Vacina – CoronaVac chega à fase final

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GOVERNO DE SÃO PAULO

O governo de São Paulo e o Instituto Butantan confirma­ram nesta segunda-feira, 23 de novembro, que o estudo clínico da CoronaVac chegou à fase fi­nal e os resultados sairão já na primeira semana de dezembro. A previsão é que 46 milhões de doses estejam disponíveis no Brasil até janeiro de 2021.

Isso será possível porque o estudo clínico alcançou o pata­mar necessário para abertura da pesquisa e análise da eficá­cia da vacina. Até o momento, 74 voluntários se infectaram, número superior ao mínimo requerido para esta etapa, que previa ao menos 61 participan­tes contaminados.

Os resultados serão enviados pelo Comitê Internacional inde­pendente na primeira semana de dezembro para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analise o relatório para verificação da vacina desenvol­vida pelo Butantan em parceria internacional com a biofarma­cêutica Sinovac Life Science.

“A celeridade do Instituto Butantan, também por essa expertise de produção consa­grada de vacinas, pode per­mitir que a CoronaVac seja a primeira disponível para nossa população. Só com a vacina vi­veremos o nosso normal”, diz o secretário de Estado da Saúde Jean Gorinchteyn.

“Até então, precisamos lem­brar que estamos em quarente­na e todo comportamento deve ser responsável, mantendo todas as regras sanitárias, dis­tanciamento social e utilizan­do máscaras. Conclamamos as pessoas para colaborar com as medidas ao controle e combate da pandemia”, afirma.

Coordenado pelo Instituto Butantan, os testes envolvem 13 mil profissionais de saúde em 16 centros de pesquisa de São Paulo, Rio de Janeiro, Mi­nas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Fede­ral. Até o momento, mais de dez mil pessoas já receberam ao menos uma das duas doses da vacina ou placebo.

Na região, participam dos testes o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP/USP) e o Hospital do Amor, em Barre­tos. O HC já finalizou a primei­ra fase de testes da nova vacina contra o coronavírus. Foram se­lecionados 300 voluntários. No total, são 13 mil voluntários en­volvidos nos estudos no Brasil.

Na última quinta-feira (19), o primeiro lote com 120 mil do­ses chegou a São Paulo, tornan­do o Brasil o primeiro país da América Latina a receber uma vacina contra o coronavírus. A expectativa do governo do Esta­do é que o Butantan obtenha a aprovação da Anvisa ao imuni­zante até janeiro de 2021.

Até janeiro, o Butantan es­pera deter 46 milhões de doses da vacina. Como o processo de produção deste tipo de imuni­zante é bastante similar ao dos demais fabricados e desenvolvi­dos pelo instituto paulista, uma campanha de vacinação poderá começar tão logo a CoronaVac seja registrada pela Anvisa.

“Estamos muito próximos de ter uma vacina disponível para o Programa Nacional de Imunizações. Esperamos que haja incorporação dessa va­cina, que é mais uma do Bu­tantan. Essas notícias colocam nossa vacina como a mais pró­xima de utilização aqui no Bra­sil”, diz Dimas Covas, diretor do Butantan.

“Cada dia com vacina faz diferença. Estamos aqui pra dar celeridade nesse processo e es­peramos cooperação tanto da Anvisa quanto do Ministério da Saúde porque isso aqui se trata de uma situação emergencial e de salvar vidas”, emenda.

A pesquisa utiliza o mode­lo duplo cego, em que metade dos voluntários recebe doses de vacina, enquanto os demais um placebo sem eficiência contra a doença. Com a abertura do estudo, será possível identificar quantos voluntários contamina­dos estavam ou não protegidos pelo imunizante.

A vacina do Butantan é considerada uma das mais promissoras em comparação a outros imunizantes em fase de testes. No dia 17, os resultados da fase anterior de estudos clí­nicos da CoronaVac foram pu­blicados pela revista científica Lancet, uma das mais impor­tantes do mundo. A publicação mostrou que a vacina é segura e tem capacidade de produzir resposta imune no organismo 28 dias após sua aplicação em 97% dos casos.

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