FOTOS: ALFREDO RISK

Em seu segundo mandato como vereador, Paulo Modas (Pros) acredita que as próximas eleições muni­cipais para o Legislativo, previstas para 4 de outubro do próximo ano, serão as mais diferentes de todos os tempos. Isso em função do fim das coligações nas eleições proporcionais.

Em entrevista ao Tribuna, o parlamentar justifica as dificuldades enfrentadas pela atual administração municipal, segundo ele, provocadas pelos problemas deixados pelo gestão anterior. Contudo, garante que isso não exclui a responsabilidade do atual governo em relação ao que chama de “muitos pontos críticos e obstáculos” que existem na cidade. “O administrador precisa ser criativo”, afirma Paulo Modas.

Tribuna Ribeirão – A ul­tima eleição municipal teve como ingrediente a Operação Sevandija que tirou de cena e levou para a cadeia antigos políticos da cidade. O senhor acredita que nas próximas eleições ainda haverá resquí­cios da Sevandija?
Paulo Modas – Em função da Sevandija a população está mais atenta na escolha de seus representantes e acompanhan­do mais o trabalho dos parla­mentares que estão na ativa. Penso que na próxima eleição, o eleitor vai se preocupar em traçar um diferencial político dos candidatos, mediante o exercício do vereador ao longo do mandato, e o seu desem­penho frente ao ato de fiscali­zar e cobrar ações do governo. Acompanhar se os recursos do município estão sendo devida­mente aplicados pelo Executivo para a promoção do bem-estar e qualidade de vida da popula­ção da população, entre outras cobranças importantes para o desenvolvimento da cidade. Será uma eleição das mais dife­rentes de todos os tempos, jus­tamente porque se estará ten­tando um novo formato, sem coligações nas eleições propor­cionais. Quanto aos vereadores investigados, é preciso aguar­dar o desfecho dos processos que ainda estão tramitando e que precisam ser julgados pela Justiça, para que não haja julga­mento precipitado.

Tribuna Ribeirão – Em re­lação aos vereadores de outras legislaturas qual é o diferencial da atual Câmara?
Paulo Modas – A Câmara atual tem desempenhado um papel principalmente voltado para as questões sociais e da cidade. Acredito que nessa legislatura, os parlamentares têm tido a preocupação de ver os fatos acontecerem. A cida­de é de todos e para todos. As cobranças estão sendo feitas freqüentemente no que diz respeito à saúde, condições das unidades de atendimento, Educação, asfalto, saneamen­to básico, com o objetivo de melhorar o município de Ri­beirão Preto. Como parte des­sa população e representantes dela, tenho acompanhado e cobrado o Poder Executivo constantemente para que to­dos os serviços sejam presta­dos à população.

Tribuna Ribeirão – Afir­ma-se que por ser formada em sua maioria por vereado­res jovens e em primeiro man­dato, a atual Câmara acaba cometendo alguns equívocos políticos. O senhor concorda com esta afirmação?
Paulo Modas – Não existe uma fórmula para ser verea­dor. Alguns assuntos têm tra­zido debates acalorados para a nossa Câmara Municipal. Isso é positivo e faz parte do parlamento. Também temos a responsabilidade com a Cons­tituição Federal, Lei Orgânica do Município entre outras. Sabemos que houve uma boa mudança, mais da metade, na Câmara atual. São vereadores na maioria, mais jovens do que os que estavam. Porém, conscientes que só com no­vas mudanças os desafios por uma cidade melhor serão al­cançados. Acredito que cada um tem seu jeito de lidar com a função e cada experiência contribui para busca de solu­ções para os inúmeros proble­mas apontados no município. Em 2016, o movimento, a si­tuação, trouxe essa alternância de poder que é um dos funda­mentos para a democracia.

Tribuna Ribeirão – Quais são seus principais projetos como vereador?
Paulo Modas – Tenho reali­zado um trabalho intenso com a fiscalização das contratações do município. A função prin­cipal da vereança é fiscalizar. Um dos eixos que mirei foi o Daerp, onde foi instalada a CPI do “Tapa Buraco”, que por muitas vezes foi noticiada pelo Jornal Tribuna. Esse trabalho foi para apurar os critérios uti­lizados nos serviços executados pela operação Tapa Buracos da Prefeitura, no reparo e na repo­sição asfáltica desses buracos. A finalidade foi entender o processo do serviço executado e se o dinheiro investido cor­respondia com a quantidade e qualidade do serviço prestado. O que acabamos por descobrir muitas irregularidades na exe­cução desse contrato e que fo­ram levantadas tanto pela CPI que fui o presidente, como pela perícia judicial que foi realiza­da para essas constatações. Fo­quei na autoria de projetos vol­tados para a transparência das ações do Poder Público, que viraram lei. Entender e saber no que o dinheiro público está sendo empregado e se está sen­do utilizado de maneira justa e de forma correta.

