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Turismo em alta

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O avanço de 37% no número de turistas estrangeiros que visitaram o Brasil em 2025, apontado pelo relatório da ONU Turismo, é um dado expressivo. Em um cenário global de retomada ainda desigual após a pandemia, o país não apenas recuperou fluxo, como superou a meta do Plano Nacional de Turismo ao receber 9,3 milhões de visitantes internacionais. O resultado recoloca o Brasil no mapa dos grandes destinos e confirma o potencial do setor como motor econômico.

Os números dialogam com outros indicadores oficiais. Dados do Banco Central mostram que a receita cambial do turismo voltou a crescer em 2025, aproximando-se dos níveis pré-pandemia. O Ministério do Turismo estima que o setor responda por cerca de 8% do PIB e empregue direta ou indiretamente mais de 7 milhões de brasileiros. Em tese, trata-se de um ciclo virtuoso: mais turistas, mais empregos, mais arrecadação.

Mas o entusiasmo precisa de cautela. O Brasil ainda recebe menos visitantes do que países como México e República Dominicana e permanece distante dos grandes destinos europeus. Parte do crescimento reflete uma base historicamente baixa e a recuperação das perdas entre 2020 e 2022. Em termos estruturais, o país segue aquém do seu potencial.

Persistem gargalos relevantes. A conectividade aérea internacional é limitada e cara, e a infraestrutura turística é desigual. Enquanto alguns polos estão preparados, muitas regiões carecem de saneamento, mobilidade, sinalização e qualificação profissional. Dados do IBGE indicam que a informalidade ainda predomina em parte do setor, reduzindo qualidade e arrecadação.

Outro desafio é a sustentabilidade. Órgãos ambientais alertam para a pressão crescente sobre áreas naturais e comunidades locais. Sem planejamento, o turismo pode gerar degradação ambiental, encarecer o custo de vida e ampliar desigualdades, efeitos já vistos em destinos superexplorados no exterior.

Há ainda a questão da segurança e da imagem internacional. Pesquisas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que a percepção de violência continua sendo um dos principais fatores de resistência entre turistas estrangeiros.

O crescimento registrado pela ONU é uma oportunidade rara. Transformar esse avanço em desenvolvimento duradouro exige mais do que promoção e recordes: requer investimentos em infraestrutura, conectividade, qualificação e sustentabilidade, além de integração do turismo a uma estratégia consistente de desenvolvimento regional. O Brasil voltou a atrair o mundo; resta saber se conseguirá transformar interesse em legado.

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