Servidor, cidadania, saiba o por quê?

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O servidor público está perplexo ante à ameaça permanente do emagrecimento do Estado. E para que esse fato seja justificado, procura-se fazer com que o maior numero de pessoas aceite de boa-fé essa politica pública destrutiva, sempre anexada à propalada ineficiência de seus servidores, numa artimanha nebulosa que oculta a verdadeira razão da fonte da qual irradiou essa politica, que atinge não só o destino de países, especialmente da América Latina, como o destino de suas populações.

Realmente é de se assustar, porque a avalanche da ideologia do chamado Estado mínimo, que nunca existiu nem existirá, está servindo de pasto a gula dos vendilhões da pátria, que estão desmontando a Petrobrás, que era a garantia de nossa auto-suficiência em petróleo, com a desculpa de que foi a fonte de corrupção de nossa capacidade gerencial, como se tal desgraça não atingisse outros setores, e os demais Poderes, daqui e do mundo, tal como aconteceu recentemente com a prisão de desembar­gadores baianos. O que se exige é combate diário contra a corrupção, inclusive com instituições transparentes, sujeitas ao controle social, para destruir a força da solidariedade corporativa.

Entretanto, não percamos o foco, perguntando para quem trabalham efetivamente os neoli­berais e para onde querem levar o Estado brasileiro que na década de 1990 ingressou na chamada globalização, sem que o Brasil estivesse devidamente preparado, e para começar venderam a Vale do Rio Doce, privatizando-a, e que recentemente acabou com o Rio Doce, como com extensa terra lá de Minas Gerais, que teve mais outra desgraça. Afinal, privatizar coloca na primazia da empresa privatiza o lucro, e para aumentar o lucro, diminui-se a despesa, e para diminuir despesas acabam­-se com os órgãos de fiscalização não só das barragens, ou se procede ao emagrecimento deles.

Assim, é com o Estado, especialmente com o Estado entregue à mentalidade esvaziada de patriotismo, que não sabe o que quer de si para a nação rediviva, e que não tem programa de de­senvolvimento nacional, muito menos autônomo, com o exercício de sua soberania poder investir e fazer a sua poupança interna.

Mas, o tal neoliberalismo nasceu, em 1989, com o chamado Consenso de Washington, quando as nações — diz o Google – imperialistas e poderosas, especialmente os Estados Unidos e o Reino Unido com economistas convidados e a presença do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, decidiram “salvar” especialmente a América Latina, com um receituário imposto política e financeiramente aos países dessa região, incapazes de definir seu destino de prosperidade, oferecendo o receituário da destruição dos Estados nacionais, e da maior pobreza generalizada, inclusive no interior dos próprios países ricos, desenvolvidos e imperialistas.

Se a crise de 2008, que fez o Estado norte-americano intervir fundamente, não foi suficiente para alertar os brasileiros da perversidade dessa dominação financeira, a pandemia reitera a necessidade de um Estado organizado, sempre sendo reformado, para atender as reais necessidades sociais.

Mas, a fonte desse tsunami, traduzido em vassalagem civil e militar, para o Brasil e os países do continente, está no Google, para qualquer pessoa assumir sua consciência da realidade.

Quais os objetivos e recomendações do Consenso de Washington, representados por Ronald Reagan e Margaret Thatcher?

Ei-los:
a) “ Reforma fiscal: promover profunda alteração no sistema tributário (arrecadação de im­postos) no sentido de diminuir a tributação das grandes empresas, para que elas aumentassem seus lucros e seu grau de competitividade;

b) Abertura comercial: proporcionar o aumento das importações e das exportações através das tarifas alfandegárias;

c) Política de privatizações: reduzir ao mínimo a participação do Estado na economia, no sentido transferir a todo custo as empresas estatais para a iniciativa privada;

d) Redução fiscal do Estado. Reduzir os gastos do Estado, através do corte em massa de fun­cionários terceirizados, o maior numero de serviços, e a diminuição das leis trabalhistas e do valor real dos salários, a fim de cortar gastos por parte do governo e garantir arrecadação suficiente para pagamento da divida pública.

O governo que se recusasse a cumprir tais normas encontrariam dificuldade para receberem investimentos externos e ajuda internacional dos Estado Unidos e do FMI” (Publicado por Rodolfo F. Alves Pena).

É por isso que Paulo Guedes falou que com a reforma de previdência o investimento externo que “está aí” à porta, entraria correndo. E, assim para qualquer reforma ou privatização o papo é sempre igual.

E o Brasil, na década de 1980, teve desorganizada sua economia, com o inicio da sua desin­dustrialização. A causa foram os juros extorsivos da divida externa, cuja taxa era decidida pelos credores, unilateralmente, e que eles a aumentaram de 5% para 20% (vinte por cento).

De lá para cá só cresceu a nossa vassalagem, e nos dias atuais tomou forma de mediocridade absoluta, e entrega sem estar ofegante, assim tranquila.

Mas, o investimento externo está ali. Olhe a fotografia. Paulo Guedes falou. Só que se depender disso o Brasil continuará vassalo.

Na verdade, o livro Pilhagem-Quando o Estado de Direito é ilegal (unif/martins fontes, 2013), de Ugo Matei, professor de Direito Internacional e Comparado da Universidade da Califórnia, e de Hastings, e de Turim, e a co-autora Laura Nader, professora de antropologia da Universidade da California, tem um capitulo significativo com o titulo – Neoliberalismo, o motor da economia da pilhagem”.