O forte temporal que atingiu Ribeirão Preto na madrugada desta sexta-feira (24) provocou a morte de um idoso de 90 anos, deixou uma pessoa ferida, causou queda de centenas de árvores, falta de energia elétrica em diversas regiões, suspensão das aulas da rede municipal, paralisação de hospitais, comprometimento do abastecimento de água e uma série de transtornos no trânsito. A cidade registrou rajadas de vento de até 70 km/h e cerca de 24 milímetros de chuva em apenas 20 minutos, deixando um rastro de destruição e mobilizando uma força-tarefa da Prefeitura.
Segundo a administração municipal, o idoso, morador do bairro Salgado Filho, na zona Norte, morreu após o desabamento da residência onde estava durante o temporal. Em outra ocorrência, um desabamento na Avenida Bandeirantes deixou uma vítima ferida, que foi socorrida e encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Virgínia.
De acordo com a Defesa Civil, os ventos de até 70 km/h foram registrados às 5h40 pela estação meteorológica do Aeroporto Leite Lopes, mas a intensidade pode ter sido ainda maior em alguns bairros. Em apenas 20 minutos foram registrados aproximadamente 24 milímetros de chuva, volume considerado muito forte. Antes da tempestade, o acumulado de precipitação no mês de julho era de apenas 1 milímetro.
O impacto foi imediato. Árvores e galhos caíram em diversos bairros, bloqueando ruas e avenidas. A Avenida Nove de Julho teve trechos interditados, assim como outras importantes vias da cidade. Na Avenida Caramuru, além da queda de galhos sobre a pista, parte da fachada de um estabelecimento comercial desabou.
O Corpo de Bombeiros contabilizava, até o fim da manhã, cerca de 250 ocorrências, a maioria relacionada à queda de árvores, número que seguia aumentando ao longo do dia.
A mobilidade urbana também foi severamente afetada. Mais de 50 semáforos ficaram desligados ou foram danificados pela falta de energia, exigindo atuação da RP Mobi e provocando congestionamentos em diferentes pontos da cidade. Em vários locais, tampas de bueiros e de poços de visita foram deslocadas pela força da enxurrada, aumentando o risco de acidentes.
Energia e abastecimento comprometidos
Os danos à rede elétrica agravaram ainda mais a situação. Segundo a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), três subestações ficaram fora de operação e 14 torres de transmissão foram atingidas pelos ventos.
A concessionária informou que trabalhava para restabelecer uma das subestações ainda nesta sexta-feira e providenciava geradores para manter em funcionamento as bombas responsáveis pelo abastecimento de água.
Dos 123 poços artesianos que abastecem Ribeirão Preto, 39 ficaram paralisados por falta de energia elétrica, comprometendo o fornecimento de água em diversos bairros.
Além disso, 117 escolas da rede municipal ficaram sem energia, levando a Prefeitura a suspender as aulas nesta sexta-feira.
Hospitais operam em situação de emergência
A rede hospitalar foi uma das mais atingidas.
A Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas sofreu danos provocados pelo vendaval e precisou interromper temporariamente o recebimento de pacientes, obrigando a reorganização dos atendimentos de urgência na cidade.
No Hospital Santa Lydia, uma árvore bloqueou a rua de acesso à unidade. O hospital passou a operar com geradores após a interrupção do fornecimento de energia e também registrou infiltrações e entrada de água provocadas pela enxurrada.
Segundo a Prefeitura, Ribeirão Preto contava com apenas 13 leitos hospitalares disponíveis durante a manhã, situação que levou a administração municipal a anunciar medidas emergenciais para ampliar a capacidade de atendimento.
Estruturas destruídas
O temporal também provocou o desabamento da estrutura de um centro de treinamento na Avenida Antônio e Helena Zerrener, na Vila Amélia. Uma pessoa foi socorrida com vida.
O Centro POP sofreu graves danos estruturais, com queda de parte do telhado, e teve as atividades suspensas para avaliação técnica.
Como medida preventiva, a Prefeitura disponibilizou a Cava do Bosque e escolas municipais para acolher possíveis famílias desalojadas ou desabrigadas.
Alerta já previa temporais
A Defesa Civil do Estado de São Paulo acompanhava desde quarta-feira (22) a chegada de uma frente fria e havia emitido alerta para pancadas de chuva, raios e ventos fortes entre quinta-feira (23) e sexta-feira (24).
Às 5h31 desta sexta-feira, um novo alerta via SMS foi enviado para moradores da região de Ribeirão Preto diante da intensificação das condições meteorológicas.
Além de Ribeirão Preto, municípios como Pradópolis, Dumont, Guariba, Barrinha e Taquaritinga também registraram ocorrências relacionadas à queda de árvores, destelhamentos, interrupção no fornecimento de energia elétrica e danos estruturais. Em Pradópolis, uma estação meteorológica registrou rajada de vento de 121 km/h.
Força-tarefa e gabinete de crise
Equipes da Defesa Civil, Guarda Civil Metropolitana, Corpo de Bombeiros, RP Mobi, Infraestrutura, Zeladoria e demais secretarias municipais permanecem mobilizadas para desobstrução das vias, remoção de árvores, recuperação dos serviços essenciais e atendimento às ocorrências.
Em razão dos estragos, a campanha de vacinação que seria realizada neste sábado (25) foi suspensa e terá uma nova data divulgada posteriormente.
Durante a manhã, o prefeito Ricardo Silva instalou um gabinete de crise e assinou decreto de emergência para coordenar as ações de resposta aos impactos do temporal e acelerar a recuperação da cidade.










