Vila Abran­ches (PSDB), Paulo Modas (PSL), Renato Zucoloto (PP) e Isaac Antunes (PL). Votaram contrários à proposta: Jean Co­rauci (PSB), Judeti Zilli (PT), Lincoln Fernandes (PDT), Marcos Papa (Cidadania), Duda Hidalgo (PT), Maurí­cio Gasparini (PSDB), Ramon Todas as Vozes (Psol) e Sér­gio Zerbinato (PSB). Matheus Moreno (MDB) se absteve e o vereador Igor Oliveira (MDB) não votou. Luis França (PSB) estava afastado por licença médica e Alessandro Maraca (MDB) por ser presidente, re­gimentalmente só seria obriga­do a votar em caso de empate.

Na capital paulista a reali­zação do Carnaval de rua de 2022, apesar de prevista, ainda depende das aprovações dos órgãos de Saúde que avaliam o cenário epidemiológico da pan­demia da covid-19. Lá a prefei­tura recebeu 867 inscrições de desfiles de blocos de rua, os cortejos serão entre os dias 19 de fevereiro e 6 de março.

A origem dos desfiles em Ribeirão
O Carnaval de rua em Ribeirão Preto nasceu com a chegada à cidade, em 1903, do empresário francês François Cassoulet. Ele instalou por aqui, o Cassino Eldorado Paulista, uma casa de shows e diversões que ganhou prestígio e se tornou referência. Na época, ele se tornou o mag­nata das diversões do município.

Naquele ano foram realizados os primeiros desfiles de carros alegóricos que aconteciam nas ruas que hoje formam o quadri­látero central da cidade. Ribeirão Preto tinha na época, uma população de aproximadamente 20 mil habitantes. Vale destacar que os carros alegóricos eram armados em carroças, puxadas por animais fantasiados.

A primeira competição entre escolas de samba aconteceu em 1936, quando dissidentes da Es­cola Bambas formaram o cordão “Meninos e Meninas Lá de Casa”. A estreante foi a vencedora. Em 1957 surgiu a escola Embaixa­dores dos Campos Elíseos e, ao longo desses anos, outras escolas surgiram e marcaram o carnaval ribeirão-pretano. É o caso das extintas Mocidade Independente da Vila Tibério, Chuva de Prata, Palmeirinha e Rosas de Ouro.

Escolas de Ribeirão não desfilam desde 2014
Longe das passarelas desde 2014, quando os desfiles foram suspensos na cidade, as Escolas de Samba que ainda tentam sobreviver em Ribeirão Preto, vi­vem no ostracismo e a única que planeja realizar atividades para a comunidade durante o festejo de carnaval é a Escola de Samba Embaixadores dos Campos Elí­seos, localizada na Vila Mariana, na Zona Norte da cidade.

De vermelho e branco, Imperadores do Samba desfilaram pelo bairro Ipiranga

À frente da agremiação, o carnavalesco Luiz Nascimento, conhecido popularmente como “Nascimento”, diz que a ideia é organizar “roda de samba” para seus associados, mas seguindo religiosamente os protocolos sanitários estabe­lecidos pelas autoridades em relação à covid-19.

Nascimento, que começou no samba como passista mirim aos seis anos de idade -, conta que com o fim dos desfiles de rua na cidade, em 2014, a escola teve que buscar novos caminhos para continuar existindo. Antes da pandemia do coronavírus a agremiação fazia apresentações em casamentos, festas e outros eventos. Mas, com a pandemia tudo acabou sendo cancelado.

Sobre a possibilidade do retorno dos desfiles de rua na cidade, Nascimento se mostra desa­nimado, principalmente em relação ao poder público. Ele garante que em 2018 procurou a Prefeitura para fazer uma apresentação da Escola na Esplanada do Theatro Pedro II, centro da cidade. Mas, não teria encontrado nenhuma receptivi­dade por parte do município.

Já o Grêmio Recreativo Bambas de Ribeirão Preto luta para se reorganizar para depois definir o seu futuro. Criada no dia 10 de março de 1927 como um cordão carnavalesco, com a denomi­nação Sociedade Recreativa Dançante Bambas, transfor­mou-se oficialmente em escola de samba em 1931. Segundo registros históricos é uma das primeiras agremiações carnava­lescas do país.

O pioneirismo, entretanto, não livrou “Os Bambas” de várias intempéries que acabaram fazendo com que sua sede fosse interditada e que as atividades que realizava como aulas de cavaquinho e capoeira, fos­sem paralisadas. Em 2015, a quadra da escola, localizada na avenida Capitão Salomão, no cruzamento com a Via Norte, foi fechada por falta de alvará, pois não tinha o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). A interdição teve como fundamen­tação a falta de segurança para os freqüentadores.

Na época, a diretoria presidida pelo carnavalesco João Bento da Silva, o popular “Seo Santos”, tentou reverter a interdição, mas não conseguiu. Como os seguranças que tomavam conta do local também foram reti­rados por determinação legal, a sede da agremiação acabou sendo destruída por vândalos que roubaram portas, janelas e outros equipamentos. Somente as fantasias e outros materiais utilizados nos desfiles foram salvos, pois já haviam sidos retirados.

Atualmente eles estão guarda­dos na residência de uma das diretoras dos Bambas. Seo San­tos faleceu em 2016 e segundo, membros da escola, muito triste pelo fim dos desfiles de rua na cidade e por ver a sede da esco­la destruída. Na presidência da agremiação desde a morte dele, Maria da Apresentação Ferreira decidiu priorizar a solução dos problemas administrativos e jurídicos da escola.

Último desfile na passarela foi em 2013

Apesar das escolas de samba de Ribeirão Preto terem desfilado em 2014, foi em 2013 a última disputa entre elas. Em 2014 os desfiles aconteceram nas próprias comunidades. Em 2013 elas disputaram o título de cam­peã na “Passarela do Samba”, na avenida Mogiana.

A Escola de Samba Embaixa­dores foi a grande campeã do Carnaval 2013, quando levou para a avenida o tema “Na Fle­cha do cupido, transbordando emoções, Embaixadores exalta o amor”. Em segundo lugar ficou a Imperadores do Samba e em terceiro lugar a escola Falcão de Ouro.

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