A Bolívia, localizada no centro-oeste da América do Sul, é um país que faz fronteira com o Brasil ao norte e leste, com o Paraguai e a Argentina ao sul, e com o Chile e Peru a oeste. Integrando o império Inca antes da colonização europeia, foi invadida e conquistada pela Espanha no século XVI, sendo então chamada de Alto Peru ou Charcas, ficando sob a administração do Vice-Reino do Peru, tal qual ocorria com grande parte das colônias espanholas sul-americanas. Em 1809, declarada sua inde­pendência, esteve em guerra durante dezesseis anos até se estabelecer como república pelas mãos de Simón Bolívar, em 1825. Desde então, seu território tem sido marcado por instabilidades na política, nas ditaduras e nos problemas econômicos enfrentados.

República democrática, é dividida em nove departamentos (Beni/ capital Trinidad, Chuquisaca/capital Sucre, Cochabamba/capital de mesmo nome, La Paz/capital de mesmo nome, Oruro/capital de mesmo nome, Pando/capital Cobija, Potosí/capital de mesmo nome, Santa Cruz/capital Santa Cruz de la Sierra e Tarija/capital de mesmo nome). Geograficamente, possui duas regiões distintas, o altiplano a oeste e as planícies do leste, cuja parte norte pertence à bacia Amazô­nica e a parte sul à Bacia do Rio da Prata, da qual faz parte o Chaco boliviano. País em desenvolvimento, apre­senta um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) médio e uma taxa de pobreza que atinge cerca de 60% da população. Dentre suas principais atividades econômicas, destacam-se a agricultura, a silvicultura, a pesca, a mineração e bens de produção como tecidos, vestimentas, metais refinados e petróleo refinado, com desta­que para os minerais, especialmente o estanho, do qual é muito bem provida. Com uma população estimada em 10 milhões de habitantes, é multiétnica, reunindo em seu solo ameríndios, mestiços, europeus, asiáticos e africanos. Tendo por idioma oficial o espanhol, este convive com as línguas faladas aimará e quíchua e mais 34 línguas indígenas oficiais. O reflexo desse elevado número de hibridismo cultural podendo ser encontrado em sua arte, música, arquitetura, culinária e literatura.

Fortemente influenciada pelos quíchuas, aimarás, bem como, pelas culturas populares da América Latina como um todo, a Bolívia busca preservar e proteger tal herança cultural, com destaque, por exemplo, para a “Diablada”, dança tradicional do Carnaval de Oruro, e um Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade desde 2001. Neste contexto, merece destaque a arte religiosa espanhola tradicional, que, nas mãos de construtores e artesãos indígenas e mestiços locais, rece­beu um estilo rico e distinto na arquitetura, pintura e escultura, o qual ficou conhecido como “Barroco Mestiço”, seguida da música religiosa boliviana barroca, nativa do período colonial, que foi recuperada com grande êxito e reconhecimento internacional. Na arquitetura, edifícios construídos com grandes blocos de pedra, esculpidos pelos incas, como os palácios da Isla del Sol e o forte militar de Samaipata e Incallajta, são reconhecidos como Patrimônio Mundial pela UNESCO, abrigando um dos sítios arqueológicos mais importantes do país. A pintura boliviana, por sua vez, iniciou-se na arte rupestre de povos nativos.
Atualmente, existem mais de mil locais com arte rupestre que correspondem a diferen­tes períodos como paleoamericano, pré-inca, inca, colonial e republicano. Sua arte contemporânea tem focado o homem urbano e a crítica social. Na escultura, figuras esculpidas, acrescidas de curvas estilizadas, trabalha­das em ônix, granito preto, alabastro, e outros, simbolizam as mulheres, um dos temas centrais da arte boliviana. A culinária boliviana deriva da combinação da culinária espanhola com ingredientes indígenas e tradi­ções aimarás, entre outras, com influências posteriores de alemães, italianos, franceses e árabes em função da chegada de imigrantes desses países. Os produtos tradicionais da culinária boliviana são milho, batata, quinoa e feijão. Esses ingre­dientes foram combinados com uma série de alimentos básicos trazidos pelos espanhóis, como arroz, trigo e carne, incluindo boi, porco e frango. De modo geral, difere por localização geográfica.

A literatura na Bolívia, a despeito da turbulência política nacional, tem, como escritores mais antigos, Adela Zamudio, Oscar Alfaro e Franz Tamayo, que continuam a ser relevantes. De tradição oral relevante, rica em mitos, lendas e histórias, tem, entre outros, Nataniel Aguirre, Oscar Alfaro, Víctor Hugo Arévalo Jor­dán, Alcides Arguedas, Alcira Cardona, Oscar Cerruto, Armando Chirveches e Adolfo Costa du Rels como destaque.