Tribuna Ribeirão
DestaqueSaúde

Vacina Butantan-DV mantém 80,5% de eficácia

Butantan-DV: entre pessoas que já tinham tido dengue, a eficácia foi maior (77,1%), enquanto entre indivíduos sem infecção prévia foi de 58,9% | Foto: Walterson Rosa/MS

Um estudo publicado na revista científica Nature Medicine na quarta-feira, 4 de março, indica que a vacina tetravalente Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan, manteve eficácia de 80,5% contra casos de dengue grave ou dengue com sinais de alarme ao longo de cinco anos de acompanhamento. No período, a eficácia geral contra dengue sintomática confirmada foi de cerca de 65%.

A pesquisa acompanhou 16.235 pessoas de 2 a 59 anos. O estudo é um ensaio clínico de fase 3, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, modelo considerado o padrão-ouro para avaliar a eficácia de vacinas. Além da alta proteção contra quadros graves, a análise mostrou que a Butantan-DV protegeu contra hospitalizações por dengue, já que não houve nenhum registro de internação no grupo vacinado (10.259), contra oito casos no grupo placebo (5.976).

A análise também mostra que a proteção variou conforme o histórico de exposição ao vírus. Entre pessoas que já tinham tido dengue, a eficácia foi maior (77,1%), enquanto entre indivíduos sem infecção prévia foi de 58,9%. Em relação aos sorotipos, a vacina teve 73% de eficácia contra DENV-1 e 55,7% contra DENV-2. Durante o período de acompanhamento não houve casos de DENV-3 ou DENV-4 entre os participantes, o que impediu avaliar a proteção contra esses sorotipos.

O estudo foi conduzido em 16 centros de pesquisa distribuídos pelas cinco regiões do Brasil e contou com financiamento do Ministério da Saúde, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Fundação Butantan.

Proteção com dose única – A vacina é composta pelos quatro sorotipos do vírus da dengue e utiliza a tecnologia de vírus atenuado, ou seja, vírus vivos enfraquecidos em laboratório para não causar a doença, mas ainda capazes de estimular o sistema imunológico. As cepas utilizadas são baseadas em uma tecnologia originalmente desenvolvida pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH).

O grande diferencial da Butantan-DV é o seu esquema de dose única. A necessidade de apenas uma dose da vacina está ligada à alta capacidade de replicação inicial do vírus vacinal. Esse processo desencadeia uma resposta imune forte já na primeira aplicação, suficiente para impedir que doses posteriores consigam se replicar no organismo.

Outros estudos mostraram que uma segunda dose não provoca nova viremia – ou seja, o vírus vacinal não volta a circular no sangue – nem aumenta a produção de anticorpos. Isso indica que a primeira aplicação já alcança o nível de proteção necessário. Esse comportamento também é observado em outras vacinas bem-sucedidas feitas com vírus vivos atenuados.

Em outras vacinas que exigem duas doses, cerca de 40% a 43% da população retorna para tomar a segunda. Quem não completa o esquema vacinal também não tem a proteção completa. A vacina foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em novembro de 2025.

Desde então, o Butantan enviou quase 1,3 milhão de doses ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), responsável por distribuí-las ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estima-se que, no Estado de São Paulo, cerca de 50 mil doses foram aplicadas até o momento.

VEJA TAMBÉM

Comercial recebe o Nacional em luta contra a crise na A4

Redação

Resgatado último corpo soterrado

Redação

Ministro Gilmar Mendes diverge do voto do relator da Sevandija

Redação

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com