Taxa da vergonha

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Eu sinceramente acredito que tudo não passa de um grande engano. O prefeito Duarte Nogueira deve ter ouvido alguém protestando na rua e ter entendido de forma errada a situação. Ele deve ter escutado algum comerciante ou funcionário de bar gritando que ele precisava “tirar Ribeirão do vermelho” e ter dito uma ideia genial. Imagino a cena dele subindo as escadas do Palácio Rio Branco com o pensamento fixo de mudar essa situação. Então veio a canetada: criar mais imposto.

Brincadeira à parte, o que não faz nenhum sentido é a po­pulação de Ribeirão Preto ter que enfiar mais uma vez a mão no bolso no momento de maior crise das últimas décadas. Como uma cidade que está na Fase Vermelha, com todo o comércio fechado por conta do coronavírus pode pedir ainda mais da população.

É isso mesmo que Nogueira está fazendo. Ele quer que os microempreendedores, que nem sabem quando poderão voltar a trabalhar de forma constante, paguem para emitir nota fiscal. Com a desculpa de desburocratização, que o siste­ma será ainda melhor, ele fará com que a emissão que hoje e gratuita seja paga pelo contribuinte, por quem gera riquezas para a nossa cidade. Ele está pedindo que todos àqueles que estão encarando os terríveis efeitos da crise da pandemia da covid-19 deem ainda mais. Isso depois que o mesmo Duarte Nogueira se recusou a suspender o pagamento de impostos, como IPTU e ISS. Contraditório, não é?

A escolha de onerar ainda mais a população, por si só, já causa uma revolta gigantesca. Mas, como as trapalhadas do governo sempre parecem vir ao monte, ela se junta a outro aspecto muito duvidoso: a idoneidade da empresa contrata­da. Quem vai gerenciar o sistema é alvo de investigações em diversas cidades. Um dos sócios já chegou a ser detido. O que será que espera os ribeirão-pretanos? O caso já acendeu a luz de alerta e foi levado para a Justiça. Tudo com o intuito de evitar prejuízos irreparáveis.

Infelizmente essa atitude em meio a pandemia se junta a uma séria de decisões do governo que vão contra o que todos defendem. Enquanto se discute ajuda ao povo, Ribeirão Preto nega suspensão de impostos e cria outras cobranças. Em vez de investir contra os efeitos da pandemia, a prefeitura tem mais de R$ 40 milhões sem usar e, quando gasta, assina contratos duvidosos, como o que vai garantir mais de R$ 1 milhão para uma empresa de ambulâncias de um amigo do prefeito Duarte Nogueira, ou repassa R$ 12 milhões para cobrir rombo da previdência.

O que fica claro diante de todo esse panorama é que Ribei­rão Preto, a cidade que está há mais tempo com o comércio fechado, segue sem nenhum rumo. No próximo balanço do Estado, com as mudanças de cálculo feitas, a cidade voltará a ter a permissão para abrir alguma coisa. Essa mudança parece mais quando o governo do PSDB aprovou a progressão con­tinuada na Educação do Estado. O aluno que não conseguia boa nota, passava de ano mesmo assim. É isso que Doria está fazendo com Nogueira. Mudando os critérios para, quem sabe, ele conseguir um diplominha. Vale lembrar que, nas eleições, a aprovação precisa ser outra.

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