Tabagismo: qual o custo desse prazer?

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Após a fome, o tabagismo é a principal causa de mortalidade no mundo. O Banco Mundial estima que ele custa200 bilhões de dólares anualmente à economia global. Além disso, o cigarro mata muito mais que o álcool e as drogas ilícitas juntas. No ano 2000 ele foi o responsável pela morte de cerca de 5 milhões de pessoas mun­dialmente, versus quase 2 milhões de óbitos decorrentes do abuso de bebidas etílicas e 200.000 pelo consumo de drogas ilícitas. Somente no Brasil são registradas 100.000 mortes por ano em decorrência do tabagismo, sendo 274 por dia, 12 por hora e uma a cada 5 minutos.

Dr. Antonio Ruffino Netto, médico aposentado e Professor do Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), explica que pela combustão do tabaco são liberadas 4.720 substâncias diferentes, grande número delas sen­do fator para 56 patologias. “A maioria destas doenças está ligada ao aparelho cardiorrespiratório”, diz. Alguns exemplos são câncer, enfisema pulmonar, pneumonia, angina, coronariopatias, infarto do miocárdio, morte súbita cardíaca, arteriosclerose, acidente vascular cerebral, dentre outros.

Sem dúvida alguma, trata-se de um problema de saúde pública. Com a aproximação do Dia Nacional de Combate ao Fumo, come­morado em 29 de agosto, é válido “falar” sobre o tema.
A nicotina, encontrada em todos os derivados do tabaco (ci­garro, charuto, cachimbo, cigarro de palha, narguilé, entre outros) é a droga que causa dependência no fumante. Essa substância é psicoativa, ou seja, produz a sensação de prazer, o que pode induzir ao abuso e à dependência.

Quando inalada, a nicotina produz alterações no sistema nervo­so central. Isso leva a uma alteração no estado emocional e com­portamental dos indivíduos, semelhantemente ao que ocorre com o consumo da cocaína, heroína e álcool. Diversos neurotransmissores (substâncias) são liberados depois que a nicotina atinge o cérebro. São eles os responsáveis por estimular a sensação de prazer que fa­zem com que o fumante perpetue o hábito. Com o passar do tempo, o cérebro requer doses cada vez maiores para manter o mesmo nível de satisfação que tinha no início.

Além das questões fisiológicas, fumar é um ato social. Muitos dos que têm o hábito começaram cedo. As razões para o terem feito são multifatoriais. Para fazer parte de um grupo a pessoa segue os mesmos comportamentos e fumar pode ser um deles. Para refor­çar isso ainda tem a propaganda da indústria do cigarro, que tenta seduzir o consumidor.

Uma pesquisa encomendada pela Philip Morris (PM), gigante americana da indústria do tabaco, ressalta os benefícios econômicos por trás das vendas desse produto. O cigarro ajudaria as pessoas a morrerem mais depressa, mais cedo e, portanto, permitiria ao Esta­do economizar recursos que teria que gastar para recuperar a saúde daqueles fumantes (que justamente ficaram doentes em virtude do uso do tabaco). “Além de economizar não gastando com doenças ta­baco associadas, pouparia também não tendo que financiar aposen­tadorias prolongadas. Seria a vantagem da morte precoce”, lamenta Dr. Ruffino, que também se diz indignado com tamanha desfaçatez desta justificativa dada pela PM. Isso explicaria também os valores investidas na publicidade.

Embora nos dias atuais as pessoas tenham mais acesso a infor­mações sobre os malefícios do tabagismo, o professor acredita que o problema pareça ser maior, pois o conhecimento que se deve ter sobre isso não pode se limitar ao aspecto cognitivo; é necessário que se atue também nas esferas afetiva e sensitiva. “Evidentemente, como problema de saúde pública, é preciso que o tabagismo seja contro­lado por meio de ações coletivas, como programas de prevenção e tratamento. No entanto, é indispensável a orientação pessoal, envol­vendo conhecimentos dos aspectos antropológicos, como as crenças e valores associados ao tabaco”, conclui.

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