Vendas do comércio varejista caem 0,1%

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ALFREDO RISK/ARQUIVO

Em dezembro, o descom­passo no ritmo da inflação percebida pelos mais pobres
O volume de vendas do co­mércio varejista nacional caiu 0,1% em novembro de 2020. Apesar da estabilidade, o recuo interrompeu o ritmo de seis meses consecutivos de cresci­mento com ganhos acumula­dos de 32,2%. Se comparado ao mesmo mês do ano anterior, há uma desaceleração.

Saiu de alta de 8,4% em outubro para 3,4% em novem­bro. Ainda assim, o setor está 7,3% acima do patamar pré­-pandemia. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta sexta­-feira, 15 de janeiro, pelo Ins­tituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O IBGE aponta a queda no consumo de alimentos como principal responsável por frear a sequência de altas do setor. A pesquisa indicou que cinco das oito atividades investigadas cres­ceram em relação ao mês ante­rior, entre elas a de livros, jornais, revistas e papelaria (5,6%).

A alta também foi consta­tada em tecidos, vestuário e calçados (3,6%), equipamen­tos e material para escritório, informática e comunicação (3,0%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de per­fumaria e cosméticos (2,6%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,4%).

Hipermercados, supermer­cados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-2,2%), setor com peso de cerca de 45% no índice geral, recuaram. Para o gerente da PMC, Cristiano Santos, as quedas de 2,2% em relação a outubro e de 1,7% em relação a novembro de 2019 no volume de vendas dessa ativi­dade refletem a inflação.

Combustíveis e lubrificantes (-0,4%) e móveis e eletrodomés­ticos (-0,1%) também caíram. Santos destaca também que o resultado do período sofreu influência da Black Friday. A promoção impactou principal­mente as atividades de outros artigos de uso pessoal, móveis e eletrodomésticos, além de equi­pamentos de escritório, infor­mática e comunicação.

Móveis e eletrodomésticos (11,6%) e artigos farmacêuticos, medicinais, ortopédicos e de per­fumaria (7,7%) são as atividades que somam maiores índices no comércio varejista no acumulado de 2020. No período, o índice ge­ral apresentou alta de 1,2%.

Varejo ampliado
Conforme a PMC, o comér­cio varejista ampliado, que inclui as oito atividades de varejo, e ainda a de veículos, motos, par­tes e peças e material de cons­trução, continuou avançando e anotou a sétima alta no volume de vendas. Em novembro subiu 0,6% em relação ao mês anterior.

Na comparação com o mes­mo mês em 2019, o setor regis­trou a quinta taxa positiva com aumento de 4,1%, após a alta de 6,1% em outubro. O IBGE ob­serva que o varejo ampliado já estava em novembro 5,2% aci­ma do patamar de fevereiro, ou seja, antes da pandemia. A ven­da de veículos acumula queda de 15,1% no ano, enquanto os materiais de construção regis­traram um avanço de 10,1%.