Tribuna Ribeirão – O se­nhor foi o relator da CPI do Transporte Público?
Paulo Modas – Fui. A CPI apurou muitos descumpri­mentos tanto pelo Consórcio vencedor da concorrência como também por parte do Poder Público Municipal. Atualmente sou presidente da CEE que analisa e estuda a uti­lização dos antigos prédios da CETERP e com esse trabalho pretendemos que os prédios que estão localizados em áre­as públicas (praças) voltem para o Município para serem utilizados pela Administração como equipamento social, servindo de posto de saúde, creches, quiçá, até escolas. Sou autor de projetos voltados para atendimento prioritário de pessoas diagnosticadas com câncer, pacientes transplanta­dos; o boletim escolar da rede municipal também foi propo­sição de minha autoria; vagas destinadas a gestantes e pesso­as com criança de colo nos hi­permercados, supermercados. Para saber mais sobre meu tra­balho acesse as mídias sociais facebookpaulomodas ou na Câmara Municipal.

Tribuna Ribeirão – Como o senhor analisa a atual adminis­tração municipal?
Paulo Modas – É de co­nhecimento de todos que a atual administração recebeu a cidade com muitos proble­mas. Mas isso não a exclui da responsabilidade dos muitos pontos críticos e obstáculos, que ainda temos em nossa cidade. O administrador pre­cisa ser criativo e agir dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal. Vejo um grande déficit em nossa Saúde ainda, bem como, na Educação.

No que rege as políticas pú­blicas voltadas para as pessoas com deficiência, está havendo alguns avanços, mais ainda pre­cisamos colocar como priorida­de o atendimento das normas ao que prescreve o Estatuto da Pes­soa com Deficiência. Tenho um trabalho antigo, antes de estar vereador ao qual me traz muita responsabilidade social e me en­che de alegria: a dedicação é diá­ria às famílias que estão com seus familiares acamados, necessitan­do de cadeiras de rodas, cadeiras de banho, andadores, muletas, camas hospitalares, atendimento médico, etc.

São equipamentos que a Prefeitura não disponibiliza para a população, o que tem feito com que eu lute, cobrando por esse tipo de serviço na cida­de. As alternativas dessas pes­soas são comprar ou alugar. Al­gumas famílias têm condições, mas a grande maioria não tem o que acaba por inviabilizando e comprometendo o orçamen­to familiar delas. O horizonte que enxergo, é que mesmo em pequenas escalas, temos encon­trado o rumo e o impulso para irmos para a frente. Acredito que em um período mais dis­tante, ou até mesmo imediato, já na próxima administração, encontraremos uma cidade com suas contas mais equili­bradas, e aí sim, acredito que enquadraremos nossa cidade no patamar que ela merece.

Tribuna Ribeirão – Com o fim das coligações proporcio­nais nas próximas eleições para vereador, o senhor pode deixar o PROS, partido pelo qual se elegeu. Isso pode acontecer?
Paulo Modas – O PROS é o partido pelo qual fui eleito. Na eleição de 2016 foi feita uma chapa com 41 candidatos, sen­do quarenta do partido e um candidato da coligação. Defen­do um sistema mais justo, que é o sistema de voto distrital misto. O partido tem passado por algumas transformações desde sua fundação em 2013. Fui o fundador aqui na cidade, dirigindo o diretório municipal por três anos, o que me tornou uma referência, tanto aqui na cidade, como na Região Metro­politana. Confesso que já recebi vários convites de outros diri­gentes de partidos e é sempre bom saber que despertamos in­teresse e que temos algo a agre­gar na formação desses ideais.

Tribuna Ribeirão – Ser vere­ador era o que o senhor espera­va ou imaginava?
Paulo Modas – Sou um ve­reador que representa a popula­ção mais vulnerável, que está lo­calizada em diversos bairros da cidade. Nesses locais fiz muitos amigos ao longo desses anos. Confesso que já havia recebido convites para me filiar em siglas partidárias. Mas ainda não es­tava 100% com esta decisão, de me tornar um membro, e quem sabe até vereador. Pela minha atividade empresarial, nas mais de cinco lojas que administrei por mais de trinta anos, sempre tive muito contato com pessoas, com o público em geral, e isso não é diferente como vereador. O vereador está todos os dias com pessoas e elas gostam des­se contato. É o político que está mais próximo da população e é preciso estar muito atento para o que as pessoas falam, pedem, reclamam, elogiam. Você é um Ouvidor Público e representan­te da população.

Tribuna Ribeirão – O se­nhor é favorável à redução para vinte e dois vereadores na pró­xima Legislatura?
Paulo Modas – Sou favorá­vel a manutenção das 27 cadei­ras que hoje existem. O Poder Legislativo precisa ser forte. Precisa buscar a confiança da sociedade. Porque é ele que re­presenta a voz da sociedade lo­cal. Diminuir cadeiras é sinal de enfraquecimento deste Poder, e quem perde é a sociedade/po­pulação com a diminuição de seus representantes. A cidade cresceu e crescerá muito ain­da, tanto em número de habi­tantes como em extensão. A atual composição está dentro do que a Constituição Federal determina. Diminuir o núme­ro de vereadores não significa diminuir gastos. Vejamos, nas legislaturas anteriores os gastos da Câmara eram muito maio­res chegando ao exagero. Com algumas medidas de economia tomadas a Câmara tem feito uma excelente contribuição ao Município. Mas, defendo que deva haver mais participação da sociedade nas audiências e reuniões públicas promovidas pelo poder público, na forma­ção e discussão das leis, na fis­calização do dinheiro público, dos investimentos feitos pelo Poder Público.

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