Everton Morelli sofreu choque de cabeça e enfrentou longa recuperação
Por Hugo Luque
Sorridente e empolgado com o início de sua trajetória no Botafogo, Everton Morelli enfrentou um duro caminho até voltar para Ribeirão Preto, sua cidade natal. Em 2021, o novo volante do Pantera enfrentou uma situação de vida ou morte.
Na ocasião, o Cianorte-PR, time de Morelli, enfrentava o Boavista-RJ, fora de casa, pela Série D do Campeonato Brasileiro, quando o jogador se envolveu em um choque de cabeça. Embora quisesse voltar ao gramado, ele foi levado a um hospital, passou por cirurgia e enfrentou meses de incerteza.
“No momento do impacto, não houve sangramento. Tive um leve desmaio, rápido, desliguei, mas estava louco para voltar ao jogo. Por protocolo, fui tirado do jogo e passei por um processo longo. Saí do estádio, fui para o hospital, fiz exames e os médicos tiveram de fazer essa cirurgia às pressas, porque era de risco. Só me lembro de acordar, da enfermeira me acordando para trocar a faixa que estava enrolada na minha cabeça”, detalha o volante de 28 anos.
O ribeirão-pretano passou, então, por instantes decisivos para sua carreira e até mesmo sua vida. Não fosse a rápida cirurgia, Morelli poderia ter sequelas que encerrariam sua carreira ou, até mesmo, um desfecho pior. O despertar no hospital foi assustador para o atleta.
“Acordei com medo de tudo aquilo que aconteceu. Não sentia o movimento do meu braço, estava tonto, só ficava deitado na maca. Fiquei hospitalizado cerca de dois dias, momento de pandemia, tudo correndo de forma difícil. Me apeguei a Deus para me dar essa segurança, essa tranquilidade. No momento que saí do Rio de Janeiro, voltei para Ribeirão Preto para manter o tratamento aqui. Lembro-me que passei no neurocirurgião, ele viu o relatório de tudo que aconteceu e ele me disse que ganhei uma nova vida. Se demorasse mais 20 minutos para fazer a cirurgia, eu poderia ter morrido”, comenta Morelli, que passou por uma longa reabilitação.
“No momento, houve uma alegria dentro de mim, porque tudo poderia acontecer. (…) Não tive nenhuma sequela. Fiquei seis meses para me recuperar dessa lesão. Tive de aprender a andar de novo, a jogar futebol de novo, porque não tinha coordenação para fazer o básico que a gente aprende na base. Tive de aprender o passo a passo de novo. (…) Eu tinha esse sonho, realizei esse sonho e poderia ter perdido esse sonho.”
O Botafogo está em pré-temporada de olho no Campeonato Paulista de 2026. A estreia do Tricolor está marcada para 11 de janeiro, fora de casa, contra o Velo Clube.

