Serra é denunciado no ‘caso Rodoanel’

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FÁBIO POZZEBOM/AG.BR

O Ministério Público Fe­deral (MPF) denunciou, nesta sexta-feira, 3 de julho, o ex-go­vernador de São Paulo e atual senador José Serra (PSDB) e sua filha, Verônica Allende Serra, pela prática de lavagem de dinheiro transnacional. Se­gundo a denúncia, entre 2006 e 2007, o tucano “valeu-se de seu cargo e de sua influência políti­ca para receber, da Odebrecht, pagamentos indevidos em tro­ca de benefícios relacionados às obras do Rodoanel Sul”.

“Milhões de reais foram pagos pela empreiteira por meio de uma sofisticada rede de offshores no exterior, para que o real beneficiário dos va­lores não fosse detectado pe­los órgãos de controle”, afirma a Procuradoria-Geral da Re­pública, em nota.

Paralelamente à denún­cia, a força-tarefa deflagrou a Operação Revoada para apro­fundar as investigações em relação a outros fatos conec­tados a esse mesmo esquema de lavagem em suposto bene­fício de Serra. Oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Parte das bus­cas é realizada em endereços ligados ao ex-governador.

As ordens foram expedi­das pela Justiça Federal que determinou ainda o bloqueio de R$ 40 milhões em uma conta na Suíça. Com relação à denúncia, a Lava Jato indicou que as investigações demons­traram que o operador José Amaro Pinto Ramos e Verôni­ca Serra, filha do ex-governa­dor, “constituíram empresas no exterior, ocultando seus nomes, e por meio delas re­ceberam os pagamentos que a Odebrecht destinou ao então governador de São Paulo”.

“Neste contexto, realiza­ram numerosas transferên­cias para dissimular a origem dos valores, e os mantiveram em uma conta de offshore controlada, de maneira ocul­ta, por Verônica Serra até o final de 2014, quando foram transferidos para outra con­ta de titularidade oculta, na Suíça”, indicaram os procu­radores.

A denúncia foi montada com base na delação de nove executivos ligados à Odebre­cht, inclusive o ex-presiden­te do grupo, Marcelo Bahia Odebrecht. Nove procurado­res subscrevem o documento. O PSDB defendeu uma inves­tigação “ampla e irrestrita”, mas afirmou ter “absoluta confiança” no senador José Serra. O partido se manifes­tou por meio de seu perfil ofi­cial no Twitter.

Em nota, Serra disse que “causa estranheza e indigna­ção” a ação deflagrada pela Força Tarefa da Lava Jato. “O senador José Serra reforça a licitude dos seus atos e a inte­gridade que sempre permeou sua vida pública. Ele man­tém sua confiança na Justiça brasileira, esperando que os fatos sejam esclarecidos e as arbitrariedades cometidas devidamente apuradas.”

“Causa estranheza e in­dignação a ação deflagrada pela Força Tarefa da Lava Jato de São Paulo na manhã desta sexta-feira (3) em endereços ligados ao senador José Ser­ra. Em meio à pandemia da covid-19, em uma ação com­pletamente desarrazoada, a operação realizou busca e apreensão com base em fatos antigos e prescritos e após de­núncia já feita, o que compro­va falta de urgência e de lastro probatório da acusação.”

O presidente do Diretó­rio Estadual do PSDB em São Paulo, Marco Vinholi, reafirmou confiança no sena­dor e no esclarecimento dos fatos pela Justiça. “O PSDB de São Paulo defende a am­pla e irrestrita investigação dos fatos sempre que houver questionamentos envolvendo recursos e agentes públicos. Ressaltamos nossa absoluta confiança no senador José Serra, na sua história e con­duta, e na Justiça, onde as ações serão devidamente es­clarecidas.”